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No dia 13 de Setembro é o dia mundial da sepse. Já foi conhecida como septicemia ou infecção generalizada. Pode ser definida como uma síndrome clínica com resposta desregulada do próprio organismo contra uma infecção que pode estar localizada em algum órgão.

A síndrome pode evoluir se não for tratada rapidamente para o choque séptico, em que ocorre uma redução crítica da perfusão tecidual; levando à falência aguda de múltiplos órgãos. Essa infecção pode ser bacteriana, fúngica, viral, parasitária ou por protozoários.

A data é uma oportunidade para alertar ao mundo que ainda enfrenta a pandemia pela Covid-19 que as infecções graves pelo coronavírus constituem uma sepse viral e que muitas vezes não é reconhecida.

Leia também: Dez principais itens para o reconhecimento, avaliação e manejo da sepse materna

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Impacto da sepse

De acordo com os dados do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), no Brasil, são 670 mil casos por ano com taxas de óbito em média de 50%, o que configura uma das maiores taxas de mortalidade por sepse no mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2017, reconheceu a sepse como um problema de saúde mundial e solicita que os países membros desenvolvam iniciativas voltadas à melhoria da prevenção, ao reconhecimento e ao tratamento da sepse.

A taxa de letalidade em instituições públicas brasileiras é de 44,8% devido inúmeros motivos, tais como: condições inadequadas de saúde da população, dificuldades no acesso ao sistema de saúde, falta de infraestrutura na rede hospitalar, principalmente nos setores de urgência, dimensionamento de profissionais indevido para o atendimento, tratamento inapropriado e a dificuldade de acesso aos leitos de terapia intensiva.

A população sob maior risco de sepse constitui os prematuros; crianças menores de um ano; idosos acima de 65 anos; pacientes com câncer, AIDS ou que fizeram uso de quimioterapia ou outros medicamentos que afetam as defesas do organismo, pacientes com doenças crônicas como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, diabetes; usuários de álcool e drogas e pacientes hospitalizados que utilizam antibióticos, cateteres ou sondas.

O reconhecimento precoce é a estratégia para o tratamento adequado e as instituições devem treinar suas equipes como foco na equipe de enfermagem para a identificação dos sinais de gravidade. A instituição do tratamento adequado nas primeiras horas tem clara implicação no prognóstico e é responsabilidade de toda a equipe multidisciplinar.

Ações do enfermeiro diante do paciente com sepse

A equipe de enfermagem tem um importante papel no protocolo de sepse, visto que participa de todas as etapas: é o primeiro profissional a fazer contato com um paciente em suspeita de sepse, reconhece os sinais de alerta mais rapidamente devido à vigilância contínua ao paciente, início imediato e manutenção adequada do tratamento instituído e preparo para alta deste paciente.

O enfermeiro deve reconhecer os sinais de sepse: presença de 2 sinais de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica tais como: hipertermia > 37,8 °C ou hipotermia < 35 °C, leucocitose > 1.2000 mm³, leucopenia < 4.000 mm³ ou desvio à esquerda > 10%, taquicardia > 90 bpm, taquipneia > 20 irpm ou de sinais de disfunção orgânica como oligúria, hipotensão, alteração do nível de consciência  e dispneia ou dessaturação.

Saiba mais: Sepse: dexmedetomidina ou propofol para sedação em pacientes em ventilação mecânica?

Ao suspeitar de sepse, o enfermeiro deve abrir o protocolo e comunicar à equipe médica para avaliação imediata. Após a avaliação médica e dando continuidade ao protocolo, seguir o pacote da 1ª hora:

  1. Coletar exames laboratoriais do KIT SEPSE (hemograma, creatinina, bilirrubina e coagulograma) e de lactato (arterial ou venoso);
  2. Coletar hemoculturas e culturas de sítios pertinentes antes de iniciar o antibiótico;
  3. Administrar antimicrobiano prescrito imediatamente;
  4. Administrar ressuscitação volêmica prescrita, em caso de sinais de hipoperfusão (30ml/kg de cristaloide);
  5. Administrar vasopressores prescritos, em caso de sinais de hipotensão grave ou refratária a volume, para manter a pressão arterial média em torno de 65 mmHg;
  6. Realizar nova coleta de lactato (se lactato inicial > 2 mmol/L);
  7. Reavaliar sempre!

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Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Levy MM, Evans LE, Rhodes A. The Surviving Sepsis Campaign Bundle: 2018 Update. Critical Care Medicine. June 2018;46(6):997-1000. doi: 10.1097/CCM.0000000000003119
  • Azevedo LCP, Cavalcanti AB, Lisboa T, Pizzol FD, Machado FR. A sepse é um grave problema de saúde na América Latina: uma chamada à ação. Rev Bras Ter Intensiva. 2018;30(4):402-404.  
  • Instituto Latino Americano de Sepse. A importância da equipe de enfermagem no reconhecimento precoce da sepse. Setembro, 2021.
  • Instituto Latino Americano de Sepse. Sepse: um problema de saúde pública. Junho, 2018.
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