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Grávida evita o consumo de álcool para que não haja efeitos sobre seu filho em gestação

Exposição pré-natal ao álcool e efeitos adversos nos filhos

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Segundo um estudo publicado no American Journal of Psychiatry, qualquer uso de álcool durante a gestação está associado a efeitos psicológicos e comportamentais sutis, porém significativos em crianças.

Na literatura científica, dados sobre o neurodesenvolvimento e os efeitos comportamentais associados à exposição intrauterina ao álcool de forma leve a moderada são limitados. Dessa forma, pesquisadores da Austrália e Estados Unidos realizaram um estudo retrospectivo para testar associações entre o uso de álcool relatado pela mãe no período pré-natal e os resultados psicológicos, comportamentais e de desenvolvimento neurológico em jovens que nunca fizeram uso de drogas.

Leia também: Uso materno de álcool e problemas psicológicos em crianças: existe associação?

Características dos pacientes do estudo

Foram incluídos 9.719 jovens, com idades de 9,0 a 10,9 anos participantes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro de Adolescentes (Adolescent Brain Cognitive Development Study – ABCD Study). O ABCD Study consiste em um estudo que incluiu 11.875 participantes nascidos entre 2005 e 2008.

A exposição pré-natal ao álcool foi medida usando o modified Developmental History Questionnaire por meio do relato retrospectivo dos pais sobre o uso de álcool pela mãe antes e depois do conhecimento da gestação (sim ou não), o número máximo de bebidas consumidas em uma única ocasião e o número médio de bebidas consumidas por semana durante a gravidez. A partir dessas informações, uma variável dicotômica de exposição pré-natal ao álcool foi derivada (a exposição indica qualquer uso em qualquer momento durante a gravidez), uma estimativa do número total de bebidas consumidas durante a gravidez foi calculada e os jovens foram categorizados em padrões comuns de exposição com base em classificação pré-natal de uso de álcool.

Avaliação infantil

Na criança, a psicopatologia foi avaliada usando o Child Behavior Checklist (CBCL) relatado pelos pais. Os diagnósticos de transtorno mental ao longo da vida (passado e/ou atual) foram determinados usando respostas relatadas pelos pais no Schedule for Affective Disorders and Schizophrenia for School-Age Children (K-SADS), com base nos critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). A impulsividade foi avaliada usando a escala de 20 itens Urgency, Premeditation, Perseverance, Sensation Seeking, Positive Urgency, Impulsive Behavior Scale for Children – Short Form. A motivação foi examinada usando as quatro subescalas das escalas de evitação e inibição comportamental. Para medida de gratificação atrasada, motivação e impulsividade, foi aplicada a Cash Choice Task. Todos os dados estavam disponíveis para avaliação inicial (N = 9.719), e dados de acompanhamento de 1 ano estavam disponíveis para todas as escalas de síndrome psicopatológica e fatores de ordem superior medidos pelo CBCL e para os transtornos externalizantes medidos pelo K-SADS ( N = 4.169). A cognição foi testada pelo NIH toolbox for assessment of neurological and behavioral function.

Com base em relatos dos pais, 2.518 adolescentes (25,9%) haviam sido expostos ao álcool no útero. Modelos mistos aditivos generalizados e modelos de mediação transversal e longitudinal de vários níveis foram usados para testar se a exposição pré-natal ao álcool estava associada a resultados psicológicos, comportamentais e cognitivos, e se as diferenças na estrutura do cérebro e conectividade funcional em estado de repouso explicariam parcialmente essas associações no início do estudo e seguimento de 1 ano, após controle de possíveis fatores de confusão.

Saiba mais: Saiba os riscos do consumo de álcool na gestação [Especial de Carnaval]

Resultados e conclusão

Os pesquisadores observaram que, em qualquer gravidade, a exposição pré-natal ao álcool foi associada a maior psicopatologia, déficit de atenção e impulsividade, com alguns efeitos mostrando uma resposta dependente da dose. Crianças com exposição pré-natal ao álcool, comparadas com aquelas sem, apresentaram maior volume cerebral e regional e maior área de superfície regional. A conectividade funcional em estado de repouso permaneceu praticamente inalterada em crianças com exposição intrauterina ao álcool . Alguns dos resultados psicológicos e comportamentais no início do estudo e no acompanhamento de 1 ano foram parcialmente explicados por diferenças na estrutura do cérebro entre os jovens que foram expostos ao álcool no útero.

A conclusão desse estudo foi que níveis relativamente leves de exposição pré-natal ao álcool foram associados a problemas psicológicos e comportamentais sutis, porém significativos nos filhos, incluindo psicopatologia de internalização e externalização, déficits de atenção e impulsividade. Esses resultados foram associados a diferenças no volume cerebral e regional do cérebro e área de superfície regional entre jovens com idades entre 9 e 10 anos que foram expostos ao álcool na vida intrauterina. O exame das relações dependentes da dose e dos padrões de exposição ao álcool leve durante a gravidez mostra que as crianças, mesmo com os níveis mais baixos de exposição, demonstram resultados psicológicos e comportamentais piores ao entrar na adolescência. Portanto, as mulheres devem continuar a ser aconselhadas a se abster do consumo de álcool desde a concepção durante a gestação.

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Referências bibliográficas:

  • Lees B, Mewton L, Jacobus J, Valadez EA, Stapinski LA, Teesson M, Tapert SF, Squeglia LM. Association of Prenatal Alcohol Exposure With Psychological, Behavioral, and Neurodevelopmental Outcomes in Children From the Adolescent Brain Cognitive Development Study. Am J Psychiatry. 2020 Sep 25:appiajp202020010086. doi: 10.1176/appi.ajp.2020.20010086. Epub ahead of print. PMID: 32972200.

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