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Quais consequências da interrupção do tratamento com antidepressivos?

Colunistas, Psiquiatria
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Neste artigo falaremos sobre uma publicação de março no New York Times e vamos discutir a retirada das medicações antidepressivas dos pacientes em tratamento. Um dos problemas atuais da retirada é um efeito de descontinuação (ou abstinência) da medicação, que pode demorar meses para passar. Alguns dos sintomas apresentados podem ser crises de ansiedade, insônia e uma sensação de “choque” no cérebro.

O desafio é entender quando tais sintomas fazem parte do efeito da retirada/abstinência do remédio ou quando podem ser sinais de recorrência do transtorno de base. Isso ainda é controverso, mesmo entre importantes psiquiatras de instituições respeitáveis pelo mundo.

Muitos médicos ainda resistem a admitir os efeitos da retirada da medicação, mas em um artigo recentemente publicado no Lancet Psychiatry já se propõe uma retirada ainda mais gradual, ao longo de meses ou anos. Atualmente a descontinuação da terapia medicamentosa ocorre ao longo de algumas semanas (geralmente quatro). Um dos autores do artigo publicado no periódico admite que já viu pacientes interromperem a medicação de forma abrupta, sem apresentarem qualquer efeito colateral. Contudo, uma parcela dos pacientes necessita de redução muito mais gradual.

Há poucos estudos bem conduzidos sobre a retirada dos antidepressivos, apesar de o uso a longo prazo ter aumentado (em alguns países, até dobrado) nas últimas décadas. Alguns médicos e pesquisadores concordam com o resultado da pesquisa e afirmam que na prática clínica já vinham observando esses efeitos e conduzindo o paciente dessa mesma forma que o estudo propõe. Dentre outras questões, alguns médicos destacam como essa conclusão termina por validar a experiência dos pacientes com o tratamento.

Uma das razões que motivou a pesquisa foi a própria experiência de um dos autores que admitiu ter sofrido dificuldade para descontinuar seu tratamento após 15 anos de farmacoterapia. A pesquisa foi iniciada por meio da visita de fóruns online em que pacientes em uso de antidepressivos recomendavam uns aos outros como interromper a medicação. Nesse ambiente era comum a recomendação de redução de “micro-doses”, diminuindo a dose em quantidade progressivamente menores ao longo de meses ou anos. Após essa fase, os pesquisadores procuraram a devida literatura sobre o assunto.

Um estudo japonês de 2010 concluiu que 78% dos pacientes que tentaram descontinuar a paroxetina tiveram importantes sintomas de retirada/abstinência. Quando a redução foi feita entre um período de nove meses a quatro anos, apenas 6% apresentaram os sintomas. Já num estudo holandês de 2018, 70% dos pacientes tiveram problemas para descontinuar a paroxetina ou a venlafaxina. Essa taxa também foi reduzida com a diminuição gradual e mais lenta da dose.

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Estudos de neuroimagem podem reforçar essa nova proposta. Medicações como paroxetina, venlafaxina e sertralina possuem como uma das suas atividades o bloqueio do transportador de serotonina, prolongando sua presença na fenda sináptica, aumentando seu efeito. O trabalho observou que a inibição do transportador aumenta drasticamente com o uso da medicação ou o aumento da dose, mas também cai de forma drástica com a redução da dose.

Com isso, é possível questionar a técnica padrão de desmame, que geralmente consta de reduzir a dose pela metade e interromper o uso após quatro semanas.

Os pesquisadores afirmam que há necessidade de mais estudos sobre o assunto para desenvolver não apenas estratégias para a retirada, mas também para avaliar um padrão de reação individual.

Na minha experiência clínica, procuro conversar com os pacientes e avalio tanto o tempo de uso da medicação, como os fatores psicossociais envolvidos naquele momento da vida e a resistência do próprio paciente em manter ou retirar a medicação. De acordo com isso, costumo propor uma redução mais gradual da dose e a reavaliação do paciente um tempo depois com a dose menor.

Se o paciente estiver bem adaptado, seguimos a redução gradual até a interrupção total da farmacoterapia. Há pacientes que desejam interromper a medicação com maior rapidez. Nesses casos, é possível seguir o protocolo. Sempre avalio o paciente durante ou após a retirada para perceber como se mantém sem a medicação, se há a presença de recaída, rebote ou abstinência ou se é possível manter a retirada.

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