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Escores de doenças hepáticas nas cirurgias de hepatopatas

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Pacientes hepatopatas, infelizmente também apresentam patologias que requerem intervenção cirúrgica. No entanto, a realização de procedimentos cirúrgicos nesta população deve ser bastante cautelosa, visto que o índice de complicações é bastante elevado quando comparado com a população não hepatopata.

A classificação de Child, foi a primeira amplamente utilizada como forma de mensurar o grau de hepatopatia. No entanto, devido a alguma subjetividade da escala e algumas incongruências foi no início dos anos 2000 substituída pela classificação de MELD, que é mais objetiva e apresenta melhores desempenhos. Recentemente a classificação de MELD foi atualizada e passou a utilizar também a dosagem sérica de sódio e com isto a classificação passou a ser MELD-Na.

Leia também: Qual melhor escore para predição de doença hepática não alcoólica?

Mas recentemente uma nova classificação de doença hepática, que utiliza apenas albumina e bilirrubina sérica (ALBI) tem se mostrado superior até mesmo à classificação de MELD, no que tange às complicações relacionadas.

Este estudo publicado no Journal of the American College of Surgeon, analisa estes dois diferentes escores em pacientes submetidos a cirurgias não hepáticas, visto que o ALBI, já havia sido validado para cirurgias do fígado.

Escores de Doença Hepática

Métodos e resultados

Uso de banco de dados com pacientes submetidos a diversos tipos de cirurgias, abdominais e não abdominais. Para serem incluídos na análise seria necessário existir exames laboratoriais com até 30 dias antes da cirurgia capazes de determinar o escore de MELD e ALBI (as tabelas de classificação dos escores estão disponíveis no whitebook).

Foram analisadas as complicações inerentes aos procedimentos assim como a mortalidade em 30 dias de pós-operatório.

A análise total incluiu 258.568 pacientes entre 2015 e 2018, com idade média de 60 anos, e 50% de mulheres. Um número maior que a metade possuía classificação de ASA III ou maior no momento da cirurgia. A mediana da classificação de ALBI foi -2,61, enquanto a mediana da classificação de MELD 7,5. Enquanto 78% dos pacientes possuíam MELD < 10 (baixo risco), 51,8% obtiveram ALBI grau I (baixo risco).

A análise da predição de mortalidade é muito boa utilizando os dois sistemas, no entanto ALBI se mostrou discretamente superior ao MELD, e com significado estatístico (p < 0,001). A razão de chance de mortalidade em ALBI grau 2 é 5,24 (p < 0,001) e 25,5 ALBi grau 3 (p < 0,001). De forma semelhante a análise das morbidades também foi semelhante entre os dois sistemas com uma discreta superioridade do sistema ALBI (p < 0,001).

Discussão

A análise deste trabalho envolveu um grande número de procedimentos de diversas modalidades cirúrgicas, e demostrou que o sistema ALBI pode ser superior aos demais. Uma análise pormenor entre os diferentes procedimentos também foi realizada e apesar de algumas diferenças entre os procedimentos, o sistema ALBI se mostrou igual ou superior ao sistema MELD na previsão especialmente de mortalidade em 30 dias.

Conclusão

A pontuação de ALBI superou o sistema MELD-Na, na predição de mortalidade especialmente em colectomias eletivas, ressecções pulmonares e adrenalectomias. Também apresentou excelentes resultados como preditor de morbidades.

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Para levar para casa

É sempre um dilema realizar uma cirurgia em um paciente hepatopata. Este é mais um escore que tem mostrado resultados promissores com melhor acurácia que os demais já amplamente difundidos. Caso mantenha esta tendência, em breve será utilizado em conjunto com os demais ou até mesmo substituí-los.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Taylor GA, Fagenson AM, Kuo LE, Pitt HA, Lau KN. Predicting Operative Outcomes in Patients with Liver Disease: Albumin-Bilirubin Score vs Model for End-Stage Liver Disease-Sodium Score. J Am Coll Surg. 2021;232(4):470-480.e2. doi: 10.1016/j.jamcollsurg.2020.11.020

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