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Como fazer o rastreio do idoso frágil na atenção primária?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O cuidado aos idosos merece cada vez mais atenção no âmbito da atenção primária pois é crescente o tamanho da população geriátrica no país devido ao aumento da expectativa de vida do brasileiro. Para além da abordagem integral e humanizada esperada do médico, é necessário lembrar que essa população tem algumas situações especiais que precisam ser rastreadas e investigadas, dentre elas a sua fragilidade multidimensional, visto sua importância na predição do desfecho do paciente.

Não há consenso na literatura quanto à definição do que seria a fragilidade do idoso porém, de maneira geral, o idoso frágil é aquele que apresenta maior vulnerabilidade sendo mais suscetível a eventos deletérios como quedas, hospitalizações, descompensação de doenças de base e óbito. Sendo assim, estes pacientes devem ser identificados e priorizados nas ações das suas equipes de saúde da família.

A ferramenta mais difundida e utilizada nessa avaliação pela atenção secundária é a Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), porém sua aplicação demora de 60 a 90 minutos, o que a torna inviável e pouco custo-efetiva no cenário da atenção primária. Pensando nisso, o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional-20 (IVCF-20) foi criado.

Rastreio do idoso frágil

O IVCF-20 é um questionário de 20 perguntas que aborda vários aspectos de saúde do idoso, multidimensionalmente. Ele foi elaborado, validado e publicado por um grupo de pesquisadores brasileiros, de forma interdisciplinar, para ser uma ferramenta de rastreio dos idosos frágeis de fácil aplicação na atenção primária, podendo ser aplicado por qualquer profissional de saúde.

COMO APLICAR O QUESTIONÁRIO?

O questionário é composto por vinte perguntas simples que podem ser respondidas pelo paciente ou por seu acompanhante e algumas medidas consideradas fundamentais para a avaliação global, como IMC. A aplicação dele, de acordo com seus idealizadores, leva de 5 a 10 minutos.

As questões levam em consideração idade, auto-percepção da saúde, realização das atividades de vida diária, cognição, humor, mobilidade, habilidade de comunicação e comorbidades para chegar a um score de 0 a 40 pontos.

COMO AVALIAR O RESULTADO?

De acordo com a pontuação, pode-se classificar o idoso em três graus, de acordo com a sua vulnerabilidade clínico-funcional:

0 a 6 pontos Idoso com baixo risco de vulnerabilidade clínico-funcional
7 a 14 pontos Idoso com moderado risco de vulnerabilidade clínico-funcional
≥ 15 pontos Idoso com alto risco de vulnerabilidade clínico-funcional

*Adaptado de: Atributos do IVCF-20 e sua Aplicação na Rede de Atenção à Saúde do Idoso, 2015.

Recomenda-se que, após essa avaliação inicial, os idosos com moderado ou alto risco de vulnerabilidade sejam submetidos à AGA e que as ações de saúde da equipe de atenção primária, juntamente com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) sejam voltados para as especificidades dessa população mais vulnerável. Em casos de maior risco também é importante o acompanhamento conjunto com a atenção secundária.

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Referências:

  • Moraes, Edgar Nunes de, et al. “Índice de Vulnerabilidade Clínico Funcional-20 (IVCF-20): reconhecimento rápido do idoso frágil.” Rev. Saúde Pública 50 (2016).
  • Moraes, Edgar Nunes de, et al. “Atributos do IVCF-20 e sua Aplicação na Rede de Atenção à Saúde do Idoso” (2015).
  • Carmo, J. A. “Proposta de um índice de vulnerabilidade clínico-funcional para a atenção básica: um estudo comparativo com a avaliação multidimensional do idoso [Dissertação].” Belo Horizonte: Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (2014).

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