Página Principal > Colunistas > Procalcitonina é um bom marcador para o carcinoma medular de tireoide?
carcinoma medular de tireoide

Procalcitonina é um bom marcador para o carcinoma medular de tireoide?

Tempo de leitura: 2 minutos.

O Carcinoma Medular de Tireoide (CMT) é uma neoplasia rara, respondendo por 3 a 10% das neoplasias de tireoide, que compromete as células C ou parafoliculares. Estas células têm a função de produzir o hormônio calcitonina que participa do controle dos níveis de cálcio plasmáticos. Pode ser esporádica ou estar dentro do contexto de neoplasias familiares.

O tratamento recomendado para a doença é a tireoidectomia total e, atualmente, o principal marcador para diagnóstico pré-operatório e de controle pós-operatório de recorrência da doença é a dosagem da calcitonina plasmática.

Contudo, a análise deste marcador bioquímico pode ser prejudicada por diversos motivos. Primeiramente, diversas condições não específicas podem aumentar a calcitonina, como tireoidite autoimune, doença renal crônica, infecções e medicamentos como os inibidores de bomba de prótons. Além disso, não existe um limiar confiável a partir do qual se pode confirmar ou afastar CMT.

Leia maisExposição à radiação diagnóstica aumenta o risco de câncer de tireoide?

Sendo assim, há alguns anos, a procalcitonina, o peptídeo precursor da calcitonina de longa meia vida (estimada em 20 a 24 horas), é avaliada como um marcador alternativo para o CMT.

Recentemente, uma metanálise foi publicada. O levantamento reuniu cinco estudos, com um total de 296 pacientes, que avaliaram a desempenho da procalcitonina em detectar recorrência de CMT e pacientes sem doença, além de verificar a sensibilidade e especificidade do teste. A sensibilidade encontrada para detecção de recorrência de doença foi de 96% (variando de 92 a 100%) e a especificidade para detecção de pacientes livres de doença foi de 96% (variando de 87 a 100%).

Porém, cabe comentar algumas limitações deste trabalho. Primeiramente, o cálculo de especificidade não pode ser feito com todos os estudos, pois alguns não apresentavam dados suficientes para tal. Além disso, um número maior de pacientes seria necessário para uma análise mais confiável. Por fim, cada um dos estudos utilizou um ponto de corte de referência diferente, não havendo uma padronização do limiar ideal de procalcitonina.

Fazem-se necessários trabalhos mais robustos, comparando a procalcitonina com a calcitonina para definir se a primeira seria melhor que a última no contexto de CMT. Porém o tema se mostra promissor para futuras pesquisas.

É médico e quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Referências:

  • Magalhaes, Daniela; Vinha, Eduardo; Carvalho, Davide. Uma perspectiva clínica sobre a utilidade da calcitonina e do antígeno carcinoembrionário na abordagem do carcinoma medular da tiroide: revisão da literatura. Arq Med,  Porto,  v. 29, n. 5, p. 123-131,  out.  2015.
  • Trimboli P, Giovanella L. Procalcitonin as Marker of Recurrent Medullary Thyroid Carcinoma: A Systematic Review and Meta-Analysis. Endocrinol Metab (Seoul). 2018;33(2):204-210.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.