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Asma: azitomicina reduz exacerbações?

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O tratamento da asma requer uma abordagem multidisciplinar, redução de gatilhos irritantes e alérgicos, tratar comorbidades, adesão medicamentosa, e acesso aos medicamentos. As diretrizes da GINA de 2019 recomendam o uso de macrolídeos como uma terapia complementar na asma grave e difícil de tratar, apesar de não haver dados suficientes publicados sobre os quais baseie esta recomendação.

Recentemente, foi publicado no European Respiratory Journal, uma metanálise que visava responder a seguinte pergunta: a manutenção de azitromicina reduz exacerbações na asma?

médica consultando mulher com asma, com as mãos no peito

Azitromicina na asma

Foi realizada uma pesquisa sistemática, sendo incluídos ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos, em grupos paralelos em adultos comparando pelo menos oito semanas de tratamento com azitromicina com placebo, onde o resultado as exacerbações foram avaliadas por pelo menos seis meses.

Três estudos preenchiam os critérios, (sim, apenas três!) dentre os 1363 inicialmente avaliados. Na metanálise de dados de participantes individuais, o tratamento com azitromicina foi associado a uma taxa reduzida de exacerbações (curso de corticosteroide oral devido à piora da asma, uso de antibióticos para infecção do trato respiratório inferior, hospitalização e/ou visitas ao departamento de emergência) na asma, bem como na análise de subgrupos não eosinofílicos, eosinofílicos e asma grave.

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Examinando cada tipo de exacerbação separadamente, os pacientes com asma eosinofílica relataram menos ciclos de corticosteroides orais e os pacientes com asma não-eosinofílica e grave relataram menos ciclos de antibióticos. A azitromicina foi bem tolerada.

Resultados

Segundo os autores, esta revisão sistemática e a metanálise confirmam o uso a longo prazo da azitromicina, em conjunto com o tratamento de manutenção da asma existente, reduz as exacerbações na asma e em sub-fenótipos de asma grave, eosinofílica e não eosinofílica. A principal limitação dessa metanálise de DPI foram os poucos estudos que atingiram a elegibilidade.

Avaliando melhor dois dos três estudos que forma abordados na metanálise, temos:

  • Em um estudo randomizado (AMAZES), 420 adultos com asma mal controlada, apesar da terapia com um glicocorticoide inalatório e um beta-agonista de ação prolongada, foram designados para a terapia complementar com azitromicina 500 mg ou placebo, três vezes por semana, durante 48 semanas. A azitromicina diminuiu a taxa de exacerbações (taxa de incidência: 0,59, IC 95% 0 · 47-0 · 74) e melhorou a qualidade de vida relacionada à asma, com algumas sugestões de que o tratamento funcionou melhor em pacientes eosinofílicos. Diarreia foi mais comum em participantes que tomaram azitromicina (34%), em comparação com placebo (19%).
  • Em um estudo menor (AZISAST), o efeito da azitromicina foi examinado em 109 adultos com asma grave e duas exacerbações ou infecções do trato respiratório inferior que requerem antibióticos no ano anterior. Os participantes foram aleatoriamente designados para azitromicina 250 mg (após um curso inicial de 250 mg diariamente por cinco dias) ou placebo três vezes por semana durante 26 semanas. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos na taxa de exacerbações ou infecções respiratórias inferiores, função pulmonar ou uso de medicamentos de resgate. Uma melhora significativa foi observada no escore do Questionário de Qualidade de Vida em Asma (AQLQ) no grupo da azitromicina. Uma análise pré-especificada de subgrupo constatou que a azitromicina diminuiu as exacerbações em participantes com asma não eosinofílica (eosinófilos no sangue ≤200/microL), mas não naqueles com asma eosinofílica.

Assim, dois dos três ensaios de azitromicina na asma avaliados na metanálise deram resultados conflitantes, o maior sugerindo maior eficácia na asma eosinofílica e o menor sugerindo não eficácia neste grupo. Apesar disso, tanto o GINA 2019 (ressaltando que o uso é off-label) quanto esta metanálise, consideram o uso de macrolídeos na manutenção da asma grave, tendo em vista o efeito imunomodulador da medicação.

Cabe ressaltar que questões relativas à otimização de dose e duração, o efeito de outros macrolídeos, além da resistência microbiana da comunidade precisam ser abordados em pesquisas futuras.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Global Initiative for Asthma. Difficult-to-treat and severe asthma in adolescent and adult patients: Diagnosis and managment. Global Initiative for Asthma, www.ginasthma.org, 2019.
  • Gibson PG, Yang IA, Upham JW, Reynolds PN, Hodge S, James AL, Jenkins C, Peters MJ, Marks GB, Baraket M, Powell H, Taylor SL, Leong LEX, Rogers GB, Simpson JL. Effect of azithromycin on asthma exacerbations and quality of life in adults with persistent uncontrolled asthma (AMAZES): A randomised, double-blind, placebo-controlled trial. Lancet 2017; 390(10095): 659-668.
  • Brusselle GG, Vanderstichele C, Jordens P, Deman R, Slabbynck H, Ringoet V, Verleden G, Demedts IK, Verhamme K, Delporte A, Demeyere B, Claeys G, Boelens J, Padalko E, Verschakelen J, Van Maele G, Deschepper E, Joos GF. Azithromycin for prevention of exacerbations in severe asthma (AZISAST): A multicentre randomised doubleblind placebo-controlled trial. Thorax 2013; 68(4): 322-329
  • Sally Wenzel, MD, Treatment of severe asthma in adolescents and adults. Uptodate. https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-severe-asthma-in-adolescents-and-adults?search=asma%20azitromicina&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
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