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câncer de próstata

Novembro Azul: conheça novidades no rastreio do câncer de próstata

Tempo de leitura: 4 minutos.

À semelhança de outros meses coloridos, o Novembro Azul foi criado com a finalidade de estimular a discussão,
entre profissionais de saúde e público em geral, sobre problemas específicos que acometem milhões de pessoas. A campanha foi idealizada por diversas instituições e tem como alvo os homens a fim de alertá-los da importância do tratamento de doenças masculinas, em especial o câncer de próstata.

O Novembro Azul teve início em 2003 na Austrália sob a alcunha de Movember, campanha de conscientização realizado no país em 17 de novembro, em ocasião do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata.

Houve aceitação bastante generalizada deste movimento, sendo que em vários países, o Movember, para atingir
seus objetivos, estimula a realização de reuniões entre os homens, para que assuntos cruciais sejam debatidos, como câncer de próstata e outros tipos de câncer, além de problemas diversos de ordem  saúde física e mental, como a depressão, e estresse, a obesidade, etc.

Em território nacional, o Novembro Azul foi idealizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com a dupla finalidade de estimular os homens a se consultarem com profissionais médicos, mesmo sem uma queixa objetiva e de quebrar o preconceito em relação ao exame de toque digital retal.

Apesar do sucesso relativo que a campanha tem tido no Brasil, ainda há muito a ser feito para que seu benefício
possa ser estendido à população em geral, tendo em vista a resistência ainda encontrada, tanto para a consulta
quanto para que o exame de toque fosse realizado.

No que diz respeito ao Laboratório Clínico, o recurso mais utilizado para o diagnóstico de câncer de próstata é a medida do antígeno prostático específico (PSA), ainda que a sua utilidade tenha sido questionada por causa da especificidade baixa, principalmente nos níveis entre 2 e 10 ng/mL. Alguns autores afirmam que a utilização do PSA em programas de triagem populacional propicia o sobrediagnóstico e consequente tratamento excessivo, uma vez que detectaria também casos de câncer prostático não evoluídos para a forma mais agressiva. É certo que o PSA total, isoladamente, não fornece informação suficiente que permita se acessar o nível de agressividade do tumor.

Por causa desta limitação, US Preventive Services Task Force (USPSTF) se posicionou em 2012 contra a aplicação da PSA como triagem populacional para o risco de câncer de próstata, não importando a idade do paciente. A entidade baseou-se nos estudos ERSPC e PLCO, cujas conclusões apontaram que a medida de PSA tinha pouca efetividade na profilaxia deste tipo de câncer sem contar na possibilidade dos falsos positivos, os quais poderiam, indevidamente, comprometer a saúde física e mental, do indivíduo testado.

Ao avaliar os resultados da aplicação desta recomendação, com o aparecimento de numerosos diagnósticos
tardios de câncer de próstata, em 2017, a USPSTF emitiu nova diretriz em que recomendava que os médicos generalistas poderiam informar ao paciente entre 55 e 69 anos os benefícios do screening para o câncer de próstata, além dos potenciais riscos, com a PSA e orientava que mesmo os médicos não especialistas fizessem a triagem nos homens que concordassem com o procedimento.

Leia mais: Novembro Azul: veja como realizar o diagnóstico do câncer de próstata

Em maio deste ano, a instituição americana admitiu que o screening por PSA tem resultados baixíssimos na faixa etária entre 55 e 69 anos, prevenindo apenas três incidências de câncer e aproximadamente duas mortes em decorrência da neoplasia em cada 1000 homens testados.

Considerando que o diagnóstico precoce e a instituição de terapia adequada podem reduzir a taxa de mortalidade e que o câncer metastático é condição clínica muito mais complexa, que exige cuidados especiais custosos e com pouca chance de cura, a recomendação atual é que o screening para a doença seja efetuado pelo urologista, que irá aplicar o exame de toque e a medida PSA, em homens com idade entre 55 e 69 anos, com expectativa de vida acima de 10 anos

Cabe lembrar que estes critérios são aplicáveis a homens brancos, sem histórico deste tipo de neoplasia na família. Indivíduos afrodescendentes e os que tiverem parentes de primeiro grau (pais, tios, irmãos) que tenham tido
câncer devem ser testados a partir dos 45 anos.

É importante referir que, em relação aos valores do PSA, qualquer tipo de estímulo mecânico que altere a arquitetura glandular, como instrumentação vesical ou uretral, biópsia da próstata, exame digital retal, facilita a sua liberação para a circulação sistêmica, resultando em elevação dos níveis séricos. Os diversos estudos realizados enfatizam o fato de que a intensidade de elevação mantém estreia correlação com a idade do paciente e com o tamanho da próstata.

Outras condições menos óbvias que também podem causar elevação no nível sérico de PSA total ou de suas
isoformas incluem: tempo de jejum, ritmo circadiano, hiperplasia benigna da próstata, prostatite, ejaculação
recente e alguns medicamentos.

Essa situação estimulou o estudo e desenvolvimento de novos marcadores que pudessem complementar o PSA a fim de diagnosticar de forma precoce os cânceres que poderiam ter comportamento mais agressivo. Há algumas  isoformas do PSA, e algumas delas, em especial a PSA [-2] proPSA, tem sido proposta como auxiliar para a melhora da detecção de câncer prostático, especialmente nos pacientes com PSA total entre 4 e 10 ng/mL.

O Prostate Health Index (PHI) é um outro índice que inclui os resultados da fração livre do PSA, da isoforma p2PSA e do PSA total. Este índice foi desenvolvido com base no cálculo (p2PSA / fPSA × tPSA)

Os valores de p2PSA e o PHI são maiores em pacientes com câncer de próstata do que nos pacientes com hiperplasia benigna da próstata e com prostatite e algumas pesquisa evidenciaram que tanto o p2PSA como o PHI estão relacionados a uma probabilidade de maior agressividade do câncer.

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Autor:

Adagmar Andriolo

Médico Patologista Clínico ⦁ Professor Associado Livre Docente da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo ⦁ Membro do Board International Society of Oncology and Biomarkers ⦁ Editor Chefe do Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial ⦁ Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial.

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