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ASCO 2019

Câncer de mama: inibidores de aromatase são boa opção para prevenção?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em todo o mundo, excluindo câncer de pele não-melanoma. Estima-se que uma a oito mulheres serão diagnosticadas com a doença em algum momento de suas vidas. O uso de tamoxifeno e raloxifeno é recomendado para prevenção primária em pacientes consideradas de alto risco para câncer de mama desde 2013. Recentemente, o US Preventive Services Task Force (USPSTF) incluiu também os inibidores de aromatase (anastrozol) como possibilidade para quimioprofilaxia da doença.

As pacientes consideradas de alto risco para câncer de mama e que podem se beneficiar do medicamento são as que apresentam:

  • hiperplasia ductal ou lobular atípica ou carcinoma lobular in situ em biópsia prévia;
  •  idade maior ou igual a 65 anos com familiar de 1º grau com câncer de mama;
  • idade maior ou igual a 45 anos com mais de um familiar de primeiro grau com câncer de mama ou um familiar de 1º grau com câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos de idade;
  •  idade maior ou igual a 40 anos com familiar de 1o grau com câncer de mama bilateral.

Outra possibilidade para essa avaliação é utilizar uma das diversas ferramentas disponíveis para estimar o risco da paciente em relação ao da população geral, considerando idade, história familiar, mutação nos genes BRCA1/2, dentre outros fatores. Um exemplo é a calculadora do National Cancer Institute.

Ainda não há consenso sobre os pontos de corte que definem o alto risco, mas sugere-se que a paciente que poderia se beneficiar da quimioprofilaxia é a que apresenta risco de câncer de mama nos próximos cinco anos de pelo menos 3%.

O projeto do USPSTF de inclusão dos inibidores de aromatase é baseado em uma metanálise de ensaios clínicos randomizados, que evidenciou que o uso dos inibidores de aromatase foi capaz de reduzir a incidência de câncer de mama invasivo em 16 eventos a cada mil mulheres em um período de cinco anos. O tempo de uso da quimioprofilaxia é de três a cinco anos.

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No entanto, os dados sobre os riscos do uso deste medicamento ainda são limitados, especialmente a longo prazo. Alguns estudos mostram que há uma tendência de aumento de efeitos cardiovasculares com uso de inibidores de aromatase no tratamento de câncer de mama em estágios iniciais, mas que não é estatisticamente significativo quando comparado ao tamoxifeno. O uso do anastrozol também aumenta o risco de fraturas quando comparado com o raloxifeno.

O ACOG e o American Cancer Society ainda não têm recomendação formal sobre o uso de inibidores de aromatase para esta finalidade.

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