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Nova droga para a redução da lipoproteína (a) mostra bons resultados em estudos

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A lipoproteína (a) (Lp(a)) é uma molécula formada pela apoB-100 e uma glicoproteína. Trata-se de uma molécula de grande penetração na parede arterial e papel importante no processo de aterogênese, aumento do risco cardiovascular e de estenose aórtica. Entretanto, a redução da Lp(a) com niacina não mostrou redução de risco cardiovascular, evidenciando que ainda há muita incerteza sobre o seu real papel na fisiopatologia da doença aterosclerótica. Além disso, não há medicamento aprovado para, especificamente, reduzir os níveis de Lp(a).

Redução da lipoproteína (a)

Diretrizes recentes passaram a recomendar a dosagem de Lp(a) para atuar como reestratificador de risco coronariano, ou seja, pacientes classificados como risco intermediário podem passar para alto risco caso apresentem níveis elevados de Lp(a). Paradoxalmente, a indicação de tratamento farmacológico em pacientes de alto risco recai sobre as estatinas, drogas que não reduzem o Lp(a).

Evidências

Um estudo recente, de fase 2, duplo-cego, randomizado e controlado testou o APO(a)-LRx (um oligo nucleotídeo antisense direcionado aos hepatócitos), droga criada especificamente para redução da Lp(a). Ela age inibindo RNA mensageiros nos hepatócitos, reduzindo os níveis de Lp(a) no sangue. O estudo utilizou o medicamento nas doses de 20, 40 ou 60 mg a cada semana e 20 mg a cada duas semanas ou 20 mg a cada semana, além do placebo no grupo controle.

O estudo contou com 286 indivíduos com doença cardiovascular estabelecida e níveis de Lp(a) maiores ou iguais a 60 mg/dL ou 150 mmol/L. Aproximadamente 60% dos pacientes tinham menos que 65 anos e 30% eram mulheres. O desfecho primário visava a redução de Lp(a) no sangue após seis doses do tratamento em relação aos níveis basais. Os critérios de exclusão foram:

  • Síndrome coronariana aguda;
  • Cirurgia cardíaca;
  • AVC ou AIT seis meses antes do início do estudo;
  • Revascularização percutânea coronariana, carotídea ou de vasos periféricos;
  • Cirurgia não cardíaca de grande porte;
  • Aférese de lipoproteína 3 meses antes do início do estudo;
  • Insuficiência cardíaca classe IV da NYHA;
  • Hipertensão arterial não controlada (sistólica >160 mmHg ou diastólica > 100 mmHg);
  • Filtração glomerular estimada < 60 ml/min;
  • Razão urinária proteína (mg) / creatinina (g) de 250 ou mais;
  • Razão urinária albumina (mg) / creatinina (g) de 100 ou mais;
  • Transaminases com duas vezes ou mais o valor de referência;
  • Valores de bilirrubina total ou fosfatase alcalina acima dos valores de referência;
  • Contagem de plaquetas abaixo do limite inferior;
  • História de sangramento maior ou alto risco de sangramento;
  • Uso de anticoagulantes.

Resultados

Os resultados foram animadores e mostraram uma redução da Lp(a) conforme a dose ministrada. O gráfico a seguir mostra a redução da Lp(a) conforme a dose em níveis percentuais, sendo o maior destaque para 20 mg semanais com redução de 80% da Lp(a) basal.

lipoproteina-a

A incidência de efeitos colaterais foi de 90% no grupo APO(a)-LRx e 83% no grupo placebo, a maioria de pequena a média gravidade, como cefaleia, mialgia, sintomas gripais, problemas no local da injeção do medicamento, discreta queda na contagem de plaquetas ou discreta elevação das transaminases. Efeitos adversos sérios foram vistos em 10% dos pacientes que receberam APO(a)-LRx e em 2% dos que receberam placebo. Esses efeitos não guardaram dependência com a dose do medicamento.

Sendo assim o estudo prova que o medicamento é eficaz em reduzir níveis de Lp(a) em pacientes com doença cardiovascular estabelecida, porém não evidencia o benefício em termos de redução risco cardiovascular. Estudos futuros poderão mostrar o quanto a redução da Lp(a) poderia impactar na doença cardiovascular.

LEIA TAMBÉM: A importância dos cuidados paliativos em pacientes com doença cardiovascular

Autor:

Referências:

  • Tsimikas S, Karwatowska-Prokopczuk E, Gouni-Berthold I, et al. Lipoprotein(a) Reduction in Persons with Cardiovascular Disease. N Engl J Med 2020; 382:244.
  • Grundy SM, Stone NJ, Bailey AL, et al. 2018 AHA/ACC/AACVPR/AAPA/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA Guideline on the Management of Blood Cholesterol: Executive Summary: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation 2019; 139:e1046.
  • Mach F, Baigent C, Catapano AL, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. Eur Heart J 2020; 41:111.

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