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Gestão comportamental e o desenvolvimento de equipes de alta performance

Tempo de leitura: 4 minutos.

Em artigo publicado no dia 18 de novembro do ano de 2017, falou-se a respeito do gerenciamento de risco na prática médica, assunto esse deveras relevante nos dias de hoje no atuar do profissional da área da saúde. Nesse contexto, entendemos ser apropriado desenvolver um pouco mais o tema e amplia-lo para campo da gestão administrativa e, principalmente, a gestão relacionada à segurança do paciente e suas consequências no mundo jurídico.

Assim sendo, iremos desenvolver neste e nos próximos 3 meses outros capítulos dedicado a esta área. Primeiramente, entendemos oportuno uma breve introdução para que o tema possua fluir com mais naturalidade quando, nos próximos capítulos, adentrarmos na área médica/hospitalar.

Você conhece a Pirâmide de Maslow? E a Teria da Motivação de Herzberg?

Abraham Harold Maslow foi um psicólogo norte-americano, PhD em psicologia, conhecido mundialmente por seus estudos sobre as necessidades humanas. A famosa Pirâmide de Maslow é o resultado de uma de suas pesquisas mais famosas na qual ele descreve como cada necessidade do ser humano influência na sua motivação e o faz sentir outras necessidades. Na base da Pirâmide de Maslow estão as necessidades fisiológicas imprescindíveis ao ser humano e, no topo, a “Realização Pessoal”, local onde o ser humano encontra a realização de seus desempenhos ao longo da vida.

Pirâmide de Maslow

 

Frederick Irving Herzberg foi um psicólogo e também influente professor de gestão empresarial norte-americano que verificou e evidenciou através de muitos estudos práticos a presença de dois fatores que devem ser considerados na satisfação do cargo, quais sejam, os Fatores Higiênicos – salário, ambiente empresarial, política da empresa, oportunidades de crescimento, relação dos superiores com os demais colaboradores, benefícios sociais – e os Motivacionais – reconhecimento pelo trabalho exercido, crescimento profissional, autorrealização, liberdade de decisão na realização das atividades, uso pleno de habilidades pessoais -, surgindo, então a Teoria dos Dois Fatores.

Na prática, as Teorias destes estudiosos nos possibilitam compreender melhor o comportamento de cada pessoa dentro de uma Instituição e são também os pilares da Teoria da Gestão Comportamental que, por meio de técnicas e ferramentas, tem o objetivo de desenvolver equipes de alta performance.

A Gestão Comportamental deve ser aplicada desde a análise curricular do profissional até o desenvolvimento contínuo do indivíduo dentro da Instituição, visando conhecer as habilidades, potencialidades e oportunidades de melhoria dos funcionários. É primordial saber identificar o perfil que atenderá às necessidades da Organização.

Grande parte das Instituições, principalmente aquelas que visam o crescimento e o sucesso, optam por captar e desenvolver líderes carismáticos, que desenvolvem a cultura organizacional aproximando o time e, inevitavelmente, acabam por obter maior admiração e acolhimento de seus liderados.

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Diante de tantos estudos sobre o comportamento do ser humano, é certo afirmar que aquele profissional que possui maior empatia, capacidade de compreender e atender às necessidades humanas, que desenvolve técnicas assertivas de motivação e de feedback à sua equipe, torna-se um líder admirado e respeitado, unindo-se aqui também todo a expertise técnica da área onde atua.

De todo modo, desenvolver pessoas é sempre um trabalho desafiador e complexo, com necessário conhecimento e experiência para compreender o outro ser humano de maneira individual e sem julgamentos.

Então, quais habilidades básicas de lideranças é preciso desenvolver para ser um bom líder?

  • Em primeiro lugar, desenvolver a empatia;
  • Incentivar o bom relacionamento interpessoal com colegas e todos os demais níveis da organização, desenvolvendo um espaço no qual as discussões e trocas de opiniões possam ser ouvidas e absorvidas de maneira positiva;
  • Abster os julgamentos e tratar de forma individual as características e habilidades do profissional que sempre deverão estar alinhadas aos objetivos da Instituição;
  • Valorizar e incentivar o desenvolvimento do profissional com capacitação contínua;
  • Oferecer feedbacks construtivos e eficientes, diretos e esporádicos, que gerem uma relação de confiança;
  • Delegar tarefas.

Vale destacar que as pessoas se conectam com aquilo que acreditam e “copiam” comportamentos. Conhece a Teoria dos Neurônios Espelho? Foi uma descoberta por acaso, uma das maiores descobertas do século XX, realizada por um grupo de neurocientistas na Universidade de Parma, na Itália. Com esta descoberta foi possível entender a razão pela qual “o sorriso é contagioso”, assim como a tristeza, o bocejo. E essas células cerebrais se mostraram essenciais no aprendizado de atitudes e ações. Logo, ser um bom exemplo é a uma ótima forma de “contagiar” a sua equipe.

Diversos estudos de indicadores já nos mostraram que uma equipe motivada é mais lucrativa em muitos aspectos, apresentando ainda um baixo índice de turnover.

Sem a menor pretensão de esgotar o tema, afinal, somos o resultado de uma soma de fatores, para garantir o desenvolvimento e motivação profissional de uma equipe em conjunto com o crescimento contínuo da Organização, é preciso identificar o meu papel, o meu desempenho. Estou realmente alinhado, conectado com os valores e objetivos do local onde trabalho? O que eu preciso fazer para alcançar minhas metas? Como? Quando?

A resposta dessas perguntas nos apresentará o começo de um planejamento para lá de estratégico. E a partir daí, identificando o estado atual e o estado desejado, aplicando técnicas e ferramentas com o auxílio de um profissional capacitado, o sucesso e a realização chegarão tanto para o líder quanto para a equipe e para a Instituição, pois quando cada um oferece o seu melhor, com desenvolvimento para melhoria contínua, o sucesso é uma consequência natural.

Por derradeiro, pode-se afirmar que o comportamento humano, a gestão administrativa, a preocupação com a saúde do paciente e a reintrodução de aspectos humanísticos na prática médica estão diretamente relacionados com o aumento de demandas judiciais, administrativas e éticas da área da saúde.

*Capítulo escrito em co-autoria com a advogada Flávia Gomes de Castro, especialista em Gestão da Qualidade e Segurança do Paciente.

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Um comentário

  1. Luiz Perrotta

    Ótimo texto.

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