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Representação gráfica da corrente sanguínea de um paciente com coronavírus e doença falciforme.

Doença falciforme e coronavírus: quais as recomendações para esses pacientes?

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No momento, estamos combatendo uma pandemia causada pelo novo coronavírus. Sabe-se que indivíduos idosos e/ou com comorbidades estão sujeitos a quadros mais graves, com consequente maior taxa de mortalidade. Pacientes com doença falciforme devem ser incluídos nesse grupo de risco, visto que sofrem asplenia funcional na infância, o que interfere no sistema imunológico, e desenvolvem lesões de órgãos-alvo ao longo dos anos (ex.: hipertensão pulmonar, cardiopatia).

Além disso, uma das principais causas de morbimortalidade entre os portadores de doença falciforme é a síndrome torácica aguda (STA), que se manifesta com dor torácica, tosse, dispneia, hipoxemia e infiltrado pulmonar, podendo resultar de vaso-oclusão na microcirculação pulmonar, embolia/infarto pulmonar ou infecção pulmonar. Dessa forma, existe uma grande preocupação de que a infecção pelo coronavírus nesse contexto possa resultar em complicações ainda mais graves: a STA pode ser desencadeada pela Covid-19.

Vale ressaltar que os pacientes com doença falciforme representam outros desafios durante a pandemia, uma vez que eles necessitam de atendimento em serviços de emergência com frequência (ex.: crises álgicas), o que pode resultar em problemas logísticos nesse momento.

Veja também: Coronavírus: qual o papel da anticoagulação em pacientes graves?

Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) divulgou recentemente algumas recomendações acerca da doença falciforme durante a pandemia por Covid-19.

Doença falciforme e coronavírus

Recomendações para pacientes sem suspeita de Covid-19:

  • Fazer isolamento social: sair de casa apenas para coleta de exames ou consultas médicas que não possam ser postergadas;
  • Lavar as mãos ou usar álcool gel várias vezes ao dia.

Os pacientes devem ser orientados a procurar atendimento de emergência em caso de crises falcêmicas (ex.: crise álgica severa ou refratária, síndrome torácica aguda).

Recomendações para pacientes com sintomas de Covid-19:

  • Procurar serviço de saúde e informar doença de base.

Cabe a equipe de saúde avaliar a gravidade do quadro e, consequentemente, a necessidade de exames complementares e de internação hospitalar. O manejo dos quadros graves deve seguir os protocolos estabelecidos, idealmente com o acompanhamento conjunto do hematologista assistente. Transfusão deve ser considerada em caso de piora da anemia, hipóxia e/ou alterações pulmonares à radiografia.

Até o momento, não há evidências científicas que corroborem a interrupção do uso de hidroxiureia, terapia eficaz na redução da frequência das crises álgicas, dos episódios de acidente vascular encefálico e da necessidade de hemotransfusão. Outras medicações usadas no suporte dos pacientes com doença falciforme, como ácido fólico e penicilina V, também devem ser mantidas, a princípio. Alguns estudos observacionais mostram um possível impacto negativo do ibuprofeno na evolução dos indivíduos infectados pelo coronavírus. Sendo assim, alguns autores recomendam evitar o uso do anti-inflamatório como adjuvante na analgesia, apesar de não haver consenso na literatura.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

4 comentários

  1. Avatar
    TELMA ANDRADE DE MAGALHAES

    E quanto a pessoas que possuem traço falciforme? Obrigada!

  2. Avatar

    Dra Livia, há alguma referencia que preconiza ser suspeito covid todos os casos de STA em adultos?

    att

  3. Avatar

    Gostaria de reiterar a pergunta da colega Telma Andrade “E quanto a pessoas que possuem traço falciforme?” o mesmo caso de grupo de risco se aplicas a estes?

  4. Avatar
    jessica brono

    Dr.ªa Livia quais os riscos para quem é apenas portador de Drepanocitose? ( apenas traço falciforme)

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