Ginecologia e Obstetrícia

Novo protocolo de rastreio de clamídia e gonorreia

Tempo de leitura: 3 min.

A clamídia e a gonorreia estão entre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns em todo o mundo. Em 2019, o CDC quantificou que havia aproximadamente 1,8 milhões de casos de clamídia e mais de 600.000 de gonorreia em território americano. Além disso, a taxa de infecção por clamídia entre as mulheres (698,9 casos por 100.000 mulheres) foi quase o dobro da taxa entre os homens.

Quando observamos a faixa etária, não é de se surpreender que as taxas de infecção sejam mais altas entre adolescentes e adultos jovens de ambos os sexos. Em 2019, quase dois terços de todas as infecções por clamídia relatadas e, em 2018, mais da metade das novas infecções gonocócicas estavam entre pessoas de 15 a 24 anos.

Leia também: Atualizado protocolo para prevenção de transmissão vertical de ISTs

A doença pode ser silenciosa e gerar sequelas a longo prazo

As infecções por clamídia e gonococos em mulheres são geralmente assintomáticas, porém podem causar doença inflamatória pélvica (DIP) e suas complicações associadas, como gravidez ectópica, infertilidade e dor pélvica crônica.

Já no sexo masculino, a infecção pode causar uretrite e epididimite, muito embora, em homens, a doença costuma seja assintomática. De uma forma geral, a gonorreia tem maior probabilidade do que a clamídia de causar sintomas em homens do que em mulheres, mas ambos os tipos de infecção podem aumentar o risco de adquirir ou transmitir o HIV em ambos os sexos. 

Os bebês recém-nascidos de gestantes com infecção não tratada podem desenvolver pneumonia neonatal por clamídia ou oftalmia gonocócica ou por clamídia, 

No ultimo mês, a US Preventive Services Task Force lançou uma atualização na diretriz de rastreamento de clamídia e gonorreia:

A partir de agora, é recomendado o rastreamento de clamídia e gonorreia em todas as mulheres sexualmente ativas com 24 anos ou menos e em mulheres com 25 anos ou mais que estão sob risco aumentado de infecção. (Recomendação B) 

E como saber se essa mulher acima de 25 anos está sob risco aumentado? Caso ela preencha um dos critérios a seguir:

  • Ter um novo parceiro sexual;
  • Ter mais de 1 parceiro sexual;
  • Ter um parceiro sexual com parceiros simultâneos;
  • Ter um parceiro sexual que tenha uma IST; 
  • Praticar o uso inconsistente do preservativo quando não estiver em uma relação mutuamente monogâmica;
  • Ter uma IST anterior ou coexistente; 
  • Prostituição;
  • Uso de drogas; 
  • Histórico de encarceramento. 

Em relação ao sexo masculino é que há a mudança: a atualização conclui que a evidência atual é insuficiente para avaliar o equilíbrio entre benefícios e malefícios do rastreamento de clamídia e gonorreia em homens.

Saiba mais: ECCMID 2021: testagem tripla para diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis

Intervalos de triagem

Na ausência de estudos sobre os intervalos de rastreamento, uma abordagem razoável seria rastrear os pacientes cuja história sexual revela fatores de risco novos ou persistentes desde o último resultado negativo do teste.

Na prática diária com o paciente:

O screening pode ser realizado para as duas patologias simultaneamente a partir de testes de amplificação de ácido nucleico a partir de amostras endocervicais, vaginais, de urina, retal e faríngea.

Recomenda-se também, de forma oportuna, rastrear outras ISTs como hepatite B, C, herpes e sífilis.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • US Preventive Services Task Force. Screening for Chlamydia and Gonorrhea: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2021;326(10):949–956. doi:10.1001/jama.2021.14081.
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Publicado por
Juliana Olivieri

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