Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Colunistas / Covid-19: Quais os melhores testes diagnósticos para identificar o SARS-CoV-2?
Pesquisadora analisa os testes diagnósticos para infecção por SARS-CoV-2

Covid-19: Quais os melhores testes diagnósticos para identificar o SARS-CoV-2?

Esse conteúdo é exclusivo para
usuários do Portal PEBMED.

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Testes diagnósticos e instituição de medidas de isolamento de forma precoce são dois pilares para interrupção da cadeia de transmissão do SARS-CoV-2 por meio do chamado controle da fonte.

De forma rápida, diversos métodos diagnósticos tornaram-se disponíveis no mercado. Entretanto, questiona-se a acurácia desses testes, que muitas vezes apresentam sensibilidade ou especificidade inadequadas para permitir sua aplicação como orientadores de conduta. Diante da necessidade de testagem adequada como forma de controle da doença, um grupo brasileiro realizou uma meta-análise visando a avaliar a acurácia dos testes disponíveis no país.

Leia também: Covid-19: Apenas um a cada três profissionais de saúde brasileiros tem acesso a testes

Materiais e métodos

Somente os testes registrados na ANVISA foram avaliados e os dados foram retirados a partir das informações dos fornecedores. Os testes foram estratificados por seus métodos: detecção de anticorpos (IgM e/ou IgG), detecção de RNA ou detecção de antígenos. Foram captadas informações a respeito dos dados de verdadeiros e falsos positivos, verdadeiros e falsos negativos, além dos valores de sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo (VVP) e valor preditivo negativo (VPN) de cada teste. Os testes de detecção de anticorpos que não apresentavam dados separados para IgM e IgG foram excluídos da análise combinada.

Resultados

No total, foram encontrados 16 testes com registro na ANVISA, dos quais 11 foram considerados como beira-leito (point-of-care). Em relação ao método de base, dos 16 testes registrados:

  • 11 detectam anticorpos (9 detectam IgM ou IgG, 1 detecta IgM e 1 detecta IgG)
  • 3 detectam RNA em material de nasofaringe e/ou orofaringe
  • 2 detectam antígenos em material de nasofaringe e/ou orofaringe

Quando analisados em conjunto, os métodos de detecção de IgM (8 testes) apresentaram, em análise combinada, sensibilidade de 82% (IC 95% = 76-87%), especificidade de 97% (IC 95% = 96-98%) e OR para diagnóstico (DOR) de 168 (IC 95% = 92-305). Para a detecção de IgG (8 testes), a sensibilidade combinada foi de 97% (IC 95% = 90-99%), a especificidade, de 98% (IC 95% = 97-99%) e DOR de 1994 (IC 95% = 385–10334). Já para a detecção de RNA ou antígenos (4 testes), os valores de sensibilidade, especificidade e DOR foram 97% (IC 95% = 85-99%), 99 (IC 95% = 77-100%) e 2649 (IC 95% = 30–233056).

Os autores ressaltam que os dados da meta-análise foram baseados nas informações dos fornecedores e não em ensaios clínicos. Portanto, podem não refletir a mesma acurácia encontrada na prática diária. Fatores como técnica e momento de coleta, além das condições de armazenamento dos testes podem afetar sua performance, resultando em menor acurácia do que a encontrada no estudo.

Saiba mais: Covid-19: portaria torna obrigatória notificação de resultados de testes

Mensagens práticas

  • Entre os testes registrados no Brasil, os que detectam PCR são os que apresentaram maiores sensibilidade e especificidade. Os métodos baseados na detecção de IgG também apresentaram elevadas sensibilidade e especificidade.
  • Apesar dos valores elevados relatados, a efetividade dos testes pode ser menor. Como destacado pelos autores, fatores práticos, como tempo decorrido entre o início dos sintomas e a coleta do exame, podem influenciar a capacidade de diagnóstico dos testes.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Castro R, Luz MP, Wakimoto MD, Veloso VG, Grinsztein B, Perazzo H. COVID-19: a meta-analysis of diagnostic test accuracy of commercial assays registered in Brazil. Braz J Infect Dis 2020; 24(2):180-187. doi: 1016/j.bjid.2020.04.003

Um comentário

  1. Avatar

    Muito boa a explicação. Gostaria de uma melhor explanação da utilidade do teste de antígeno em oro ou nasofaringe e da sua segurança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.