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Infecção prévia por zika pode estar relacionado ao risco de dengue grave?

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A dengue e a zika são doenças causadas por flavivírus, que são transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes Aegypti, e possuem capacidades epidêmicas. O vírus da zika (ZIKV) trouxe diversas consequências graves quando se espalhou pelo Pacífico e pelas Américas de 2013 a 2017, como a microcefalia congênita e a síndrome de Guillain-Barré em adultos.

A relação entre os sorotipos do vírus da dengue (DENV 1 a 4) e o vírus da zika ainda é incerta. Porém, estudos de coorte prospectivos concluíram que a infecção prévia da dengue foi protetora contra o zika não complicado e associada a respostas de células T mais fortes em pessoas com ZIKV.

Para entender a relação inversa, um novo estudo foi realizado na Nicarágua, país que sofreu epidemias sequenciais de dengue dos tipos 1 a 3 (2004-2015), depois zika (2016-2017) e depois dengue do tipo 2 (2018-2020). Os resultados foram publicados na Science hoje, dia 28.

Leia também: Dengue: caso de transmissão sexual é confirmado na Espanha

Zika vírus e dengue

Os pesquisadores avaliaram coortes prospectivas pediátricas da Nicarágua. Todas as crianças com suspeita de dengue, doença febril e, depois de 2016, com erupção cutânea afebril foram testados para DENV, ZIKV e CHIKV por RT-PCR e por sorologia.

A partir de 2004, os participantes forneceram amostras anuais de soro e/ou plasma que foram testados para anticorpos específicos de DENV por ELISA (n = 8.399 crianças, 57.963 amostras testadas). Desde 2016, as amostras também eram testadas para zika usando o ZIKV ELISA e os ensaios de bloqueio de ligação ZIKV NS1 (n = 14.159 e 14.247 medições, respectivamente).

Durante a epidemia de DENV2, entre 2019 e 2020, os pesquisadores estimaram a probabilidade dos pacientes da coorte desenvolverem uma infecção sintomática pela dengue com base nas histórias de infecção. Foram usados modelos lineares generalizados log-binomial (GLMs) ajustados para idade e sexo.

Resultados

  • Ao todo, 8,8% dos participantes da coorte tiveram dengue (n = 302 casos que atendem à definição de caso de dengue, de n = 3434 participantes da coorte com históricos completos de infecção);
  • As crianças com uma infecção anterior por ZIKV tiveram uma probabilidade de 12,1% de ter uma infecção sintomática por DENV2  (IC 9,9 a 14,5%);
  • Apenas 3,5% (IC 2,4 a 4,6%) das crianças que não tinham tido nenhuma infecção tiveram probabilidade de DENV2;
  • 9,2% (IC 4,6 a 14,5%) de crianças com uma infecção prévia por dengue tinham chance de ser infectadas;
  • Crianças com duas infecções anteriores por DENV tiveram probabilidade de 2,5% (IC 0,0 a 9,0%);
  • Crianças com uma infecção prévia por dengue e outra por zika permaneceram com risco elevado, com 9,5% (IC 6,7 a 13,0%);
  • Para crianças com pelo menos duas infecções anteriores de DENV, a probabilidade de dengue foi baixa para aquelas com (2,9%, IC 0,7 a 6,2%) ou sem (0,0%, IC 0,0 a 0,0%) uma infecção subsequente por ZIKV.

Veja mais: Zika: o que mudou em relação à infecção congênita e seguimento pré-natal?

A probabilidade de ter sinais de alerta ou dengue grave, segundo os critérios critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2009 (n = 144) foi:

  • 5,4% para pessoas com uma infecção prévia de dengue (IC 2,0 a 9,6%),
  • 5,9% para aqueles com uma infecção prévia por zika (IC 4,3 a 7,7%);
  • 4,8% nas crianças que tinham tido infecção por dengue e por zika (IC 2,9 a 7,0%);
  • 0,7% para aquelas que não tinham tido nenhuma infecção por flavivírus (0,7%, IC 0,3 a 1,2%).

O risco de febre hemorrágica da dengue ou síndrome do choque da dengue, de acordo com os critérios da OMS de 1997 (n = 15) foi:

  • 1,1% para crianças com infecção prévia por zika (IC 0,3 para 1,8%);
  • 0,9% para uma infecção anterior de dengue e uma de zika (IC 0 a 3,3%);
  • 0% para crianças sem nenhuma infecção prévia.

Por outro lado, crianças que tiveram várias infecções por dengue tinham menos risco de dengue grave.

Outro estudo

Os pesquisadores também avaliaram as crianças que foram diagnosticadas no Hospital Nacional de Referência Pediátrica da Nicarágua. Desde 2005, o estudo acompanhou 5.832 crianças de seis meses a 14 anos de idade durante e após a apresentação ao hospital por suspeita de infecção por flavivírus.

Em 2018 e 2019, 388 crianças foram inscritas no estudo hospitalar, e todos os casos confirmados virologicamente foram causados ​​por DENV2 (n = 277).

Conclusões

Em conjunto, os estudos mostraram que uma infecção anterior por zika vírus aumenta o risco de desenvolver a dengue e também a doença grave, assim com uma infecção anterior de dengue. Além disso, uma pessoa que teve dengue seguida por zika também tem risco aumentado de gravidade, ao contrário de uma pessoa que já teve infecções sequenciais por DENV.

Os resultados encontrados demonstram também um desafio para o desenvolvimento de vacinas contra dengue e zika.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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