Incorporação do teste de liberação do interferon-gama para a detecção de ILTB

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A tuberculose (TB) ainda é um grande problema de saúde pública à nível mundial, embora seja uma doença antiga, já bem estudada, de diagnóstico simples, e tratamento barato e eficaz. A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o Brasil dentre os 30 países de alta carga para TB e TB-HIV considerados prioritários para o controle da infecção no mundo.

No nosso país, a média de casos novos da doença dos últimos 10 anos foi de, aproximadamente, 71 mil. Só no ano de 2016, foram registradas 4.483 mortes por TB em todo território nacional, representando um coeficiente de mortalidade de 2,2 óbitos/100.000 habitantes.

Leia também: Achados em ressonância nuclear magnética (RNM) em pacientes com tuberculose meníngea

Incorporação do teste de liberação do interferon-gama para a detecção de ILTB

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Infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) 

Cerca de 10% dos indivíduos que foram infectados desenvolvem a doença, sendo a metade destes nos dois primeiros anos, e a outra metade ao longo da vida. A ILTB é definida como “um estado de resposta imune persistente à estimulação por antígenos de M. tuberculosis, sem evidência de sintomas clínicos ou achados radiológicos de doença ativa”.

De um modo geral, após a infecção, os pacientes imunocompetentes não costumam desenvolver a TB primária. Nesses indivíduos, os bacilos da TB podem permanecer em um estado latente, condição essa conhecida como “infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis“. Principalmente, mas não exclusivamente, devido a alguma alteração no estado imunológico, pode ocorrer uma reativação da infecção, quadro denominado de tuberculose secundária (ou pós-primária).

Dado o potencial do desenvolvimento da doença ativa e de sua transmissibilidade, o diagnóstico da ILTB se faz tão importante, principalmente em grupos específicos, tais como pessoas vivendo com o HIV, pacientes em uso de terapia biológica, candidatos a transplante, etc. Quando da identificação da ILTB nesses pacientes, a fim de se evitar a reativação da infecção, está indicado a terapia medicamentosa apropriada.

Saiba mais: Novo teste de detecção da tuberculose pelo SUS

No âmbito do SUS, o teste classicamente utilizado para o diagnóstico da ILTB, é o PPD (purified protein derivative, em inglês). Via inoculação intradérmica (técnica de Montoux), uma pequena quantidade (0,1 mL) de uma proteína purificada do M. tuberculosis é injetada na face anterior do antebraço esquerdo. Uma área de enduração (bem delimitada, de aspecto de casca de laranja) pode ser visualizada na região da aplicação, devendo ser realizado sua leitura, idealmente, de 48 a 72 horas após a inoculação.

O teste liberação do interferon-gama (IGRA — do inglês interferon gamma release assay)

O IGRA é um teste capaz de quantificar a síntese (in vitro) do interferon gama (IFN-gama), que é produzido e secretado por linfócitos T (CD4+ e CD8+) quando sensibilizados a determinados antígenos específicos do M. tuberculosis. No Brasil, dois kits comerciais estão disponíveis atualmente: QuantiFERON®-TB GOLD Plus (QFT® Plus) e o T-SPOT® TB.

Apesar de ser um teste com um custo unitário mais elevado que o PPD, sua custo-efetividade, para o uso em determinados grupos, se mostra mais atrativa do ponto de vista de saúde pública, devido principalmente a:

  • maior sensibilidade e especificidade;
  • não apresenta reação cruzada com a vacina BCG;
  • menor índice de resultados falsos negativos relacionados ao uso de imunossupressores;
  • o paciente não precisa retornar para a leitura e interpretação do resultado;
  • fornecimento de resultados objetivos, suprimindo o viés de interpretação;
  • menor probabilidade de reações cruzados com outras espécies de micobactérias;
  • não ocorre efeito booster.

Conclusão

Após o parecer favorável, emitido através do relatório de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), por meio da portaria SCTIE/MS Nº 50 de 11 de novembro de 2020, tornou pública decisão de incorporar o teste de IGRA no SUS.

Dessa maneira, após um prazo máximo de 180 dias da publicação da referida portaria, a detecção de tuberculose latente por esse exame deverá ser incorporada ao SUS, em determinados grupos específicos: pessoas vivendo com HIV, crianças em contato com casos de tuberculose ativa e pacientes candidatos a transplante de células-tronco.

Devido as suas características metodológicas e de seu melhor desempenho analítico, o IGRA possui uma maior acurácia para a detecção da ILTB quando comparado ao PPD. Ele apresenta um maior benefício clínico e menor custo em certas situações, fazendo com que esse exame seja um importante aliado ao diagnóstico da ILTB.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2019.
  • Ministério da Saúde (BR). Protocolo de vigilância da infecção latente peloMycobacterium tuberculosis no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Relatório de Recomendação N 573, Outubro/2020. Teste de liberação interferon-gama (interferon gamma release assay — IGRA) para detecção de tuberculose latente em pacientes imunocomprometidos. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2020/20201113_Relatorio_de_Recomendacao_573_IGRA.pdf.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. PORTARIA SCTIE/MS Nº 50, DE 11 DE NOVEMBRO DE 2020. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Relatorios/Portaria/2020/20201113_Portaria_SCTIE_50.pdf.

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