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As doenças hipertensivas são importantes causas de morbimortalidade maternas ao redor do mundo, contribuindo com aproximadamente 7% das mortes nos EUA.

Em média, metade das mulheres com doenças hipertensivas na gestação permanecem hipertensas em até 2 a 3 meses pós-parto, e quase 10% das mulheres permanecem hipertensas crônicas até um ano após o parto elevando os riscos cardiovasculares , internações e até eventos cardíacos nas mulheres.

Leia também: Ligação entre Covid-19 em gestantes e hipertensão e pré-eclâmpsia

Em um estudo recente, Wang (2021) acompanhou quase 89 mil mulheres de 25 a 42 anos de idade no período de 1989 a 2017 com questionários sobre estilo de vida e a saúde desses pacientes ao longo desse período a cada 2 anos.

Podemos reduzir a incidência de morte associada a doenças hipertensivas na gravidez?

Alguns achados interessantes desse grupo de mulheres:

  1. Achado de 14% de mulheres com doenças hipertensivas na gravidez nesse grupo, sendo as hipertensas:
    • maior paridade;
    • menor tempo de aleitamento materno;
    • maior IMC;
    • maior prevalência de diabetes gestacional e antecedente de diabetes paternos;
    • maiores índices de AVC/infarto miocárdio;
    • índice cumulativo de mortalidade precoce (antes de 70 anos de idade) 42% maior que nas não hipertensas.

*(ajustados todos os fatores como dietas pós-parto, estilos de vida e características reprodutivas).

Encontrou-se também 2 a 4 vezes mais chances de desenvolver morte devido a doenças infecciosas, doenças respiratórias, doenças do sistema nervoso e doenças do sistema imunológico/metabólico.

Apesar do estudo representar apenas um nicho específico de mulheres não hispânicas brancas, podemos aprender e utilizar algumas conclusões para orientar as pacientes:

  • Existe um aumento de mortalidade por todas as causas naquelas mulheres previamente normotensas, que desenvolveram hipertensão na gravidez, em seu pós-parto.
  • Os eventos cardiovasculares podem ocorrer até 10 anos antes do previsto para essas mulheres.
  • Ainda existem poucos estudos que exploram o link biológico entre aterosclerose prematura e doença hipertensiva gestacional.
  • O atendimento multidisciplinar dessas gestantes (obstetra, cardiologista, nutricionista, entre outros) pode otimizar o tratamento e melhorar o prognóstico cardiovascular futuro dessas mulheres, reduzindo seu risco cardiovascular e de óbito.
  • O uso de aspirina (81 mg nos EUA — 100 mg o comprimido no Brasil) é importante no período de 12 a 28 semanas nas pacientes de risco cardiovascular para prevenção de doenças hipertensivas graves.
  • As visitas, consultas, buscas ativas no pós-parto em períodos de no máximo 3 semanas pós parto são importantes.

Mensagem final

Os estudos futuros visam criar algum modelo de prognóstico para mulheres antes dos 40 anos, em idade reprodutiva que possa selecionar aquelas de maior risco para doenças cardiovasculares, prevenindo desfechos ruins como eventos cardiovasculares que culminou com a morte súbita, por exemplo.

Saiba mais: Hipertensão pode ser confundida com sintomas da menopausa

Por enquanto, a nós, cabe selecionar através de uma boa anamnese e exame físico aquelas gestações com fatores de risco prévios, fazer uso da Aspirina 100 mg ao dia e orientar para um acompanhamento puerperal adequado às gestantes que tenham doenças hipertensivas durante seu pré natal. Já é uma janela para a prevenção futura!

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Wang Y-X, et al. Hypertensive Disorders of Pregnancy and Subsequent Risk of Premature Mortality. J Am Coll Cardiol. 2021 Mar;77(10):1302–1312. doi: 1016/j.jacc.2021.01.018
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