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Novas infecções e risco de transmissão: qual o impacto da vacinação?

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A vacinação é tida como uma das principais estratégias para o controle da pandemia de SARS-CoV-2, mas apesar do seu impacto na redução significativa no risco, mesmo indivíduos vacinados podem se infectar pelo vírus. Entretanto, tais casos tendem a ser leves ou assintomáticos.

Outro aspecto debatido é o potencial benefício das vacinas em reduzir a transmissão do vírus. Estudos iniciais sugerem que indivíduos vacinados podem ter menor carga viral e, com isso, menor papel como transmissores. Contudo, a circulação de novas variantes poderia diminuir o impacto desse efeito.

Para investigar os efeitos da vacinação populacional na transmissão de SARS-CoV-2, um grupo alemão avaliou dados de indivíduos totalmente vacinados e seus contatos pessoais, comparando-os com os de indivíduos não vacinados.

Leia também: Retrospectiva 2021: sepse, vacinação contra a Covid-19 e mais do que teve destaque no ano

Novas infecções e risco de transmissão qual o impacto da vacinação

Materiais e métodos

O estudo foi conduzido na cidade de Colônia, Alemanha, em que o sistema público de saúde mantém um registro de todas as pessoas com testes de RT-PCR para SARS-CoV-2 positivos e de seus contatos pessoais. Os contatos são definidos como qualquer pessoa com exposição próxima (< 1,5 m) a alguém com Covid-19 confirmado por mais de 10 minutos durante a janela de 1 a 14 dias do início dos sintomas do caso índice.

A população incluída consistiu em indivíduos residentes da cidade de Colônia que testaram positivo para SARS-CoV-2 e que estavam totalmente vacinados (i.e., com duas doses de vacina) entre 27 de dezembro de 2020 e 6 de agosto de 2021 e seus respectivos contatos que também residiam na cidade. Indivíduos com teste positivo, mas que não haviam sido vacinados ou que haviam recebido somente uma dose de vacina, foram utilizados como controles, pareando com os casos em idade, sexo e tipo de vírus.

Saiba mais: Vacinação contra Covid-19 e o risco de miocardite

A presença de transmissão foi assumida nos casos em que um contato também testou positivo para SARS-CoV-2 entre 10 e 14 dias após o contato com o caso índice. Pelo sistema público alemão, os contatos de casos de Covid-19 eram avaliados em relação a presença de fatores de risco para doença grave e de sintomas, com testagem dos que se tornavam sintomáticos e/ou que eram considerados como pertencentes a grupo de risco.

Resultados

No total, 357 casos índices vacinados e seus 979 contatos foram identificados e pareados com 357 casos índices não ou parcialmente vacinados e seus 802 contatos. Os indivíduos pertencentes ao grupo de vacinados eram menos sintomáticos de forma estatisticamente significativa. No grupo dos vacinados, 80,1% haviam recebido Pfizer, 8,4% haviam recebido vacina da Johnson & Johnson (Janssen), 3,9% foram vacinados com Aztrazeneca e 3,1%, com Moderna.

Em ambos os grupos, os casos índices sintomáticos apresentavam valores mais baixos de Ct do que os dos índices assintomáticos. O valor de Ct (cycle threshold) corresponde ao número de ciclos que são necessários, durante o processo de realização do teste de PCR, para que se inicie a amplificação da sequência genética presente na amostra testada. Os valores de Ct permitem uma quantificação indireta do material genético. Para o estudo, valores de Ct < 30 foram considerados como relacionados à transmissão.

Dos 979 contatos do grupo de índices vacinados, 99 (10,1%) apresentaram infecção confirmada. Já no grupo controle, dos 802 contatos, 303 (37,8%) apresentaram infecção pelo SARS-CoV-2. O número de contatos por caso índice foi semelhante entre os grupos. Os valores de Ct foram significativamente menores no grupo controle e nos indivíduos infectados com a variante Delta.

Avaliando-se fatores que pudessem estar influenciando o número de contatos infectados em relação ao número total de contatos por caso índice, os resultados mostraram que indivíduos não vacinados e homens foram os que apresentaram maior taxa de contatos infectados/número total de contatos. A presença de sintomas e menores valores de Ct também fatores de risco identificados como relacionados a maior proporção de casos infectados.

Em relação ao status vacinal dos contatos, 439 dos contatos incluídos estavam totalmente vacinados e 1.182 eram não vacinados. Os dados de indivíduos parcialmente vacinados foram excluídos dessa análise. Os contatos infectados tinham, de forma estatisticamente significativa, menor probabilidade de estarem totalmente vacinados. Não houve diferença estatística nos valores de Ct entre os contatos infectados vacinados e não vacinados. Entretanto, análises de regressão logística mostraram que a taxa em que os contatos foram infectados por caso índice era 79% menor quando o índice era vacinado do que quando não era.

Mensagens práticas

  • Os resultados desse estudo de vida real indicam uma redução no número de casos de infecções em contatos de pessoas vacinadas que desenvolveram infecção.
  • Não estar vacinado, ser homem, a presença de sintomas e menores de valores de Ct foram fatores de risco para uma maior proporção de infecções em contatos em relação ao número total de contatos por caso índice.
  • Limitações do estudo incluem o fato de que o número de índices infectados com novas variantes foi pequeno e o não acompanhamento do curso clínico dos contatos infectados. Embora não citado pelos autores, a testagem dos contatos somente na presença de sintomas ou fatores de risco também pode ser uma limitação para a análise dos resultados.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Hsu L, Grüne B, Buess M, Joisten C, Klobucnik J, Nießen J, Patten D, Wolff A, Wiesmüller GA, Kossow A, Hurraß J. COVID-19 Breakthrough Infections and Transmission Risk: Real-World Data Analyses from Germany’s Largest Public Health Department (Cologne). Vaccines, 2021;9(11):1267. doi: 10.3390/vaccines9111267
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