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UTI com bactérias resistentes

Bactérias resistentes à limpeza são fontes de contaminação em UTIs

Infectologia, Saúde Pública, Terapia Intensiva
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Tempo de leitura: 3 minutos.

Um estudo mapeou as comunidades de microrganismos que habitam as unidades de tratamento intensivo (UTIs). O local mapeado pelos pesquisadores foi o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da Universidade de São Paulo (USP).

Diferenças na composição da microbiota das superfícies das UTIS foram observadas, além de uma grande variedade de bactérias potencialmente causadoras de doenças. Essas bactérias vivem ali, sendo resistentes aos produtos de limpeza utilizados com a intenção de reduzir o risco de infecções hospitalares.

O mapeamento utilizou técnicas de sequenciamento de nova geração, que permitem identificar uma quantidade muito maior de gêneros e espécies de microrganismos do que o cultivado em laboratório.

“Como não precisamos cultivar previamente, conseguimos extrair DNA de microrganismos cultiváveis e não cultiváveis. Os não cultiváveis precisam de algumas condições que ainda não somos capazes de imitar em laboratório. Normalmente, são os mais extremófilos, organismos que conseguem sobreviver ou até necessitam fisicamente de condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida no planeta.

Atualmente, cerca de 97% das bactérias de qualquer tipo de amostra não são cultiváveis”, conta a microbiologista María Eugenia Guazzaroni, professora da FFCLRP e uma das autoras do estudo.

Estudo sobre contaminação em UTIs

Segundo o pesquisador Lucas Ferreira Ribeiro, o objetivo do estudo é alertar os profissionais da saúde sobre a importância da revisão constante dos protocolos de higiene dentro dos hospitais, principalmente nas UTIs.

“Às vezes, o contato com determinado paciente e o toque em outras superfícies dentro da própria UTI, pode criar contaminações cruzadas dentro deste ambiente”, alerta.

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A lista de microrganismos identificados por esse estudo inclui bactérias dos gêneros Klebsiella, Pseudomonas, Staphylococcus, Enterococcus, Acinetobacter e Escherichia, com a sua distribuição variando de uma superfície para outra.

Comparando os dados de diferentes amostras, os pesquisadores verificaram que a biodiversidade de bactérias é maior na UTI neonatal do que na UTI adulta, o que pode ter a ver com uma maior quantidade de pessoas que circulam pelo local. E nas superfícies próximas aos pacientes, a microbiota ganhava uma “impressão digital” particular, quando comparada com superfícies das estações de trabalho.

Uso de antibióticos não é o único fator de resistência

A pesquisa destaca ainda que a utilização de antibióticos não é o único fator que torna as bactérias resistentes. O uso do mesmo produto químico diariamente também leva os microrganismos a se tornarem adaptados ao produto de limpeza.

Para mapear as comunidades de microrganismos, foram coletadas amostras de superfícies como colchões, camas, maçanetas e respiradores, em dias de funcionamento normal, sem que as equipes de enfermagem fossem avisadas.
Também foram recolhidas amostras das superfícies de computadores, celulares, jalecos e pastas de prontuários que estavam nas UTIs. As coletas aconteceram antes e logo após a limpeza diária com produtos específicos.

Metodologia

Foram coletadas 158 amostras da UTI e da UTIN no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da Universidade de São Paulo (USP), de setembro a outubro de 2018.

As unidades de terapia intensiva continham duas enfermarias com quatro leitos cada, onde pacientes gravemente enfermos de todas as especialidades médicas são tratadas. As amostras da UTIN foram coletadas apenas antes da limpeza simultânea, enquanto as amostras da UTI foram coletadas antes ou imediatamente após a limpeza. Durante a amostragem, todos os funcionários e dispositivos da UTI/UTIN estavam em pleno funcionamento.

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As coletas foram realizadas nas superfícies do colchão, da grade da cama, dos monitores, das bombas de infusão, do ventilador e do manguito (quando presentes). Nas áreas comuns da UTI / UTIN, teclado e mouse de computador, maçaneta de portas, cartões hospitalares, registros médicos e os aparelhos celulares dos enfermeiros.

Já é sabido que muitas bactérias podem não gerar nenhum tipo de problema, mas, em ambiente de UTI, especialmente pediátrica, esses microrganismos oferecem mais risco, devido à vulnerabilidade dos pacientes.

“Mesmo após a limpeza, não houve a redução efetiva de bactérias relacionadas com infecção hospitalar. Então, há a necessidade de rever esses protocolos, buscar outros mais eficientes ou mesmo ter rotatividade, não só de limpeza, mas da parte de higienização”, destaca o pesquisador.

Importância de seguir os protocolos de higiene e esterilização

A partir dos resultados, os autores do estudo querem conscientizar os gestores e funcionários dos hospitais sobre a importância de seguir os protocolos de higiene e esterilização.

Outro alerta importante do estudo é que o aparelho celular é uma das vias de contaminação mais comum. Por isso, profissionais da saúde e até mesmo familiares dos pacientes devem estar atentos para nunca manusear os aparelhos dentro das UTIs.

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*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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