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Covid-19 e o risco de reinfecção

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Após o surgimento dos primeiros relatos de casos de possível “reinfecção” pelo coronavírus SARS-CoV-2, associado à pandêmica síndrome de Covid-19 já em fevereiro de 2020 em alguns países, observou-se uma progressiva investigação à compreensão da fisiopatologia da doença. Com o acúmulo de evidências confirmando a ocorrência de “reinfecção”, os esclarecimentos sobre os mecanismos imunitários, duradouros ou não, representam também desafios consideráveis para o controle da doença através de estratégias vacinais.

É importante lembrar que reinfecção por SARS-Cov-2 consiste em uma recorrência da infecção pela mesma estirpe viral em intervalo maior ou igual 45 dias após a infecção inicial (Organização Panamericana de Saúde, OPAS, 2020). e uma nova infecção consiste em doença por uma variante do vírus (distinta do episódio de Covid-19 anterior). Um novo episódio de Covid-19 no mesmo indivíduo/doente, com histórico clínico e comprovação laboratorial de infecção prévia por SARS-Cov-2, pode ser consequência da reinfecção ou de uma nova infecção. Porém, até atualmente observa-se que o termo geral universalmente utilizado para definir recorrência de Covid-19 é reinfecção, independente de estar associada ou não a mesma estirpe.

Leia também: Covid-19: a narrativa ao redor da ivermectina

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Relatos

Amorim et al., (2021) relataram 4 casos de novas infecções por novas variantes SARS-Cov-2 entre profissionais de saúde (3 enfermeiras e 1 staff) ocorrido no Hospital das Clínicas, na cidade de Campinas, SP, Brasil. Os pacientes eram mulheres, entre 40 a 61 anos, com infecção inicial e sintomas leves entre 5 de abril a 10 de maio de 2020, com duração de 10 a 23 dias, sem necessidade de internação. Após a resolução dos sintomas do primeiro episódio, as profissionais de saúde apresentaram testes molecular negativo para SARS-CoV-2 e sorologia negativa (IgM/IgG). As novas infecções ocorreram entre 55 a 170 dias após o primeiro episódio da doença, com duração de 9 a 23 dias. Não houve alteração nos cuidados e uso de equipamento de proteção individual (EPIs). As partículas virais foram detectadas a partir da secreção nasal por qRT-PCR durante os dois episódios da doença, e também isoladas com cultura de células Vero. Os vírions foram caracterizados por sequenciamento genómico e comparados, com observação de mutações que diferenciavam os vírus infectantes nos diferentes episódios da doença. Três estirpes pertenciam a linhagem B.1.1.28 e uma a linhagem B.1.1.33., as quais estavam em circulação em território brasileiro desde março de 2020, e apresentavam a mutação D614G na glicoproteína da espícula, a qual está associada com maior taxa de replicação viral e susceptibilidade do vírus à neutralização por anticorpos. As recentemente descritas variantes de SARS-CoV-2, B.1.1.7, B.1.351 e P.1., tem também sido associadas com novas infecções e quadros de Covid-19, em muitos dos casos com maior gravidade e pior prognóstico.

Estudo recente

Em um estudo publicado na The Lancet Respiratory Medicine, Letizia et al. (2021) avaliaram o risco de novas infecções por SARS-CoV-2 entre 3076 adultos jovens marinheiros (18 a 20 anos), sem comorbidades, que apresentavam variações quanto ao status sorológico para IgG após o primeiro episódio de Covid-19. Os militares foram acompanhados por 6 semanas, em um ambiente exclusivo e recluso sem contato com outras populações, após um período inicial de 14 dias de quarentena, com monitoramento inicial por sorologia e teste molecular de RT-PCR para SARS-CoV-2 (semanas 0 e 1) a partir de secreção nasal, e em seguida nas semanas 2, 4 e 6. As conclusões do estudo incluíram aspectos relevantes para direcionar os próximos passos no combate a pandemia de Covid-19, como:

  • A taxa de resultados positivos pelo RT-PCR para SARS-CoV-2 foram 80% menores entre indivíduos com sorologia positiva;
  • Casos de nova infecção foram detectados mesmo entre indivíduos com sorologia positiva mas em menor proporção;
  • A recorrência da Covid-19 é inversamente proporcional aos títulos de anticorpos IgG antiespícula viral;
  • Os títulos de anticorpos neutralizantes eram menores entre militares com sorologia positiva devido a infecção prévia e com RT-PCR para SARS-CoV-2 positivo no seguimento, quando comparados com aqueles com sorologia positiva e que permaneceram sem nova infecção viral;
  • A maior gravidade dos quadros de Covid-19 tem sido associados com maiores títulos de anticorpos neutralizantes;
  • A sorologia positiva anti-SARS-CoV-2 não garante neutralização ou proteção imune para infecções subsequentes;
  • A imunidade para estirpes de SARS-CoV-2 pode conferir proteção limitada para novas variantes;
  • Os novos casos de infecção por SARS-CoV-2 foram assintomáticos ou oligossintomáticos entre os adultos jovens;
  • Há predominância de infecção assintomática entre adultos jovens e representam potencial fonte de transmissão na comunidade;
  • Indivíduos com infecção prévia por SARS-CoV-2 devem ser vacinados para potencializar as chances de resposta imune protetora.

Esse estudo representa uma contribuição significativa à compreensão da dinâmica da resposta imune anti-Covid-19 e permitiu avaliar os riscos de novas infecções, mesmo sem a abordagem comparativa de estirpes.

Saiba mais: Remdesivir para tratamento da Covid-19: Quando e como usar?

Conclusão

Com base nesses achados e outros estudos semelhantes, e apesar da ausência de definição sobre a melhor estratégia vacinal para indivíduos que já tiveram a síndrome Covid-19, novos recentes estudos indicam que pacientes com infecção prévia que receberam uma dose única de vacina mRNA apresentam resposta imune robusta que sobrepõe aqueles indivíduos que receberam duas doses da mesma vacina e não tiveram Covid-19 previamente. Propõe-se a vacinação com dose única para os indivíduos com sorologia positiva anti-SARS-CoV-2 (Letizia et al., 2021; Velasco & Guijarro, 2021).

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Referências bibliográficas

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