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HIV em idosos: maior número de casos mostra necessidade de prevenção

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Os últimos dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde sobre o atual cenário sobre o vírus do HIV no país, publicado em dezembro de 2018, chamam atenção para o crescente número de diagnósticos em idosos, principalmente em mulheres.

De 2007 a 2017, os diagnósticos cresceram sete vezes. Em mulheres com 60 anos ou mais, foi observado um aumento de 21,2% quando comparado ao mesmo período.

Esse mesmo estudo apontou que grande parte dos idosos tinha, em média, 12 anos de diagnóstico, apontando um predomínio de pacientes do sexo masculino, solteiros ou divorciados e de classe econômica mais baixa.

“As grandes preocupações das pessoas entrevistadas foram o sigilo e a atividade sexual. Sabemos hoje que 21 das enfermidades e complicações mais frequentes se manifestam em decorrência do HIV/AIDS, e, entre os idosos, as principais são as doenças cardiovasculares, depois da retinopatia e das neoplasias. No entanto, sabemos que outras, como depressão e alterações neurocognitivas podem ser evidenciadas”, afirma a gerontóloga Mayra Cristiane Tofanetto, proprietária do Anni Azzurri Vida e Lar para Idosos e Cari Nonni Centro-Dia para Idosos.

Leia também: Causas de falso-positivo em testes de HIV

HIV: é necessário discutir sobre sexualidade na terceira idade

Esses dados revelam a importância de uma ampla discussão sobre a prevenção do HIV na terceira idade uma vez que, infelizmente, dentro de alguns consultórios e ambulatórios de geriatria, normalmente os profissionais deixam de lado a questão da sexualidade, como destaca Mayra Tofanetto.

“Alguns profissionais de saúde consideram os idosos apenas com o papel de avó ou de avô, como se fossem assexuados, e esquecem que, muitas vezes, esses idosos têm uma vida sexual ativa e possuem dúvidas sobre a prevenção ou sexo seguro. Portanto, esses profissionais precisam perguntar sobre o sexo, sexualidade, afeto e amor durante a consulta médica e não ignorar tais temas importantes”, enfatiza.

A gerontóloga também lembra que na época que essas mulheres eram jovens não havia a cultura do uso de preservativos entre os seus parceiros e, infelizmente, as campanhas de conscientização de hoje ainda estão evidenciando outros perfis como mais vulneráveis, se esquecendo dos idosos.

“Com o aumento de parcerias sexuais na terceira idade, cada vez mais este grupo torna-se vulnerável a contrair o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Um dos principais motivos para isso é que alguns assuntos ainda são tabus na nossa sociedade, como o uso de preservativos por esta geração”, conclui Rita Manzano Sarti, infectologista e diretora médica da Gilead Sciences, biofarmacêutica que tem o HIV/AIDS como uma de suas principais áreas terapêuticas de pesquisa e desenvolvimento.

Segundo especialistas, este aumento excessivo de casos de HIV na terceira idade também está atrelado à redescoberta do sexo por meio de medicações para impotência sexual e ao fato de que a maioria desta geração não aderiu à cultura do uso do preservativo, não se atentando ao risco de contrair o vírus.

“Por isso, a informação e a quebra de tabu são importantes. É preciso falar abertamente sobre sexualidade e orientar as pessoas, independentemente da idade, sobre todas as formas de prevenção, não somente o uso do preservativo”, conclui Rita Manzano Sarti.

Leia também: O que devo conhecer sobre o climatério e a sexualidade feminina?

Alertas importantes

Sobre isso, a médica explica que surgiram ao longo do tempo outras ferramentas eficientes e complementares para a prevenção do HIV/AIDS. Chamada de Prevenção Combinada, esse conjunto de estratégias faz uso simultâneo de diferentes abordagens de prevenção e garante a proteção ideal para determinados públicos como as populações-chave e prioritárias.

Entre elas, destaca-se a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que consiste na utilização de medicamento antirretroviral por indivíduos que não estão infectados pelo HIV, mas que se encontram em situação de vulnerabilidade.

A PrEP é indicada principalmente para segmentos populacionais prioritários como: trabalhadores (as) do sexo, pessoas trans, homens que fazem sexo com homens e casais sorodiscordantes.

Outro alerta é que a população idosa contaminada pelo HIV pode apresentar comorbidades como insuficiência renal, perda de massa óssea, doenças do fígado, alterações metabólicas, cardiovasculares e declínio cognitivo. Além disso, a tuberculose é a principal causa de morte relacionada à AIDS, sendo responsável por cerca de 1/3 dos óbitos.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED.

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