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Asma deveria mesmo ser considerada fator de risco para Covid-19?

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No início da pandemia de Covid-19, diversas condições e fatores foram consideradas de risco aumentado para evolução com gravidade, como hipertensão e diabetes, por exemplo. Entre as doenças respiratórias, as pessoas com asma também foram consideradas por diversos órgãos como grupo de risco, requerendo cuidados maiores.

Porém, com o passar dos meses, o número de casos de pessoas com asma hospitalizadas parecia relativamente pequeno, o que levantou a hipótese de que esses pacientes não deveriam ser considerados de risco. Mas, antes de dar a palavra final, pesquisadores realizaram um estudo, que foi publicado recentemente no Annals of the American Thoracic Society.

mulher com asma, com a mão no peito, em consulta médica falando sobre relação da asma e covid-19

Asma e Covid-19

A pesquisa foi realizado em duas partes: primeiro, uma metanálise de 15 estudos sobre o predomínio da asma em pacientes hospitalizados com infecção confirmada pelo SARS-CoV-2 e, segundo, análise transversal de 436 pacientes com Covid-19 internados no University of Colorado Hospital e a probabilidade de serem intubados.

A metanálise comparou os estudos de prevalência de asma nos pacientes com infecção confirmada, com data de publicação até 7 de maio de 2020, com a prevalência de asma na população e a prevalência média de asma em quatro anos de hospitalizações por influenza nos Estados Unidos. Para a revisão, foi usado o método Clopper-Pearson para criar intervalos de confiança de 95% para a prevalência de asma em cada estudo.

Leia também: Caso clínico: asma descompensada durante pandemia, qual a melhor conduta?

Já na análise transversal, foi utilizado o modelo de regressão logística multivariável para avaliar os efeitos da asma na intubação, após controle por idade, sexo e índice de massa corporal (IMC).

Resultados

  • A proporção de asmáticos entre os pacientes hospitalizados com Covid-19 foi semelhante à da população de cada local de estudo;
  • Em contraste, pacientes com asma representaram mais de 20% dos hospitalizados por influenza nos Estados Unidos: durante a epidemia de influenza de 2019-2020, 24,1% das pessoas hospitalizadas com o vírus tinham asma; no período de 2016-2020, a média foi de 21%; mas ambos os resultados são significativamente maiores que a estimativa de prevalência combinada dos 15 estudos (6,8% – IC de 95%:3,7, 10,7);
  • De acordo com os dados do hospital, asmáticos (12% de prevalência) não parecem ser mais propensos à forma grave da doença, necessitando de intubação, que aqueles pacientes não asmáticos (odds ratio: 0,69 (IC de 95%: [0,33, 1,45]), após ajuste para idade, sexo e IMC, que são fatores de risco conhecidos para a doença.

Os pesquisadores também compararam o risco de asma em outros coronavírus, encontrando uma prevalência semelhante nos casos de SARS-CoV aos de SARS-CoV-2, porém uma prevalência um pouco maior nos casos de MERS.

Em outra análise, concluíram que a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), ao contrário da asma, pode ser considerada fator de risco para evolução com gravidade.

Conclusões

Apesar de ter poucos estudos significantes disponíveis, os pesquisadores acreditam que a asma não deve ser considerada um fator de risco para gravidade em Covid-19.

Uma das hipóteses levantadas está relacionada ao receptor ACE2. Como outros estudos sugerem que a diabetes e hipertensão podem aumentar a expressão de ACE2 no epitélio das vias aéreas e isso poderia estar relacionado à gravidade da Covid-19, o uso de corticoide inalatório na asma pode diminuir essa expressão, o que tornaria mais difícil a entrada do vírus. Além disso, pacientes asmáticos que possuem um fenótipo predominantemente alérgico podem ter expressão de ACE2 ainda mais baixa.

De qualquer forma, não está comprovada a relação do receptor ACE2, assim como outros estudos são necessários para avaliar a asma e outros fatores de risco para Covid-19. Mas, por ser uma doença tão nova e com tanta pouca evidência, é importante sempre estar alerta para as condições que poderiam levar à hospitalização desses pacientes.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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