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ASCO 2019: reduzir quimioterapia é benéfico para pacientes com câncer colorretal?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Além de apresentar à comunidade científica novos tratamentos e medicamentos para combater com mais eficiência diferentes tipos de tumores, o Encontro Anual da ASCO também é responsável por revelar mudanças que alteram a prática clínica. Um exemplo disso foi a rediscussão de dados do estudo IDEA, que recomendou a redução pela metade no tempo de tratamento quimioterápico preventivo para pacientes com diagnóstico de câncer colorretal (estádio III) de baixo risco.

Os pesquisadores consideram que esses pacientes podem ser tratados com três meses de quimioterapia com o regime CAPOX, em alternativa aos tradicionais seis meses, devendo esta duração de seis meses de tratamento ficar restrita ao subgrupo de maior risco (tumores T4N2).

Tempo de quimioterapia em pacientes com câncer colorretal

De acordo com a oncologista clínica Aline Chaves Andrade, do Grupo Oncoclínicas em Belo Horizonte, Minas Gerais, até pouco tempo o período considerado padrão para a aplicação de quimioterapia em pacientes operados era de seis meses. “Isso deixava uma toxicidade significativa nas pessoas que implicava na qualidade de vida, gerando a chamada neuropatia, caracterizada por dor e dificuldades para andar. Agora já há respaldo para que o tempo de tratamento seja reduzido para três meses no subgrupo de pacientes com risco baixo (T3 N1)”, comenta a médica.

“A finalidade desta estratégia é reduzir a toxicidade do tratamento, que tem a sua gravidade proporcional à dose acumulativa recebida pelo paciente do quimioterápico oxaliplatina, que em alguns casos pode durar a vida inteira gerando dores musculares e dificuldades de movimentação de alguns membros. A redução da neuropatia foi de 44 % para 24% no grupo que recebeu o tratamento mais curto com três meses de quimioterapia com Capox”, explica Aline Andrade.

Segundo a oncologista, outra novidade apresentada é a indicação de um controle menos intensivo desses pacientes, o que significa a realização de menos exames de imagens em pacientes assintomáticos. “A indicação é valorizar mais a consulta clínica, exames de sangue e os sintomas relatados pela pessoa e solicitar em casos selecionados nesse contexto”, explica.

IDEA

O IDEA trata-se de uma análise conjunta, com a compilação de dados de seis grandes estudos sobre o tratamento. E na ASCO 2019 foram apresentados dados de uma pesquisa realizada com 454 oncologistas da Europa, Japão e Estados Unidos, para saber se eles reduziram o tempo de tratamento após publicação do IDEA.

“O resultado desta pesquisa mostrou que a maioria dos médicos entrevistados considerou a redução do tratamento para três meses nos tumores considerados de baixo risco (T3 N1), validando os dados do estudo na prática clínica, porém no Brasil ainda precisamos estimular mais esta conduta entre os colegas e divulgar a informação.

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O Grupo Brasileiro de Estudos de Tumores Gastrointestinais (GTG) já atualizou o seu consenso sobre tratamento de câncer colorretal recomendando a redução da duração do tratamento neste subgrupo de pacientes em questão, com vistas à redução da neuropatia que tanto padecem estes pacientes após seis meses de tratamento”, relata Aline Andrade.

Esta foi a maior análise realizada até hoje em conjunto com dados de seis estudos realizados em pacientes portadores de tumores colorretais do estádio III em tratamento quimioterápico, totalizando análise de tratamento em 12.834 pacientes.

Conclusão

Segundo a oncologista Aline Andrade, dados da evolução natural do câncer colorretal sugerem que 1/3 dos casos vão ter recorrência do câncer após tratamento inicial, sendo que a maioria nos primeiros três anos e até 90% em até cinco anos. Por isso, a necessidade de tratamento quimioterápico adjuvante o mais breve possível após a cirurgia para remoção do tumor.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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