Pebmed - Notícias e Atualizações em Medicina
Cadastre-se grátis
Home / Clínica Médica / Quais as possibilidades terapêuticas para manejo do ebola?
estetoscópio médico em cima de prontuário de paciente com ebola

Quais as possibilidades terapêuticas para manejo do ebola?

Esse conteúdo é exclusivo para
usuários do Portal PEBMED.

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Em agosto de 2018, vimos a República Democrática do Congo novamente ser assolada pelo vírus ebola (EBOV). Foi a décima epidemia da doença no país e a segunda maior registrada desde a descrição do Zaire ebolavirus em 1976.

A epidemia de 2018 perdeu apenas para a que aconteceu entre 2013-2016 e que resultou em 11.000 mortes. Na busca por um melhor manejo do ebola (EVD), durante a epidemia de 2018 um grupo de pesquisadores realizou um ensaio clínico para avaliar novas possibilidades terapêuticas. Os resultados foram publicados no último mês.

Estudo sobre epidemia do ebola

Os pacientes foram randomizados na proporção de 1:1:1:1 para receber ZMapp (triplo anticorpo monoclonal), remdesivir (nucleotídeo análogo inibidor da RNA polimerase), MAb114 (anticorpo monoclonal derivado de um paciente sobrevivente do Ebola) ou REGN-EB3 (coformulação de três anticorpos monoclonais IgG1).

Todos os pacientes receberam o tratamento padrão, que consiste em hidratação venosa, correção de hipoglicemia e distúrbios hidroeletrolíticos e administração de antibióticos de amplo espectro e antimaláricos, quando oportuno. ZMapp foi escolhido como controle por levarem em consideração dados de ensaio clínico prévio (PREVAIL II) e o desfecho primário foi morte em 28 dias.

Leia também: Dois novos medicamentos como opção no tratamento de Ebola

Triagem e randomização

Foram incluídos pacientes de qualquer idade, inclusive gestantes, desde que apresentassem RT-PCR positiva para a nucleoproteína viral até três dias antes da triagem e se não tivessem recebido nenhum agente investigacional (exceto vacina) nos últimos 30 dias.

Neonatos com sete dias de vida ou menos eram elegíveis se as mães tivessem EVD documentada. A randomização foi feita de acordo com o valor do ciclo threshold (Ct), sendo menor que 22 considerado alto e maior que 22, baixo. O Ct permite correlacionar o aumento da fluorescência com a quantidade inicial do DNA alvo. Dessa forma, quanto menor o Ct, maior a quantidade de DNA viral.

Participantes

A maior parte dos participantes tinham 18 anos ou mais (74,4%), 12,8% tinham entre 6 e 17 anos e 12,8% tinham 5 anos ou menos (0,7% desses eram neonatos). Um total de 55,6% eram mulheres e 6,1% delas, gestantes. A média de Ct foi 24 ±5,6 e 42,1% tinham Ct 22 ou menor.

A maioria foi triada com 5,5 dias de sintomas e os mais relatados eram diarreia (53,8%), febre (51,4%), dor abdominal (46,4%), cefaleia (44,4%) e vômitos (39,4%).

Variáveis prognósticas

Quanto maior o tempo para início do tratamento, pior foi o desfecho (para cada dia de atraso no tratamento, a mortalidade aumentou 11%). A mortalidade foi menor nos pacientes com menor carga viral (Ct maior) e maior nos que tinham aumento de creatinina, TGO e/ou TGP.

Além disso, os participantes que receberam vacina morreram menos, porém, eles também tiveram menor tempo de sintomatologia antes da triagem, maior Ct e menor TGP.

Segurança

Um total de 29 eventos adversos sérios foram relatados pelos pesquisadores como potencialmente causados pelos agentes estudados. Um comitê independente de farmacovigilância, após análise, definiu que quatro eventos (em três pacientes), todos resultando em morte, foram possivelmente relacionados às drogas.

Um paciente recebendo ZMapp teve piora dos sintomas gastrointestinais, outro indivíduo do grupo ZMapp teve hipotensão e hipóxia durante a infusão, um participante recebendo remdesivir apresentou hipotensão e parada cardiorrespiratória em sequência. Entretanto, ainda nesses casos, a causa da morte pode ser relacionada à EVD.

Mortalidade

Durante uma análise interina de segurança foi recomendada a interrupção dos braços de ZMapp e remdesivir, visto que os participantes que receberam essas medicações, quando comparados com os que receberam MAb114 e REGN-EB3, apresentaram maior mortalidade.

Levando em consideração que 97% das mortes ocorreram nos primeiros 10 dias, a eficácia do MAb114 e REGN-EB3 pode ser maior por serem medicações realizadas em dose única. Esse pensamento é corroborado pelo maior tempo de negativação da RT-PCR para o EBOV nos grupos de ZMapp e remdesivir.

Ainda que o benefício do tratamento nos grupos MAb114 e REGN-EB3 seja superior, 34% de todos os pacientes e 67% dos que tiveram carga viral elevada morreram apesar de receberem esses agentes. Dessa forma, mais intervenções eficazes precisam ser estudadas.

Quer receber as principais novidades em Clínica Médica? Inscreva-se em nosso grupo do Whatsapp!

Autor:

Referência bibliográfica:

  • MULANGU, Sabue et al. A Randomized, Controlled Trial of Ebola Virus Disease Therapeutics. New England Journal Of Medicine, [s.l.], v. 381, n. 24, p.2293-2303, 12 dez. 2019. Massachusetts Medical Society. http://dx.doi.org/10.1056/nejmoa1910993.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

×

Adicione o Portal PEBMED à tela inicial do seu celular: Clique em Salvar na Home Salvar na Home e "adicionar à tela de início".

Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.