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Sífilis – Sintomatologia e Prevenção: um desafio histórico e contemporâneo

Tempo de leitura: 3 minutos.

A sífilis é doença infecciosa de caráter crônico, que há séculos vem desafiando a humanidade. Ela atinge praticamente todos os sistemas e órgãos. Contudo, mesmo sendo uma doença que apresenta tratamento eficaz e de baixo custo, até hoje mantem-se como um problema de saúde pública.

Histórico sobre a doença

Popularizou-se na Europa no final do século XV, disseminando-se rapidamente por todo o continente. Transformou-se em uma das principais pragas mundiais e, por acometer especialmente a pele e  mucosas no início da doença, foi fortemente associada à dermatologia.

Em 1960, a mudança do comportamento da sociedade com relação à pratica sexual e o advento da pílula anticoncepcional viabilizaram a ocorrência de mais casos. No final dos anos 70, com a descoberta da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), ocorreu um redimensionamento das DST’s. A Sífilis passou a ser considerada uma facilitadora na transmissão do vírus HIV, fazendo com que pesquisadores retomassem o interesse pela sífilis. Além disso, surgiu a necessidade de criação de novas estratégias para seu controle.

A OMS sugere que o número de DST’s curáveis (sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase) gire em torno de 340 milhões novos casos. No Brasil, em 2003, foram apontados 843.300 casos de sífilis.

Apresentação clínica da Sífilis

A sífilis é doença sexualmente transmissível (sífilis adquirida) e verticalmente transmissível (sífilis congênita) através da placenta da mãe para o feto. O contato direto com as lesões potencialmente contagiantes (cancro duro e lesões secundárias) pelos órgãos genitais é responsável por 95% dos casos de sífilis. Outras formas de transmissão mais raras e com menos interessante do ponto de vista epidemiológico são por via indireta (objetos contaminados, tatuagem) e por transfusão sanguínea, apresentando um risco de contágio de aproximadamente 10% a 60%.

A bactéria Treponema Pallidum tem uma alta mobilidade e possui alta aderência às células hospedeiras. A capacidade quimiotáxica dessa bactéria é um importante fator que contribui para a virulência desse microrganismo.

O Treponema tem uma tremenda capacidade de invadir e fixar-se rapidamente nas superfícies celulares e adentrar as junções endoteliais e os tecidos. 

É uma bactéria com pouca resistência ao meio ambiente e pode ser facilmente destruída quando fora do organismo hospedeiro.

Leia também: 

Classificação

A Sífilis pode ser classificada em: 

Sífilis Adquirida:

  • Recente (menos de um ano de evolução): Formas primária, secundária e latente recente;
  • Tardia (com mais de um ano de evolução): Formas latente tardia e terciária.

Sífilis Congênita:

  • Recente: Casos diagnosticados até o 2° ano de vida;
  • Tardia: Casos diagnosticados após o 2° ano de vida.

As manifestações clínicas da sífilis apresentam-se de acordo com a fase em que a infecção se encontra:

Diagnóstico e Tratamento

Durante o tratamento, as pessoas podem desenvolver febre, dores de cabeça e dores musculares, uma reação denominada Jarisch-Herxheimer.

Para se obter controle da sífilis é fundamental que o foco seja interromper a cadeia de transmissão e prevenir novos casos. Para que se alcance este objetivo, é fundamental evitar o fluxo de transmissão da doença, através do diagnóstico e tratamento de forma mais precoce possível, do paciente, parceiro ou parceiros.

O teste rápido é uma excelente ferramenta, uma vez que ele pode realizar a detecção da doença de forma imediata. Dessa forma, o tratamento adequado possa ser implementado em tempo hábil através da administração da penicilina como primeira escolha e nas doses adequadas, podendo até mesmo ser utilizado tratamento profilático, em casos de aumento local do número de ocorrências. 

A prevenção ainda segue com foco na comunicação e informação para a população em geral, especialmente para com os grupos vulneráveis (profissionais do sexo, jovens, usuários de drogas injetáveis, etc) sobre o curso da doença e meios de prevenção.

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Referências:

  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais. Manual Técnico para Diagnóstico da Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Vigilância Epidemiológica: volume único [Internet] 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2017.
  • Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: Guia de Bolso. 8ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2010.

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