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médico segurando estetoscópio para tratar reinfecção por sífilis

Quais as manifestações clínicas dos casos de reinfecção por sífilis?

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Não somente um aumento nos novos diagnósticos de sífilis tem sido identificado mundialmente, mas também nos casos de reinfecção, os quais frequentemente são assintomáticos. Não existe definição se essa característica de doença sem sintomas é resultante de maior solicitação de exames de rastreio ou de uma mudança na apresentação da doença após múltiplas infecções por imunidade parcial.

Um estudo de coorte de pacientes com neurossífilis procurou avaliar as manifestações clínicas de casos de reinfecção por sífilis com resultados interessantes.

Reinfecção por sífilis

Os participantes pertenciam a uma coorte de um estudo norte-americana com indivíduos com neurossífilis. Os critérios de inclusão incluíam evidência clínica ou sorológica de sífilis e suspeita de neurossífilis pelo médico assistente ou paciente.

Os motivos para referenciamento do paciente foram, entre outros, sinais ou sintomas neurológicos, principalmente perdas visuais ou auditivas, RPR sérico com titulação ≥ 1:32 e pessoas com infecção pelo HIV com contagem de linfócitos T-CD4 ≤ 350 células/mm³.

Leia também: Sífilis congênita: o que o médico precisa saber

Os pacientes identificados com neurossíflis foram acompanhados ambulatorialmente e com exames laboratoriais realizados 3, 6 e 12 meses após o tratamento inicial. Em cada visita ambulatorial, dados clínicos e laboratoriais foram revisados, incluindo revisão em um banco de dados nacional com informações sobre testes sorológicos de sífilis, assim como sobre o estágio e tratamento.

Os episódios de sífilis foram identificados baseados no primeiro registro de um teste sorológico reagente, um diagnóstico novo de sífilis primária ou secundária, um novo teste reagente após um teste negativo ou um aumento de pelo menos quatro vezes em um teste não treponêmico em relação a um teste anterior realizado há pelo menos três meses.

Resultados

Foram identificados 701 indivíduos com sífilis na coorte, dos quais 223 tiveram pelo menos 2 episódios. Para o episódio índice, a maioria dos participantes era composta por homens e 79,6% eram pessoas com infecção pelo HIV. A média de linfócitos T-CD4 era de 439 células/mm³.

Dos 701 participantes, 51,2% tiveram sífilis sintomática, primária ou secundária, e 48,8% tiveram sífilis assintomática, sífilis latente precoce ou tardia. Comparado com outras fases, a proporção de indivíduos diagnosticados com sífilis assintomática aumentou conforme o número de episódios prévios de sífilis (41% para os com um único episódio de sífilis, 57% para os com 2 episódios e 72% para os com 3 ou mais episódios; p< 0,001).

Para afastar a possibilidade de que a proporção maior de episódios assintomáticos fosse devido a uma frequência maior de testes, testes realizados em um intervalo de 90 dias após um episódio de sífilis não foram considerados como testes diagnósticos, mas sim como testes de controle. Para os 223 indivíduos com mais de 1 episódio de sífilis, a chance de um caso ser assintomático foi maior nos participantes com mais testes, porém sem diferença significativa após ajuste para duração do seguimento.

Veja mais: Sífilis – Sintomatologia e Prevenção: um desafio histórico e contemporâneo

Quando comparados com os indivíduos sem sífilis prévia, a proporção de participantes com DNA de Treponema pallidum detectável no sangue e RNA no LCR foi significativamente menor nos com história prévia de sífilis.

Quando a análise foi restrita aos participantes com sífilis sintomática, os resultados se mantiveram e as chances de detecção de DNA de T. pallidum no sangue e RNAr no LCR permaneceram significativamente menores nos com episódios prévios de sífilis. A proporção de indivíduos com neurossífilis também foi significativamente menor nos participantes com história prévia de sífilis, resultado que se manteve após ajuste.

Mensagens práticas

  • Episódios repetidos de sífilis podem alterar as características clínicas da infecção. Indivíduos com exposições de risco devem ser adequadamente rastreados, mesmo na ausência de sintomas;
  • Os resultados sugerem que exposições prévias a sífilis podem elucidar uma resposta imune capaz de alterar a disseminação do agente para sangue e SNC, tornando-a menos frequente, e reduzir a presença de manifestações clínicas.

Autora:

Referência bibliográfica:

  • Marra, CM, Maxwell, CL, Sahi, SK, Tantalo, LC, Dunaway, SB, Lukehart, SA. Previous Syphilis Alters the Course of Subsequent Episode of Syphilis. Clinical Infectious Diseases, Volume 71, Issue 5, 1 September 2020, Pages 1243–1247, https://doi.org/10.1093/cid/ciz943

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