Massagem pós-operatória pode reduzir a dor em bebês com cardiopatia congênita complexa

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A realização de massagem pós-operatória em bebês submetidos à correção de cardiopatia congênita complexa (CCC) pode reduzir a dor e melhorar os parâmetros fisiológicos desses pacientes, de acordo com o estudo Effects of Massage on Postoperative Pain in Infants With Complex Congenital Heart Disease, publicado no jornal Nursing Research.

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Objetivo e método

O objetivo desse estudo foi avaliar a eficácia da massagem nos escores de dor e as respostas fisiológicas em bebês em pós-operatório de CCC, em comparação a bebês que não a receberam. Para tanto, foi realizado um ensaio clínico randomizado de dois grupos com uma amostra de 60 lactentes com CCC, com idades entre 1 dia e 12 meses, após sua primeira cirurgia cardiotorácica. Ambos os grupos receberam cuidados pós-operatórios padrões. O grupo 1 recebeu uma restrição diária de 30 minutos de cuidados não essenciais (“quite time” – QT), e o grupo 2 recebeu uma massagem diária de 30 minutos. As intervenções foram feitas durante sete dias consecutivos. A dor era mensurada seis vezes ao dia usando a ferramenta FLACC (acrônimo de Face, Legs, Activity, Cry e Consolability). Foram registrados, continuamente, os valores de frequência cardíaca (FC), frequência respiratória (FR) e as saturações de oxigênio (SpO2).

Características dos pacientes

Foram recrutados 65 bebês, porém cinco foram retirados do estudo antes de qualquer coleta de dados por complicações, cirurgia adiada para depois que a criança ultrapassasse a idade de inclusão, cirurgia prévia, instabilidade pós-operatória e preferência dos pais de que o bebê recebesse a massagem. Ao final, foram incluídos 60 lactentes, sendo 30 no grupo QT e 30 no grupo massagem. A média de dias no estudo foi de 5,567 [desvio-padrão (dp) 1,598]. Onze bebês (18,4%) tiveram alta após 3 dias ou menos no estudo, e 37 (61,6%) completaram pelo menos 6 dias. O número de dias no estudo não diferiu entre os grupos. Os grupos não diferiram na gravidade da doença cardíaca, idade na cirurgia ou tempo de internação.

Resultados

Nenhuma diferença de grupo na exposição a narcóticos equivalente a fentanil foi detectada. Na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica Cardíaca do hospital do estudo, a dor e a sedação no pós-operatório são controladas com uma combinação de medicamentos. Embora existam diferenças individuais com base nas características do paciente, o plano inclui o uso de fentanil, hidromorfona ou morfina, controlados por enfermeira. O opioide é acompanhado por uma infusão de baixa dose de naloxona para prevenir prurido e náuseas associados. A dor também é controlada por acetaminofeno intravenoso (15 mg/kg/dose), administrado a cada 6 horas.

Ainda no local do estudo, o uso de cetorolaco demonstrou atenuação do sangramento de dreno torácico e função renal normal. Por fim, os pesquisadores descreveram que, nessa unidade, a sedação também pode ser utilizada como um complemento e pode incluir midazolam (infusão ou doses intermitentes), lorazepam (doses intermitentes) ou dexmedetomidina (infusão).

As pontuações de dor ajustadas foram menores para o grupo de massagem em todos os dias, exceto no dia 7. O grupo de massagem teve menores pontuações de dor diária com diferenças de tamanho de efeito de pequeno a médio, maiores nos dias 4, 5 e 6. Os pesquisadores observaram que os bebês demonstraram efeitos imediatos da massagem, com diminuição da FC e da FR e aumento da SpO2.

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Conclusão

As conclusões desse estudo são de que, nessa amostra, os bebês randomizados para massagem demonstraram mais estabilidade nos níveis de dor e melhorias clinicamente importantes em FC e FR, quando comparados aos bebês randomizados para uma intervenção QT. Dessa forma, os pesquisadores sugerem que a massagem pós-operatória pode ser um complemento não farmacológico útil para o tratamento da dor em bebês com CCC. Entretanto, pesquisas adicionais são necessárias para avaliar os efeitos da massagem terapêutica nessa população de crianças vulneráveis.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Harrison TM, Brown R, Duffey T, et al. Effects of Massage on Postoperative Pain in Infants With Complex Congenital Heart Disease. Nurs Res. 2020;69(5S Suppl 1):S36-S46. doi:10.1097/NNR.0000000000000459
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Publicado por
Roberta Esteves Vieira de Castro

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