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Cyberbullying: a violência virtual

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As vulnerabilidades psíquicas se modificaram ao longo da história. Muitas parecem estar tomando um comportamento “endêmico” na sociedade. A ansiedade e depressão atingem índices alarmantes e  pode se observar o aumento das doenças mentais em todo mundo. Outra  questão que preocupa a sociedade é o aumento dos casos de violência, mas principalmente as novas formas de violência que têm surgido. Uma dessas formas e que se tornou preocupante para todos nós são aquelas que acontecem através da internet. Quando temos a junção de um comportamento violento que já era realizado na sociedade, agora realizado, através da internet, temos um sério problema. Hoje, vamos falar do Cyberbullying.

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Cyberbullying: a violência virtual

Definição

Antes é preciso compreender o que é o bullying. Este consiste na perseguição, humilhação, intimidação, agressão ou difamação de uma pessoa realizada por uma pessoa ou grupo de pessoas. Conhecido problema agora saiu da esfera da convivência física e passou a vigorar na esfera virtual, sendo denominada de cyberbullying.

A palavra bully significa “valentão”. A figura típica da infância de muitos, agressor que interfere na vida das pessoas no ambiente escolar, que coloca apelidos, agride de maneira física e psicológica, que desmoraliza e faz com que a pessoa passe por situações vexatórias, agora passou a existir em um lugar onde o ato de violência muitas vezes não o expõe a punições. O Sufixo “ing”, presente na palavra bullying e cyberbullying representa a continuidade e persistência na prática do comportamento. Já o prefixo Cyber é oriunda da palavra cybernetic refere-se a relação com a internet e as tecnologias associadas. Por tanto, a prática do bullying em ambientes virtuais, o cyberbullying, é uma violência constante, uma perseguição por meio de canais de comunicação que pode ter um alcance muito maior e por isso gerar mais dano as suas vítimas.

O cyberbullying acontece em ambientes públicos de convivência, vem acontecendo em espaços virtuais onde podemos considerar como extensão da comunicação do corpo na atualidade. É onde a imagem da pessoa, a moral, o caráter, fica exposta nos dias de hoje. É o local de exposição das imagens que queremos passar e das informações que queremos trocar com as pessoas. Um ataque violento nesses espaço, afeta a pessoa assim como acontecia em outrora, mais a expõe muitas vezes mais a todos que conhecidos e para além delas. Antes, no antigo bullying, muitas vezes a pessoa sofria em silêncio e poucas pessoas tinham dimensão dos acontecimentos. Hoje, com a rede, a exposição é maior e os malefícios podem ser severos.

O fato é que na rede social não se pode fugir do agressor, por isso, tende a ser mais massacrante. A pessoa pode receber a violência dentro de sua casa, ofensas, ameaças e tortura psicológica por meio de mensagens ou em público por meio das redes. É comum que os agressores se escondam atrás de perfis falsos, afinal são sempre covardes com a vítima. Isso dificulta a identificação dos agressores, mesmo com mais vigília das autoridades e de leis protetoras contra o cyberbullying, a dificuldade também esxiste porque as vítimas na maioria das vezes não verbalizam a situação com familiares, ou buscam proteção legal, o que possibilitaria que as autoridades identificassem os agressores pelo mecanismo de identificação de IP (rótulo numérico atribuído a cada dispositivo conectado a uma rede de computadores), que permite a identificação do local de utilização do hardware onde se origina as agressões.

É importante conhecer o vocabulário utilizado para identificação do agressor em rede e quais as agressões ou situações que a vítima pode passar. Os nomes mais conhecidos na rede são: hater, sexting, nude e reverge porn. O Hater é considerado aquela pessoa que promulga o ódio gratuito contra uma pessoa, sem qualquer motivo para tal. Já o Sexting é a junção da palavra sexo (sex) e o ato de mandar mensagem de texto (texting), desta forma, seria o ato de mandar mensagens sexuais a alguém. Já fotos com nudez é representada pela palavra nude que significa “nu”, relacionado ao ato de enviar ou receber fotos mostrando nudez. Já o reverge porn é a vingança pornô, que significa que uma pessoa se vinga da outra divulgando vídeos ou fotos íntimas da pessoa. Nesta última condição geralmente há relação entre agressor e vítima.

Consequência do cyberbullying pode ser danosa à pessoa. Em crianças e adolescentes as marcas podem ser maiores. O isolamento social é um dos primeiros fatores que podem ocorrer, aliados a ansiedade e a sintomas depressivos como tristeza e anedonia. Conforme as agressões forem acontecendo e com sua constância, podemos ter o aparecimento de quadros de ansiedade severos, tais como: transtorno de ansiedade generalizado, síndrome do pânico, transtornos misto de ansiedade e depressão. Pode ocorrer depressão e outros problemas psiquiátricos de tal grandeza. As maiores modificações estão no comportamento das crianças e adolescentes, que acabam por buscar o isolamento social, desenvolvem o embotamento afetivo e desenvolvem dificuldade de expressão, de relacionamento e de aprendizado.

O que podemos fazer enquanto profissionais de saúde?

  • Realize o acolhimento da criança, adolescente ou adulto;
  • Promova vínculo e demonstre que se importa com o assunto;
  • Identifique as fontes de violência;
  • Quando crianças e adolescentes, participe aos pais quanto ao problema, mas atente-se para a construção do cuidado sem perder o vínculo;
  • Envolva a escola, os professores, instituições e toda a comunidade em prol do fim ou redução do comportamento;
  • Promova educação sobre o assunto na comunidade;
  • Utilize as próprias redes sociais para discutir o assunto;
  • Quando identificar o cyberbullying, realize a consulta de saúde e verifique as maiores vulnerabilidades, criando um projeto terapêutico para a pessoa;
  • Lembre-se que muitas ações do cyberbullying são racistas, homofóbicas, gordofóbicas etc. E essas se tornam ações criminosas.

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O Cyberbullying é um problema real do mundo contemporâneo e os profissionais de saúde devem estar preparados para identificar os sinais da violência. Atentamos aqui e as ações de prevenção do comportamento deve contar com os profissionais da saúde no ambiente escolar. A educação sobre os danos desse comportamento deve chegar as crianças e adolescentes o que tornará o futuro da sociedade mais consciente no uso da tecnologia e na diminuição da violência. O reconhecimento dos impactos à saúde psíquica da população provocados pelo cyberbullying é uma realidade, por isso o assunto deve ser tratado no cotidiano escolar e familiar. Assim é fundamental o conhecimento do assunto por profissionais de saúde.

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# Ferreira TRSC, Deslandes SF. Cyberbulling: conceituações, dinâmicas, personagens e implicações à saúde. Ciência & Saúde Coletiva [online]. 2018;23(10):3369-3379. # Nixon C. Current perspectives: the impact of cyberbullying on adolescent health. Adolesc Health Med Ther. 2014;5:143-158. # Schreiber FCC, Antunes MC. Cyberbullying: do virtual ao psicológico. Boletim - Academia Paulista de Psicologia. 2015;35(88):109-125.
Referências bibliográficas:

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