Estímulo contínuo ou descontínuo na fase ativa do parto

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O final da gravidez pode gerar bastante ansiedade para a gestante e familiares. Todos querem logo ver a cara do bebê. Além disso, algumas patologias obstétricas podem necessitar a antecipação do parto por diferentes razões. Assim, em torno de 25% das gestações a termo necessitam indução do parto.

O estímulo para iniciar o trabalho de parto tem que usar uma balança de dois pratos: de um lado a ocitocina com sua capacidade de estímulo versus a possibilidade de hiperestímulo podendo levar a taquissistolia uterina (mais de 5 contrações em 10 minutos) capaz de levar ao sofrimento fetal agudo além da exaustão materna. Vários regimes de doses, concentrações, velocidades de infusão e até a proposta de pulsos de ocitocina já foram propostos. A descontinuidade da administração de ocitocina quando se dá a fase ativa do trabalho de parto também tem seu lugar nas propostas.

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Análises recentes

Quatro meta-análises e dois estudos mais recentes realizaram o teste da descontinuidade da ocitocina na fase ativa do trabalho de parto mostrando que essas pacientes tiveram uma taxa de cesariana menor. Alguns randomizam as mulheres em fases iniciais do trabalho de parto, sendo difícil saber se a parada da ocitocina na fase ativa seria eficaz. Na Cochrane as meta-análises não mostraram diferenças de desfecho nas taxas de cesáreas. Um estudo publicado na BMJ em abril de 2021 resolveu então testar se a interrupção da ocitocina na fase ativa do parto reduziria as taxas de cesariana.

As pacientes foram recrutadas em nove hospitais da Dinamarca e um da Holanda. Sendo incluídas pacientes com gestações únicas a termo, com fetos em apresentação cefálica para indução eletiva ou que apresentassem ruptura prematura das membranas fora de trabalho de parto. Excluíram as menores de 18 anos, com mais de uma cesárea anterior, gemelares, dilatação maior que 4 cm na hora de administrar ocitocina, alterações de vitalidade fetal e peso estimado fetal maior que 4.500 g. Após a randomização feita por um programa da internet iniciou-se o protocolo de administração de ocitocina para indução parto com diluição de 10 UI em solução salina de 1.000 ml ou 5 UI em 50 ml de solução isotônica iniciando velocidade de infusão de 3,3 mUI/min, aumentando 3,3 mUI/min a cada 20 minutos até alcançar contrações regulares (3 a 5 contrações em 10 minutos). Todas receberam esse protocolo até chegar na fase ativa de trabalho de parto, considerada como:

  • Amniorrexe com esvaecimento total;
  • Dilatação de pelo menos 6 cm;
  • No mínimo 3 contrações em 10 minutos.

A partir desse momento elas eram randomizadas para receber ou solução com ocitocina para continuar a condução do parto ou solução salina com placebo para controle. Todas eram monitorizadas para vitalidade fetal, receberam antibióticos se indicado profilaxia para estreptococos, ou se a amniorrexe completasse mais de 18 horas.

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A análise de desfecho era a taxa de cesáreas. Essa pesquisa ganhou relevância em relação às outras que, em sua maioria, tinham 100 a 200 mulheres, enquanto aqui foram randomizadas 1.849 mulheres garantindo maior robustez.

Conclusão

Concluíram que, em um ambiente onde o monitoramento da condição fetal e das contrações uterinas pode ser garantido, a interrupção de rotina da estimulação com ocitocina pode levar a um pequeno aumento do risco de cesariana, mas a um risco significativamente reduzido de hiperestimulação uterina e frequência cardíaca fetal anormal.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Boie S, Glavind J, Uldbjerg N, Steer PJ, Bor P. CONDISOX trial group. Continued versus discontinued oxytocin stimulation in the active phase of labour (CONDISOX): double blind randomised controlled trial. BMJ. 2021 Apr 14;373:n716. doi: 1136/bmj.n716.

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