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Covid-19: Instituto Butantan vai desenvolver anticorpos para o tratamento da doença

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Está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, um produto composto por anticorpos para combater a doença pelo novo coronavírus, Covid-19. Serão selecionados anticorpos monoclonais neutralizantes de células de defesa (células B) do sangue de indivíduos curados da doença.

O objetivo é localizar proteínas com a capacidade de se ligar ao vírus para neutralizá-lo. As moléculas mais promissoras serão produzidas em larga escala para serem utilizadas no tratamento da enfermidade.

O projeto usa uma plataforma criada especialmente para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais humanos para diferentes enfermidades, que já está em fase avançada para obtenção de anticorpos monoclonais para o tratamento de outras doenças, como a zika e o tétano.

“Estamos desenvolvendo a plataforma há oito anos com os anticorpos monoclonais humanos antitetânicos e identificamos uma composição de três anticorpos que neutralizam a toxina do tétano. Depois, estabelecemos um acordo com a Universidade Rockefeller, em Nova York, nos Estados Unidos, sob a coordenação do professor Michel Claudio Nussenzweig, para gerar linhagens celulares para anticorpos monoclonais anti zica, que foram identificadas em seu laboratório durante a epidemia da enfermidade, em 2015. São dois anticorpos monoclonais neutralizantes que poderão ser utilizados na proteção de gestantes, em caso de retorno da circulação desse vírus. É um processo longo, mas já estamos começando o trabalho com o novo coronavírus”, contou Ana Maria Moro, professora do laboratório de Biofármacos em Células Animais da Universidade de São Paulo (USP), e coordenadora do projeto, em entrevista ao portal da Agência FAPESP.

O trabalho segue um princípio parecido com a da técnica de transfusão de plasma sanguíneo de pessoas curadas da Covid-19, que também está senda desenvolvida no país.

Na última terça-feira, dia 14 de abril, o Ministério da Saúde anunciou pela primeira vez um número de curados, 14 mil ou 55% dos casos diagnosticados, mas não detalhou critérios para ser considerado livre da infecção. Para os pesquisadores, alcançar a imunidade ainda é um dos enigmas dentro do cenário do novo coronavírus.

Segundo o governo de São Paulo, existem mais de 70 medicamentos à base de anticorpos usados no mundo, sendo a maior parte para o tratamento do câncer e doenças autoimunes, além daqueles que combatem o vírus ebola.

Leia também: Plasma convalescente: incentivo da FDA para desenvolvimento do possível tratamento para Covid-19

Como está sendo realizado o projeto

A primeira parte do projeto é o recrutamento de voluntários convalescentes da Covid-19, em parceria com a USP e a Rede Vírus, iniciativa promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Os voluntários precisam ter tido a forma branda da doença e estar recuperados há, pelo menos, 14 dias. O doador ainda precisa ser maior de 18 anos, pesar mais de 55 quilos, não ter nenhuma doença como AIDS, hepatite, sífilis, chagas e malária e ser do sexo masculino.

Isso porque as mulheres que já tiveram alguma gestação podem produzir anticorpos contra leucócitos. E se esses anticorpos forem aplicados em pacientes com Covid-19, alguns podem desenvolver uma reação pulmonar muito grave, explicam os pesquisadores.

Com o sangue coletado, será realizada uma série de processos de biologia molecular para identificar as sequências de genes que expressam os anticorpos neutralizantes.

Em seguida, cada anticorpo será caracterizado quanto à sua ação perante o vírus. Serão testados em animais de um a três anticorpos que tiverem maior eficiência nesses critérios.

Identificados os genes, a etapa seguinte do projeto consiste na transfecção (processo de introdução intencional de ácido nucleico nas células) dos que produzem os anticorpos mais promissores em células para gerar as linhagens recombinantes permanentes.

No desenvolvimento da linhagem celular, são produzidos muitos clones, que são isolados, caracterizados quanto às propriedades celulares e do anticorpo expresso pela ação esperada

Os melhores clones serão produzidos em larga escala em um biorreator para serem analisados nos ensaios pré-clínicos e clínicos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autora:

Referências bibliográficas:

Um comentário

  1. Avatar
    Teodoro Caeta

    Tudo que se refere do aprendizado é sempre bem vindo, porque reflete na aquisição de benefícios para um futuro melhor.
    Bem haja

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