Oncologia

Câncer de próstata poderá ser detectado por exame de urina

Tempo de leitura: 2 min.

Pesquisadores do Laboratório de Investigação Médica da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP), em conjunto com o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da USP, conseguiram identificar pacientes com câncer de próstata a partir de um exame de amostras de urina. Os resultados da pesquisa podem ajudar a reduzir o número de biópsias.

“A urina pode conter elementos que reflitam os processos bioquímicos relacionados ao desenvolvimento de um tumor”, explica Katia Leite, chefe do Laboratório de Investigação Médica da Urologia da FMUSP e diretora científica da Genoa/LPCM.

O estudo foi realizado em conjunto com Giuseppe Palmisano, professor do ICB da USP, que avaliou 12 pacientes, metade com câncer de próstata e metade com hiperplasia benigna.

A conclusão foi que em um painel de 56 glicoproteínas (tipo de proteína ligado a um carboidrato), as amostras de urina alcançaram uma precisão de 100% no diagnóstico do câncer de próstata. Em um trabalho subsequente, analisando o tecido prostático obtido por biópsia, um painel de 11 proteínas conseguiu discriminar pacientes com câncer de próstata favorável e desfavorável.

Para Katia Leite, essa informação é de enorme relevância, pois conduz a escolha do tratamento, que inicialmente pode ser baseado na observação.“A busca por rastreadores de diagnóstico e prognóstico para substituir testes com baixa confiabilidade ou invasivos é extremamente importante. Apesar de existirem testes semelhantes disponíveis comercialmente, esses exames têm alto custo e baixa disponibilidade. O que procuramos são marcadores específicos, sensíveis a baixo custo para o uso na população brasileira”, conta a pesquisadora.

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Indicador prognóstico para câncer de próstata

Atualmente, o câncer de próstata é classificado pela escala de Gleason ou ISUP (International Society of Urological Pathology), o indicador prognóstico mais importante para determinar o direcionamento terapêutico. No entanto, o sistema tem limitações por conta da heterogeneidade do tumor, amostragem limitada e subjetividade na interpretação da biópsia.

As escalas classificam o câncer em pontuações variáveis de 6 e 10 (Gleason) ou de 1 a 5 (ISUP), sendo o Gleason 6 ou ISUP 1 o tumor mais bem diferenciado e, portanto, de prognóstico favorável.

“Os tumores benignos e pequenos podem ser manejados de modo expectante, conduta denominada “active surveillance” ou vigilância ativa, onde o tratamento curativo pode ser postergado, evitando assim seus possíveis efeitos colaterais”, diz a especialista.

A biópsia é a única maneira de diagnosticar o câncer de próstata e definir o seu potencial de agressividade. Porém, por ser invasivo, ele não é isento de morbidades, como a infecção e o sangramento. A biópsia ainda é o exame mais importante e continuará sendo para o diagnóstico do câncer da próstata.

Leia também: Whitebook: qual o melhor tratamento para câncer de próstata?

“O avanço dos testes não invasivos tem como objetivo a redução do número de biópsias e a melhor caracterização do potencial de agressividade do tumor, o que pode ter um grande impacto econômico e no bem-estar dos pacientes”, ressalta a diretora científica da Genoa/LPCM.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que no ano passado foram diagnosticados 68.220 novos casos de câncer de próstata no país, sendo a segunda principal causa de morte por câncer em homens, seguido de pulmão.

O risco de desenvolver a doença aumenta com a idade. Cerca de seis em cada dez casos são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Kawahara R, et al. Tissue Proteome Signatures Associated with Five Grades of Prostate Cancer and Benign Prostatic Hyperplasia. Proteomics. Volume 19, Issue 21-22. Special Issue: Cancer Omics. November 2019.
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Publicado por
Úrsula Neves

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