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Choosing Wisely: veja 5 novas recomendações em patologia

Tempo de leitura: 3 minutos.

Como parte da campanha Choosing Wisely (“escolhendo com sabedoria”), recentemente a American Society for Clinical Pathology adicionou mais cinco recomendações. Os assuntos são diarreia, sorologia de hepatite C, análises de trombofilia, pacientes com feocromocitoma (ou paranganglioma) e exames para patógenos respiratórios. Veja quais são abaixo.

1. Não fazer testes de patógenos gastrintestinais comunitários em pacientes que desenvolveram diarreia após 3 dias de hospitalização.

Estudos mostraram que fazer a cultura de fezes e o exame parasitológico não são indicados para pacientes que estão internados há mais de três dias porque esses testes foram criados para detectar agentes de infecção externos ao ambiente hospitalar. Já o exame para detectar C. difficile deve ser feito em pacientes com mais de 2 anos de idade; pacientes menores costumam ter colonização assintomática para essa bactéria.

Apesar disso, existem pacientes específicos, como idosos e imunocomprometidos, que os exames ainda podem ser feitos porque, mesmo depois de três dias de hospitalização, os patógenos comunitários continuam sendo detectados.

2. Não repetir exame para anticorpos contra o vírus da hepatite C (HCV) em pacientes que já tiveram resultado positivo. O correto é solicitar o teste de carga viral para analisar se a infecção ainda está ativa.

Segundo as diretrizes da Infectious Diseases Society of America em conjunto com a American Association for the Study of Liver Diseases, uma vez que o paciente apresenta o teste de anticorpos positivo para hepatite C, ele continuará positivo sempre. A orientação é consistente com o que diz o Centers for Disease Control and Prevention e, já que não há benefício clinicamente falando, não há necessidade de ser feito.

Muitas vezes, ele acaba sendo pedido junto de outros exames, por isso é importante prestar atenção. Se a sorologia é positiva, o que deve ser pedido é um teste de carga viral do HCV, que identifica se a infecção está ou não ativa no organismo e, assim, acompanha a eficácia do tratamento. Além disso, pacientes com carga viral ativa podem precisar de outro teste para orientar a terapia: o de genotipagem do vírus.

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3. Não realizar análises hipercoaguláveis em pacientes que tomam anticoagulantes orais diretos (DOACs).

Os anticoagulantes orais diretos, ou novos anticoagulantes orais (NOACs), como, por exemplo, dabigatran etexilate, rivaroxaban, apixaban, edoxaban e betrixaban, muitas vezes interferem em análises de coagulação, podendo ter resultados imprecisos ou até mesmo ininterpretáveis. Os exames afetados incluem: painéis de anticoagulante de lúpus (LA), resistência à proteína C ativada (RPCa), atividade da proteína C e da proteína S. Por isso, o ideal é nem solicitar esses exames para pacientes com uso desses medicamentos.

No caso de não ter outra opção, o teste deve ser feito quando a medicação estiver no nível mais baixo de concentração (trough level) e, ainda assim, ter muito cuidado para não agir em cima de um resultado que pode não estar correto. Para aqueles com suspeita de síndrome do anticorpo antifosfolípide, o painel anticoagulante do lúpus pode ser incompreensível, mas os testes baseados em ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA) não são afetados. Os testes genéticos, como a PCR para o fator V Leiden, também não são afetados.

4. Não usar o teste de catecolaminas plasmáticas para avaliar pacientes com feocromocitoma ou paraganglioma. Preferir metanefrinas livres plasmáticas ou fracionadas urinárias.

A recomendação é sempre usar como primeira linha os testes que medem metanefrinas sem plasma ou metanefrinas fracionadas na urina para avaliar pacientes feocromocitoma ou paraganglioma. Se for usado o de metanefrinas plasmáticas, o paciente precisaria ter seu sangue coletado em decúbito dorsal, e os valores comparados a partir da coleta da mesma posição.

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5. Não devem ser solicitados rotineiramente testes amplos de patógenos respiratórios, a não ser que seja necessário para o tratamento do paciente.

É preferível utilizar exames que forneçam o diagnóstico imediato e agilizem as decisões terapêuticas a testes de painéis amplos, como patógenos que são comumente suspeitos (que podem variar por local ou estação do ano). Alguns exemplos são testes moleculares rápidos para faringite por VSR ou influenza A ou B, podendo ser laboratoriais ou de assistência, dependendo do necessário. Os exames amplos podem ser feitos quando o resultado tiver influência direta no tratamento, como alterar ou descontinuar alguma terapia antimicrobiana.

O Choosing Wisely é uma campanha da American Board of Internal Medicine que procura questionar práticas que são comuns na medicina, mas que possam ser desnecessárias, como testes e tratamentos, a fim de melhorar o cuidado em saúde.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

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