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cirurgiões realizando cirurgia após bloqueio de plexo braquial

Bloqueio de plexo braquial: abordagem retroclavicular X infraclavicular

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A prática de anestesia regional exerce superioridade em relação a anestesia geral principalmente em se tratando de cirurgias de membros superiores. A diminuição da dor no pós-operatório leva a uma menor necessidade do uso de opioides e um tempo de recuperação mais rápido dos pacientes.

A abordagem infraclavicular (BIC) é a mais utilizada e vem demonstrado maior facilidade e simplicidade na sua realização, porém existe um obstáculo inerente a essa técnica que é o ângulo entre a agulha e o probe do ultrassom (US), que torna a visualização da mesma mais difícil.

Na abordagem retroclavicular (BRC) não existe essa condição,pois o ângulo da agulha com o probe é mais perpendicular o que torna a visualização desta mais fácil. Devido a isso foram realizados estudos que demonstraram que a abordagem retroclavicular também é uma excelente opção para a realização do bloqueio não havendo grande diferença de tempo nem de resultado entre as duas. Tanto a abordagem infraclavicular como a retroclavicular apresentaram tempo e resultados satisfatórios.

Bloqueio de plexo braquial

Um recente estudo foi realizado em um centro hospitalar de Quebec, Canadá, durante o período de oito meses em um total de 110 pacientes os quais 53 foram realizados BRC e 56 BIC e foram coletados dados de análise comparativa de visibilidade da agulha, tempo de localização anatômica pelo US e tempo de introdução da agulha, alterações sensitivas e motoras pós-bloqueio, tempo total de anestesia, sucesso da técnica, presença de dor no pós-operatório assim como complicações entre as duas técnicas. Os pacientes selecionados tinham idade acima de 18 anos, peso maior que 50 kg, ASA I a III e com capacidade plena de consentimento informado.

Pacientes com cirurgia prévia ou anormalidades grosseiras da região clavicular foram excluídos assim como pacientes com infecção sistêmica ou no local da punção. Coagulopatias, doença pulmonar grave, neuropatia local prévia e gestantes também foram critérios de exclusão.

Todos os procedimentos foram realizados por uma equipe experiente e treinada. O BRC foi realizado inserindo a agulha na fossa supraclavicular em direção a parede posterior da artéria axilar no mesmo plano do probe do US paralelo a fossa do músculo delta peitoral. O BIC foi realizado colocando o probe na fossa infraclavicular medialmente ao processo coracoide e a agulha em direção a parede posterior da artéria axilar. Em ambos os bloqueios foi realizado injeção de 20 mL de ropivacaína a 0,5% e 20 mL de mepivacaína a 1,5% em dose única.

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Os tempos de posicionamento anatômico do US, introdução da agulha, realização do bloqueio e tempo de latência foram medidos por um cronômetro regular em minutos. E o sucesso do bloqueio foi determinado quando não houve necessidade de complementação local pelo cirurgião em nenhum momento da cirurgia. Realizado follow-up até 48 horas após o fim do procedimento a fim de avaliar a ocorrência de complicações como dispneia, parestesia, síndrome de Horner, dor ou hematoma.

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Resultados

Os resultados obtidos nesse estudo demonstraram um intervalo de tempo de 4,8 min para a realização do BRC e de 5,2 min para a realização do BIC. Não houve diferença de tempo entre as técnicas tanto para o posicionamento adequado do probe como para o agulhamento. Os tempos para instalação do bloqueio e começo da cirurgia também não foram significativamente diferentes assim como não houve diferença significativa de sucesso do bloqueio em ambos os grupos (94,3% para BRC e 91,1% para BIC).

Em relação a complicações imediatas e tardias, houve três parestesias no grupo BRC contra uma do grupo BIC,uma punção arterial no BRC e quatro no BIC e um episódio de Síndrome de Horner para ambos os grupos. Dois pacientes do BRC relataram dor no sítio da punção no pós-operatório contra quatro pacientes do grupo infraclavicular e finalizando nenhum grupo desenvolveu complicações permanentes após 48 horas de bloqueio. Esses resultados demonstram que a técnica retroclavicular não é inferior a técnica infraclavicular. A visualização da agulha durante a realização do bloqueio é um fator importante para a escolha da técnica pelo profissional.

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Apesar de estatísticas demonstrarem maior incidência de lesão do nervo supraescapular pela técnica retroclavicular, nesse estudo não foi demonstrado nenhuma lesão nervosa permanente. Nenhuma lesão dessa natureza também foi evidenciada no centro hospitalar em questão em mais de 1000 pacientes submetidos ao longo do tempo, apesar de não terem sido incluídos em nenhum estudo oficialmente estatístico.

Podemos considerar, portanto, que a realização do bloqueio de plexo braquial pela abordagem retroclavicular é uma técnica segura e eficaz e deve ser considerada como opção válida para a realização de cirurgias de membros superiores.

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Referências bibliográficas:

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