Candida auris: o que fazer diante de um caso?

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Entre as ameaças globais emergentes, os microrganismos multirresistentes estão entre as que mais avançam. Nesse cenário, Candida auris é uma espécie que vem preocupando profissionais de saúde ao redor do mundo.

Casos de C. auris se destacam pelo seu potencial de disseminação e pela frequente multirresistência, sendo uma infecção de difícil tratamento. Recentemente, novos casos de C. auris foram confirmados no Brasil, caracterizando um surto. Diante da possibilidade de novos casos surgirem em outras localidades, é importante estar atento às particularidades do manejo desse tipo de infecção.

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Candida auris o que fazer diante de um caso

Fatores de risco

Os fatores de risco para infecção por C. auris são semelhantes aos para outras espécies de Candida, sendo os principais: hospitalização prolongada, cirurgia abdominal, diabetes mellitus, admissão em unidade de terapia intensiva, doença de base grave e imunossupressão, doença renal crônica, uso de dispositivos invasivos, cirurgia recente, uso de corticoide, nutrição parenteral, neutropenia e exposição prévia a antibióticos de amplo espectro e antifúngicos.

A incidência de C. auris é significativamente maior em pacientes com alterações primárias ou adquiridas da resposta imune e em condições que necessitam de uso de imunossupressores, como neoplasias hematológicas em quimioterapia ou transplante de medula óssea.

Quadro clínico

Os quadros causados por C. auris têm apresentação semelhante aos de outras espécies de Candida spp., podendo ter acometimento de diversos sistemas. Organismos já foram isolados em diversas amostras clínicas, como líquor cefalorraquidiano, lavado broncoalveolar, sangue, líquido pleural, líquido peritoneal, urina, entre outros.

Mesmo o isolamento de C. auris de locais não estéreis — que pode representar colonização e não necessariamente infecção — deve ser considerado como relevante, uma vez que essa espécie apresenta alto potencial de disseminação e exige a implementação de medidas de precaução de contato.

A mortalidade associada a infecções invasivas por C. auris é mais alta do que a por outras espécies, com uma taxa de mortalidade variando de 30 a 72%. Casos já foram descritos tanto em adultos quanto em crianças, mas o desfecho parece ser melhor nessa última população.

Identificação e controle

A identificação de C. auris de uma amostra clínica deve ser confirmada. No Brasil, conforme Nota Técnica da Anvisa, todos os isolados suspeitos de C. auris devem ser enviados para a Rede Nacional para identificação de C. auris em serviços de saúde brasileiros.

Consideram-se como isolados suspeitos os isolados de Candida não albicans com triagem para identificação de C. auris por métodos fenotípicos positiva ou identificados como C. auris por espectrometria de massa MALDI-TOF, provenientes de amostras de sangue, urina, ponta de cateter vascular, lavado broncoalveolar, abscessos intracavitários e secreção de ferida cirúrgica.

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Casos suspeitos ou confirmados de C. auris – mesmo que somente de colonização – devem ser colocados em precaução de contato, preferencialmente em quarto individual. Além disso, o CDC recomenda o rastreio dos contactantes – por exemplo pacientes da mesma enfermaria – para identificação precoce de outros indivíduos colonizados. O rastreio pode ser feito com swab combinado de axila e virilha, mas outros locais, como urina, nariz e orofaringe e swabs retais e perianais também são recomendados.

Outra preocupação é a contaminação do ambiente. Isolados de C. auris são capazes de sobreviver em superfícies plásticas por até 14 dias e em superfícies de metal ou material de hotelaria por até 1 semana. Além disso, C. auris parece ser resistente a desinfetantes baseados em quaternário de amônio e produtos tensoativos catiônicos. Desinfetantes com ação esporicida e produtos baseados em peróxido de hidrogênio são recomendados.

Tratamento

Uma das características que torna C. auris uma espécie de interesse especial é a frequente associação com múltiplos antifúngicos. Resistência a fluconazol é frequente, mas isolados resistentes a voriconazol, anfotericina B e equinocandinas também já foram descritos.

Equinocandinas são consideradas a primeira linha de tratamento, mas, devido aos relatos de resistência, pacientes com infecção comprovada por C. auris devem ser estritamente monitorados clinicamente e com culturas de controle para detecção precoce de falha terapêutica e desenvolvimento de resistência.

Para casos em que não há resposta a uma equinocandina, anfotericina B lipossomal é considerada terapia de segunda linha. Outros azólicos, como posaconazol e isavuconazol, costumam apresentar atividade, mas testes de sensibilidade são desejáveis para guiar a terapia de forma apropriada.

Referências bibliográficas:

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