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amendoim descascado dentro de um prato branco, em cima da mesa

Imunoterapia sublingual é eficaz para alergia ao amendoim?

Clínica Médica, Imunologia, Medicina de Família, Pediatria
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A imunoterapia sublingual do amendoim (SLIT) administrada em terapia prolongada por até cinco anos pode assegurar uma dessensibilização significativa para a maioria das crianças alérgicas ao amendoim, segundo os autores de um estudo publicado recentemente no Journal of Allergy and Clinical Imunologia.

De acordo com o estudo SLIT, é necessário colocar uma pequena quantidade de proteína líquida de amendoim sob a língua, onde a substância entra imediatamente na corrente sanguínea para dessensibilizar as crianças alérgicas a quantidades maiores da proteína. Como se sabe, a aplicação sublingual evita a digestão.

Os pesquisadores orientam que a dosagem deve começar com quantidades muito baixas, cerca de 0,0002 mg, e aumentando ao longo de meses para 2 mg. Um grão de amendoim contém cerca de 300 mg de proteína.

Segundo a pesquisa, 67% dos 48 pacientes receberam 2 mg/dia de proteína de amendoim embaixo da língua por cinco anos e foram capazes de tolerar, pelo menos, 750 mg de proteína de amendoim sem efeitos colaterais graves. Cerca de 25% dos pacientes podem tolerar 5000 mg.

 

Das 75.366 doses totais, 3599 (4,8%) doses estavam relacionadas aos sintomas que afetavam 45 participantes. O efeito colateral mais comum identificado foi prurido na boca, que durou 15 minutos e não exigiu tratamento, afetando 3,6% de todas as doses tomadas.

“Agora temos os primeiros dados de longo prazo que mostram que a imunoterapia sublingual é segura e tolerável, oferecendo uma forte quantidade de proteção”, disse Edwin H. Kim, professor assistente de Medicina da Divisão de Reumatologia, Alergia e Imunologia, da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, um dos autores do estudo, em um comunicado para a imprensa.

Veja também: Imunoterapia: ampliou o acesso a tratamentos e diagnósticos no Brasil

Alergia ao amendoim e novas perspectivas

Atualmente, não existem tratamentos aprovados nos Estados Unidos para alergia ao amendoim. Além do SLIT, os tratamentos incluem imunoterapia oral (OIT), atualmente em revisão pela Food and Drug Administration (FDA), e um adesivo para a pele, que libera pequenas quantidades de proteína de amendoim por via subcutânea.

O SLIT mostrou eficácia comparável ao OIT em crianças alérgicas ao amendoim. Um estudo multinacional recente da fase 3 do OIT de amendoim demonstrou taxas de resposta de 76,6% a 443 mg de proteína de amendoim, 67,2% a 1043 mg e 50,3% a 2043 mg.

Um outro recente estudo multinacional de fase 3 com a utilização de um adesivo demonstrou uma dose reativa mediana cumulativa de 444 mg. Esse estudo randomizado, realizado nos Estados Unidos e em quatro outros países, comparou as taxas de resposta ao tratamento em 238 participantes que receberam durante um ano de terapia diária por meio de um adesivo de pele de amendoim com 118 participantes que receberam placebo.

Todas as crianças participantes, entre 4 e 11 anos, foram diagnosticados com alergia ao amendoim. Para evitar reações potencialmente fatais, nenhuma apresentava histórico de anafilaxia grave ou condições crônicas instáveis, como asma. A resposta ao tratamento foi documentada em 35,3% das crianças vs. 13,6% dos controles.

Veja mais: Alergia alimentar atinge 10% da população

Embora a diferença tenha sido estatisticamente significante, ficou aquém de um critério pré-especificado necessário para declarar um resultado positivo do estudo. Um componente do resultado primário estipulou um limite de 15% ou mais no limite inferior de um intervalo de confiança de 95% em torno da diferença nas taxas de resposta. No entanto, essa medida chegou apenas a 12,4%. As implicações clínicas são incertas.

Voltando ao estudo SLIT, quanto à sua tolerabilidade, os autores observam que 23% dos participantes se retiraram, com apenas dois dos 11 indivíduos citando eventos adversos. Para comparação, 25 de 238 (11%) participantes ativos que receberam o adesivo em um estudo recente de fase 3 retiraram-se (quatro eventos adversos citados) e 80 de 374 (21%) receptores de OIT retiraram-se de um estudo de fase 3 (43 citaram eventos adversos) .

Como esse estudo tem pequenas proporções e não tinha grupo controle, não há como saber se os pacientes teriam crescido com a alergia ao amendoim sem essa intervenção.

A pesquisa mostrou que a imunoterapia sublingual é uma abordagem válida, mas são necessários mais estudos replicando o método para que se torna a terapia padrão para a alergia alimentar a amendoim.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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