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O momento certo de resolução de uma gravidez é razão para muitas controvérsias. Isso pode tanto acontecer numa gestação de baixo risco que não entra em trabalho de parto espontâneo e atinge a “data provável do parto” com 40 semanas, quanto mais numa gravidez complicada por quaisquer patologias. A gravidez complicada por hipertensão arterial acontece em aproximadamente 10% das gestações, dessas, 2 a 3 % desenvolvem pré-eclampsia.

O momento de resolução da gestação a partir de 37 semanas parece bem acordado pelo mundo científico. Todos guidelines concordam que o risco de continuar a gravidez supera em muito o benefício da resolução nessa idade gestacional.

Nas idades abaixo de 34 semanas também existe bastante concordância na possibilidade de se aguardar um melhor prognóstico fetal próximo de 34 semanas se possível desde que a paciente esteja bem controlada.

As controvérsias de difícil decisão situam-se no período de 34 a 37 semanas. Qual seria a melhor idade para interrupção? Deve-se indicar resolução da gravidez ao alcançar 34 semanas? Ou 37 semanas? Deve-se aguardar o trabalho de parto de forma espontânea ou iniciar indução do parto?

Leia também: Veja novas orientações da diretriz de hipertensão crônica na gestação

O estudo

Um trabalho recente, envolvendo maternidades inglesas e do País de Gales, selecionou pacientes para o estudo que preenchessem os seguintes critérios:

  1. Idade gestacional entre 34 e 37 semanas;
  2. Gestações únicas ou gemelares dicoriônicas diaminióticas com pelo menos um feto viável;
  3. Idade materna de pelo menos 18 anos.

O único critério de exclusão era a previsão de parto nas próximas 48 horas por alguma indicação médica.

Assim, as pacientes foram randomizadas para o estudo de acordo com a gravidade de sua hipertensão no momento da admissão, cidade de origem, número de fetos, cesárea prévia e idade gestacional (34, 35 ou 36 semanas).

Foram recrutadas 901 pacientes das quais 450 no grupo de parto planejado e 451 no grupo de conduta expectante até 37 semanas.

Quando realizar o parto?

Entre os resultados, neste trabalho que avaliou pacientes com pré-eclâmpsia no final da gravidez, observou-se que o parto programado reduziu a morbidade, mas aumentou a necessidade de assistência ao recém-nascido (com admissões em unidade de UTI neonatal – principalmente pela prematuridade, nem tanto pela necessidade respiratória). Os custos com internação também foram menores neste grupo.

Veja mais: Hipertensão na gestação após ESC 2018: o que mudou?

Nas gestações complicadas por pré-eclâmpsia tardia (a partir de 34 semanas) abreviar o parto planejando-o antes das 37 semanas melhora o seguimento puerperal, mas aumenta os índices de admissão em unidades neonatais pela exclusiva prematuridade. Postergar o parto ganhando apenas alguns dias aumentou a morbidade materna de forma desaconselhável.

É importante ressaltar que os dados deste trabalho não podem ser extrapolados para hipertensas crônicas ou aquelas com hipertensão gestacional.

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Autor:

Referência bibliográfica:

Chappell LC, et al. Planned early delivery or expectant management for late preterm pre-eclampsia (PHOENIX): a randomised controlled trial. The Lancet. Published online August 28, 2019. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(19)31963-4

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