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Infecções por coronavírus em crianças: o que sabemos até agora?

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Desde 31 de dezembro de 2019, quando os primeiros casos da doença causada pelo SARS-CoV-2 começaram a aparecer na China, o mundo vem observando a disseminação do novo coronavírus até o ponto da Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhecer uma situação de pandemia. No entanto, muitas dúvidas têm sido levantadas a respeito das infecções causadas pelo vírus, em especial na faixa etária pediátrica.

Tentando minimizar essas dúvidas, o jornal The Pediatric Infectious Disease Journal publicou, no último dia 12, um artigo intitulado “Coronavirus Infections in Children including COVID-19: An Overview of the Epidemiology, Clinical Features, Diagnosis, Treatment and Prevention Options in Children”. O artigo aborda as principais características relacionadas às infecções por coronavírus, incluindo a COVID-19 (termo usado para a doença clínica causada pelo SARS-CoV-2).

Infecções por coronavírus

Embora o assunto tenha tomado maior dimensão nos últimos meses, as infecções por coronavírus não são novidades. Quatro coronavírus já circulam habitualmente entre os seres humanos: HCoV2-229E, HCoV-HKU1, HCoV-NL63 e HCoV-OC43. Além disso, já foram descritas duas epidemias por novos coronavírus: em 2002, na China, pelo SARS-CoV e em 2012 na Arábia Saudita pelo MERS-CoV.

Os coronavírus são reconhecidos por sua capacidade de rápida mutação e recombinação, levando a novos coronavírus que se disseminam de animais para seres humanos. Dessa forma, supõe-se que o novo coronavírus SARS-CoV-2 seja uma mutação de coronavírus relacionados a morcegos, embora ainda não se tenha certeza de qual animal serviu como hospedeiro intermediário nessa transição.

Os quatro coronavírus habitualmente presentes nos seres humanos, citados acima, são encontrados em 4-6% de crianças hospitalizadas, principalmente em crianças abaixo de três anos e crianças com doenças cardíacas. Podem causar coinfecções com outros vírus respiratórios.

O SARS-CoV e o MERS-CoV podem causar doenças respiratórias graves com alta taxa de letalidade: 50% em pessoas maiores de 60 anos para o SARS-CoV e 20-40 % para o MERS-CoV. As epidemias ocorridas em 2002 e 2012, respectivamente, se caracterizaram por um processo de supertransmissão relacionada a cuidados de saúde, com número reprodutivo viral de 22 pessoas infectadas por caso para o SARS-CoV e 30 para o MERS-CoV.

Desde 2003, não se observa infecções humanas por SARS-CoV, embora o vírus ainda seja encontrado em morcegos, com possibilidade real de retorno de infecções. O MERS-CoV ainda apresenta transmissão zoonótica para seres humanos, devido ao contato com dromedários (que são os reservatórios da doença) em algumas comunidades do Oriente Médio.

Características do SARS-CoV-2

O SARS-CoV-2 apresenta sua principal forma de disseminação relacionada ao contato pessoal. Seu número reprodutivo viral é de 2,7 pessoas infectadas por caso, com média de período de incubação entre 5-6 dias. Até o momento, estima-se que já causou mais de 100 mil infecções com 3.500 mortes em mais de 100 países, com tendência a aumento desses números.

Com relação a crianças, o estudo sugere que as crianças apresentam quadros clínicos mais leves que os adultos, incluindo muitos relatos de infecções assintomáticas. Porém, a relevância de portadores assintomáticos para a transmissão da doença ainda não está estabelecida.

Os sinais e sintomas descritos em crianças incluem: febre, tosse, rinite, fadiga, cefaleia, diarreia, e nos casos graves, dispneia, cianose e dificuldades para se alimentar, embora a proporção de cada sintoma não esteja especificada.

As alterações laboratoriais mais comuns encontradas em crianças são semelhantes às observadas nas infecções pelos outros coronavírus, e incluem neutropenia , linfopenia e trombocitopenia. A proteína C reativa e níveis de procalcitonina costumam encontrar-se normais. Em casos graves, pode haver alterações hepáticas e distúrbios de coagulação. As alterações radiológicas costumam ser mais brandas que em adultos e incluem opacidades irregulares com padrão em vidro fosco e infiltrados em partes médias ou externas do pulmão ou subpleurais. O diagnóstico é confirmado através de PCR-RT em secreções de vias aéreas superiores ou inferiores, com maior positividade em secreções de vias aéreas inferiores, onde se encontra maior carga viral.

O tratamento ainda é de suporte, incluindo o uso de cefalosporinas de segunda ou terceira geração em casos de infecção bacteriana associada. A suplementação de oxigênio e o controle adequado de fluidos também são indicados.

O uso de antivirais como o lopinavir/ritonavir foi descrito para o tratamento do SARS-CoV-2, mas ainda não existe embasamento científico para o uso rotineiro dessa ou de outras medicações.

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Cuidados para evitar a transmissão nosocomial

Como ocorreu nas epidemias de SARS-CoV e MERS-CoV, uma preocupação importante nos cuidados de crianças portadoras do vírus é a redução do risco de transmissão nosocomial. Dessa forma, o artigo enfatiza a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual (EPI) adequados (gorros, máscaras N95, luvas descartáveis, e protetores oculares e/ou faciais); isolamento e quarentena de indivíduos com história de febre, sintomas respiratórios e história de contato com pessoas doentes; internação em quartos com isolamento respiratório e pressão negativa; uso de aspiradores e ventilação mecânica com sistema de circuito fechado e filtros virais; e, se necessário utilizar nebulização ou ventilação não invasiva, não realizar isso em enfermarias abertas.

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Referências bibliográficas:

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