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Imunoterapia: ampliou o acesso a tratamentos e diagnósticos no Brasil

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Tempo de leitura: 2 minutos.

Inegavelmente, os recentes avanços da imunologia revolucionaram a forma de tratar o câncer. Um dos fatos mais relevantes aconteceu no ano passado. Dois pesquisadores: James P. Allison, da Universidade do Texas, e Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, ganharam o Prêmio Nobel de Medicina. Esse prêmio veio por seus estudos com o tratamento inovador que usa o próprio sistema imunológico do indivíduo para combater os tumores.

Para muitos especialistas, a imunoterapia é o maior avanço da medicina nos últimos anos, e o quarto pilar no tratamento contra o câncer, juntamente com a quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia.

Pioneiro na área, Allison estudou a proteína CTLA-4 como um freio para o sistema imunológico e entendeu que eliminando esse freio poderia fazer as defesas atacarem aos tumores. Graças a essa ideia, o pesquisador curou roedores com melanomas.

Em 2010, ele e sua equipe aplicaram a técnica em pessoas com melanoma. Em vários pacientes, os tumores desapareceram. Esses estudos levaram ao desenvolvimento do Ipilimumab, o primeiro anticorpo monoclonal contra a CTLA-4, aprovado em 2011 pela Food and Drug Administration (FDA).

Já Honjo descobriu logo depois que a PD-1 também funciona como um freio para as células T, mas em um mecanismo diferente da CTLA-4. O pesquisador analisou uma série de experimentos em seu laboratório e verificou que a PD-1, assim como a CTLA-4, agia no sentido de inibir a ação do sistema imunológico. O resultado foi o desenvolvimento de um anticorpo anti-PD-1, testado em experimentos com modelos animais.

A estratégia se mostrou promissora contra o câncer. Em 2012, um estudo demonstrou a sua eficácia no tratamento de pacientes com diferentes tipos de tumor, inclusive em casos de câncer já em metástase.

Essas descobertas representam um marco no combate ao câncer e podem revolucionar os tratamentos contra a doença.

Saiba mais: Imunoterapia: avanços no tratamento do câncer

Vantagens da imunoterapia

“A imunoterapia possui muito menos efeitos colaterais, dura muito mais e com o tratamento eficaz em praticamente todos os tipos de câncer”, afirmou o pesquisador Tasuku Honjo, em entrevista concedida ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, que foi ao ar no dia 18 de junho deste ano.

Para o ganhador do Prêmio Nobel, a imunoterapia será a principal droga para o tratamento da doença no futuro: “Exatamente como aconteceu com a penicilina. Inicialmente, ela não curou todas as doenças infecciosas, porém uma série subsequente de antibióticos finalmente conseguiu banir quase todas as principais doenças infecciosas na nossa sociedade. É isso que espero”, aposta Honjo.

O entendimento dos genes responsáveis pelas alterações cromossômicas que levam ao aparecimento das imunodeficiências abre perspectivas de novas terapias gênicas. Estas somadas às terapêuticas já existentes, como a utilização de imunoglobulinas e a realização de transplantes de medulas, oferecem aos especialistas um maior controle e, em alguns casos, até mesmo a cura dessas doenças.

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