Os hábitos alimentares da gestante podem afetar o peso da prole mais tardiamente

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Uma pesquisa publicada no jornal The American Journal of Clinical Nutrition mostrou que os hábitos alimentares da gestante pode ter um impacto de longo prazo no peso das crianças.

Sabe-se que a nutrição materna durante a gestação e o crescimento acelerado na infância são importantes preditores do risco de obesidade. No entanto, não se sabe quais padrões alimentares adotados na gravidez estão associados ao crescimento acelerado e se há períodos específicos do nascimento à adolescência que são mais sensíveis a essas associações. Sendo assim, o objetivo do estudo Maternal diet in pregnancy is associated with differences in child body mass index trajectories from birth to adolescence foi avaliar até que ponto três índices dietéticos na gravidez [Índice Inflamatório Dietético (Dietary Inflammatory Index – DII), Índice Alternativo de Alimentação Saudável para Gravidez (Alternate Healthy Eating Index for Pregnancy – AHEI-P) e Escore da Dieta Mediterrânea (Mediterranean Diet Score – MDS)] estão associados ao escore z do índice de massa corporal (IMC) da criança (IMC- z) do nascimento à adolescência da prole.

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Os hábitos alimentares da gestante podem afetar o peso da prole mais tardiamente

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Método do estudo

Foram avaliados 1.459 pares mãe-filho do Projeto Viva (um estudo de coorte prospectivo em andamento sobre as influências pré-natais e perinatais na saúde materno-infantil). Modelos lineares de efeitos mistos de spline foram aplicados para analisar se as taxas de crescimento de IMC-z e os IMC-z diferiam por quartil de cada índice dietético desde o nascimento até 1 mês, 1–6 meses, 6 meses a 3 anos, 3–10 anos, e acima de 10 anos.

Os pesquisadores observaram que filhos de gestantes com os maiores escores DII (que faziam uma dieta pró-inflamatória), tinham maiores taxas de crescimento de IMC-z nas idades de 3 a 10 anos e maiores escores IMC-Z de 7 a 10 anos. Além disso, os filhos das gestantes que tinham baixas adesões à dieta mediterrânea tiveram escores IMC-z mais altos nas idades de 3 a 15 anos. Portanto, esse estudo descreve que, especificamente, crianças com exposição intrauterina à inflamação alimentar materna elevada e baixa adesão a uma dieta do tipo mediterrânea apresentaram taxas de crescimento mais rápidas desde a primeira infância até o meio da infância, resultando em escores IMC-z mais elevados durante o período de acompanhamento. No entanto, os pesquisadores não encontraram uma associação entre o AHEI-P e os escores IMC-z desde o nascimento até a adolescência.

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Os autores concluíram que os índices dietéticos na gestação que refletem o potencial anti-inflamatório de alimentos e nutrientes foram associados com taxas de ganho de peso, especificamente na infância, e trajetórias de IMC-z desde a infância até a adolescência. Contudo, sugerem que estudos de intervenção futuros sejam feitos no intuito de explorar o papel das dietas antiinflamatórias na gravidez no crescimento da prole, comportamentos alimentares e saúde cardiometabólica, pois a infância é sensível ao efeito de programação da dieta na gestação e é fortemente preditiva de riscos de obesidade tardia.

Mensagem final

Esse estudo é bastante interessante porque nos mostra que dois índices diferentes foram significativamente correlacionados ao crescimento fetal. No entanto, três índices foram aplicados e um deles não mostrou essa associação. O fato de não ser um estudo randomizado não nos permite tirar muitas conclusões, apenas usar esses resultados como uma sugestão. O que chama a atenção nesse artigo é que, efetivamente, na atualidade, a ciência tem abordado muito a questão (e obviamente, há necessidade de estudos mais robustos) de que muito do que se acontece na vida intrauterina (como os hábitos alimentares da gestante) repercute posteriormente na infância e na vida adulta.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Monthé-Drèze C, Rifas-Shiman SL, Aris IM, et al. Maternal diet in pregnancy is associated with differences in child body mass index trajectories from birth to adolescence. Am J Clin Nutr. 2021;113(4):895-904. doi:10.1093/ajcn/nqaa398
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