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Quais os fatores de risco para tuberculose entre contatos?

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Tuberculose é uma das maiores causas de mortalidade e morbidade no mundo, sendo o Brasil um dos países com maior número de casos. Sua alta carga de doença levou a Organização Mundial de Saúde a formular um plano de ação mundial para a eliminação da tuberculose. Alguns pontos principais da estratégia incluem a identificação e tratamento precoces de casos bacilíferos, assim como os de infecção latente.

Sabe-se que indivíduos que são contatos próximos de pacientes com tuberculose estão sob alto risco de desenvolver a doença, principalmente nos primeiros dois anos após o contato e infecção. O rastreio de contactantes para identificar casos secundários de tuberculose ativa ou casos de tuberculose latente é um importante passo para interromper a cadeia de transmissão e controlar a doença. Um estudo americano e canadense procurou identificar fatores de risco em uma coorte de contatos que pudessem estar associados ao desenvolvimento de tuberculose ativa.

Tuberculose entre contatos

O estudo incluiu adultos com TB confirmada por cultura e seus contatos próximos, os quais foram entrevistados, avaliados clinicamente, rastreados para TB latente e ativa e acompanhados por 4 anos. O tratamento mais comum para TB latente foi com isoniazida ou rifampina em monoterapia, mas outros esquemas também foram aceitos.

Resultados

Ao total, foram incluídos 718 casos índices de TB, sendo 72% com escarro positivo e 40% com cavitação pulmonar identificada em radiografia. Também foram incluídos 4490 contatos, sendo que, destes, 4% foram identificados como tendo TB ativa, 31% tinham TB latente, 36% tinham PPD negativo (<5mm) e foram considerados sem TB e 29%não completaram o rastreio com PPD.

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Dos 158 casos de TB ativa, 81 foram diagnosticados nos primeiros 30 dias depois do diagnóstico do caso índice (casos coprevalentes) e 77 foram diagnosticados após 30 dias do diagnóstico do caso índice (casos incidentes). Desses casos, 73% ocorreram em participantes com PPD positivo, 4%, em contatos com PPD negativo e 23%, em participantes que não completaram o rastreio.

Na análise univariada, fatores de risco significativamente associados com o diagnóstico de TB foram: idade ≤5 anos, nascimento no Canadá ou EUA, infecção pelo HIV, PPD ≥10 mm, caso índice com doença cavitária ou bilateral, sudorese noturna, perda ponderal ou tabagismo ativo, ser contato domiciliar do caso índice, compartilhamento do quarto com o caso índice, ≥500 horas de exposição e exposição a mais de 1 caso índice.

A análise univariada por subgrupos dos casos de TB incidentes, coprevalentes e os casos incidentes com PPD positivo mostrou resultados semelhantes entre os grupos, sendo os fatores de risco encontrados: idade ≤5 anos, nascimento no Canadá ou EUA, PPD ≥10 mm, caso índice com doença bilateral, tosse por ≥3 semanas e perda ponderal, ser contato domiciliar do caso índice, ≥500 horas de exposição e exposição a mais de 1 caso índice. Para casos incidentes, o risco de TB foi semelhante entre contatos domiciliares que não compartilharam o mesmo quarto e contatos não domiciliares.

Dos 1448 contatos com TB latente (ILTB), 37% completaram o tratamento, 32% foram parcialmente tratados e 32% não iniciaram tratamento para ILTB. Casos incidentes de TB foram diagnosticados em 9,8% dos participantes que não receberam tratamento, 1,8% dos que receberam tratamento parcial e 0,2% dos que completaram o tratamento para ILTB, o que mostrou diferença significativa entre os grupos de não tratamento vs. tratamento parcial e não tratamento vs. tratamento completo.

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Na análise multivariada, fatores de risco para todos os casos de TB incluíram idade ≤5 anos, nascimento no Canadá ou EUA, infecção pelo HIV, PPD ≥10 mm, caso índice com perda ponderal, exposição a mais de 1 caso índice e compartilhamento do mesmo quarto com o caso índice. Fatores de risco para casos incidentes incluíram os mesmos encontrados para todos os casos, exceto infecção pelo HIV e compartilhamento do mesmo quarto.

Mensagens práticas

  1. Os resultados demonstram a importância do rastreio dos contatos de indivíduos diagnosticados com TB, com uma alta carga de diagnósticos de TB tanto copravalentes quanto incidentes.
  2. Fatores de risco associados aos casos incidentes de TB incluíram compartilhamento do mesmo quarto com o caso índice, exposição a mais de 1 caso índice, idade ≤5 anos e PPD ≥10 mm. Deve-se considerar priorizar esses grupos para o rastreio de TB ativa após um diagnóstico de TB.
  3. O tratamento de ILTB foi fortemente associado à ausência de desenvolvimento de TB. Esses resultados reforçam a necessidade de rastreio e tratamento de ILTB entre os contatos de casos de TB. No Brasil, o esquema preconizado até o momento é com isoniazida 300 mg/dia por 6 meses para adultos. Em crianças, a dose deve ser baseada no peso. Suplementação com piridoxina 50 mg/dia é recomendada como profilaxia de neuropatia periférica secundária à isoniazida.
  4. Entre os contatos domiciliares, os que compartilham o mesmo quarto com o caso índice são os que estão sob maior risco de desenvolver TB. Entretanto, contatos não domiciliares também apresentam risco aumentado de desenvolver a doença. Portanto, o médico deve, se possível, procurar expandir o rastreio de contatos para outros ambientes.

Autora:

Referências bibliográficas:

  • Reichler, MR, Khan, A, Sterling, TR, Zhao, H, Chen, B, Yuan, Y, Moran, J, McAuley, J, Mangura, B. Risk Factors for Tuberculosis and Effect of Preventive Therapy Among Close Contacts of Persons With Infectious Tuberculosis. Clinical Infectious Diseases 2020;70(8):1562–72. DOI: 10.1093/cid/ciz438

Um comentário

  1. Avatar
    Caetano Bouças

    Lembro que Estados Unidos e Canadá não aplicam a vacina de BCG pela possível interferência na avaliação do teste de Mantoux. Tal fato adicionaria provável fator de limitação diagnóstica em nosso meio.

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