Coquetel de anticorpos neutralizantes para tratamento da Covid-19

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A Covid-19, doença mais estudada na atualidade, parece ter maior risco de complicações em pacientes com carga viral elevada. Acredita-se que ocorra hiper-resposta do sistema imune à infecção nos casos em que se desenvolve hipóxia com necessidade de suplementação de oxigênio e estudos mostram títulos virais mais altos em pacientes hospitalizados em relação aos que podem ser seguidos ambulatorialmente. Cientistas esperam que medicações capazes de reduzir a carga viral possam levar a melhores desfechos clínicos.

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anticorpos neutralizantes para tratamento da Covid-19

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Estudo recente

Estudo publicado no New England Journal of Medicine em 21 de janeiro visou avaliar a eficácia de um “coquetel” chamado REGN-COV-2, contendo 2 anticorpos neutralizantes para o SARS-CoV-2, a saber casirivimab e imdevimab no tratamento precoce de pacientes não internados com Covid 19. Estes anticorpos da classe IgG1 se ligam a proteína de spike viral, impedindo sua entrada nas células humanas pelo receptor da enzima conversora de angiotensina 2. Optou-se por associar 2 anticorpos na medicação para conter emergência de resistência ao tratamento. Realizado ensaio clínico multicêntrico randomizado, duplo-cego com 275 pacientes sintomáticos não hospitalizados com PCR positivo para Covid-19 há menos de 72 horas e início do quadro clínico inferior a 7 dias. Os participantes ao entrarem no estudo dosaram anticorpos (IgA e IgG anti-S1 da proteína spike e IgG antinucleoocapisídeo), cujos resultados só foram avaliados após a randomização em 3 grupos (1:1:1) a receber: placebo, REGN-COV2 em dose baixa (2,4g) e REGN-COV2 em dose alta (8g) via endovenosa.

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Com análise dos resultados, obteve-se que no marco inicial 45% dos pacientes já possuíam anticorpos, enquanto 41% eram anticorpos negativos e em 14% dos casos não se pôde determinar o status sorológico. Os indivíduos com anticorpos positivos apresentaram carga viral substancialmente mais baixa e redução de necessidade de avaliação médica em decorrência da Covid 19. Enquanto 6% dos participantes que receberam placebo precisaram de atendimento médico, apenas 3% dos que receberam os anticorpos precisaram de uma avaliação, diferença de aproximadamente 49% e quando nesta análise acrescentamos o status sorológico inicial, temos que nos pacientes com anticorpos negativos que receberam placebo 15% precisaram de assistência médica, enquanto que dentre os pacientes com anticorpos negativos que receberam o REGN-COV2 apenas 6% procuraram atendimento, uma diferença relativa em torno de 59%. A dosagem da medicação no plasma após 29 dias da aplicação ficou acima do alvo predito para neutralização, mostrando grande meia-vida da droga e podendo resultar em imunidade passiva por alguns meses.

Mensagem prática

O coquetel acelerou o clearance viral principalmente em pacientes que ainda não desenvolveram resposta imune endógena ao vírus (anticorpos negativos no status inicial) com uma profunda queda da carga viral em 48 horas, possivelmente contribuindo também para redução do seu poder de transmissão a outras pessoas. Apesar de o tempo de início de sintomas ser semelhante entre os participantes no momento de randomização, alguns já possuíam anticorpos enquanto outros não, sugerindo que o tempo de sintomas não é um bom preditor para avaliar quando é iniciada a resposta imune do indivíduo. A fase 3 deste estudo ainda está em andamento e dados em maiores escalas são necessários para confirmar esses achados.

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Referências bibliográficas:

  • Weinreich DM, Sivapalasingam S, Norton T, et al. REGN-COV2, a Neutralizing Antibody Cocktail, in Outpatients with Covid-19. N Engl J 2021 Jan 21;384(3):238-251. doi: 10.1056/NEJMoa2035002.

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