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Ética médica versus ética pessoal: qual devemos seguir?

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Em uma unidade de saúde de um bairro pobre metropolitano, adentra à consulta de pré-natal um casal jovem, consanguíneo, terceira gestação e com relato de hemorragia genital. Rapaz de fala autoritária, moça com antecedente abusivo de substâncias tóxicas. O médico é conservador, conhecido por ter princípios; procede à consulta mesmo a contragosto, pois colega o obstetra decidiu sair para tomar um café para desestressar e o deixou sozinho com sobrecarga de serviço.

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Realizada boa consulta de anamnese objetiva, com escuta e detecção de detalhes; exame físico impecável; traçado plano terapêutico com revisão e correção de medicação, acrescido de finas explicações; definido retorno com exames de seguimento requeridos. Médico deseja-lhes tudo de bom com ar cortês.

Eticamente falando, certo ou errado?

Conduta totalmente errada, tendo em vista a ética do médico. No entanto, extremamente correta, visando a ética médica!

A atitude é tida como exemplar para a sociedade e padronizada pela categoria médica como correta, mas para o médico, foi tida como um martírio ao não negar o atendimento e ter-se colocado à disposição de consulta, pois traz consigo raízes possivelmente conflitivas com as dos pacientes e vê-se em situação discordante de prática laboral, não sendo justo, para o mesmo, agir com desgosto em prol dos que se apresentaram na situação.

Agir com ética é agir segundo os próprios valores e crenças, segundo o que cada um julga ser bom ou mal, é agir segundo a vontade e consciência em busca da perfeição ou realização pessoal, é mover-se por algo intrínseco estabelecido de acordo com o trajeto de vida e a sensibilidade de cada qual, é respeitar a si.

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Já agir com moral é atuar segundo as normas estabelecidas em consenso pela união das éticas dos integrantes de um grupo, comunidade, organização; é proceder de acordo com o correto proposto pela maioria como regra, é caminhar na linha, é respeitar o geral. Sucede que, por vezes, a ética pessoal se esbarra na moral social e se une em rumo unidirecional, conformando uma ética comum, não rendendo prejuízos à sociedade e nem ao ser e, por vezes, não há concordância de objetivos ou opiniões, estando ambas separadas através do tênue limiar significativo.

Para o médico que honra o seu juramento hipocrático, é lei seguir a moral da profissão sustentada no código de ética, ou seja, deve-se atuar sob a ideologia majoritária de busca comum do melhor para cada um e não sob ideais individuais; deve-se seguir os princípios do grupo, e não os pós/preconceitos pessoais.

Em outras palavras, seguindo o inciso primeiro do código de ética, a Medicina deverá ser praticada a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, sem discriminação de nenhuma natureza, com o aforismo hipocrático Primum Non Nocere (em latim: primeiro, não prejudicar).

Portanto, seja bom mesmo não sendo um bom dia, dê o melhor, mesmo não sendo o seu melhor!

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