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maca de paciente na uti depois de passar por um fisioterapeuta na emergência

Qual a atuação do fisioterapeuta em unidade de emergência?

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O serviço de urgência e emergência é a porta de entrada do hospital para o paciente que apresenta alterações dos pontos de vista biológicos e físicos, causando risco de vida.

A resolução 501 de 26 de dezembro de 2018 em seu artigo 1° resolve: “Reconhecer a atuação do Fisioterapeuta na assistência à Saúde nas Unidades de Emergência e Urgência, sendo necessário e preconizado que tais profissionais sejam capacitados em Suporte Básico de Vida e, especialmente, em Suporte Avançado de Vida Cardiovascular em Adultos – ACLS”.

O fisioterapeuta, por muito tempo, foi um prestador de assistência para a equipe da emergência; porém, hoje, em alguns serviços, ele é componente fundamental dessa equipe.

Esse tema torna-se importante pela inserção do fisioterapeuta em um campo ainda pouco explorado. Sendo que em muitos hospitais públicos do Brasil, a escassez de leitos de terapia intensiva propicia que muitos pacientes evoluam com piora do quadro ainda no serviço de emergência.

Mais do autor: Quando realizar a ventilação prona em emergências?

Fisioterapeuta na emergência

O objetivo principal do atendimento fisioterapêutico nessas unidades é dar suporte rápido e eficiente para disfunções cardiorrespiratórias, principalmente nas primeiras horas, evitando, assim, um possível agravamento no quadro clínico, como a necessidade de intubação orotraqueal, utilização de ventilação mecânica invasiva e evolução para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Dentre suas funções, ele pode fornecer atendimento tratamento precoce de patologias agudas e crônicas, das comorbidades e das complicações funcionais do paciente, refletindo indiretamente na diminuição do tempo de internamento, redução da mortalidade e dos custos hospitalares.

Cabe destacar, ainda, que o papel do fisioterapeuta é bem diverso em âmbito de uma emergência, seja em cuidados com a admissão, avaliação e evolução diária no prontuário; domínio na leitura de exames laboratoriais, radiografias de tórax, tomografia computadorizada, eletrocardiogramas, gasometrias, dentre outros.

Assim, melhor esclarecendo, o profissional pode ser requerido nos casos em que o paciente precise de ventilação mecânica invasiva ou não invasiva, cuidados com as vias aéreas durante a parada cardiorrespiratória, de auxílio à equipe até a estabilização do paciente – em unidade de emergência.

A fisioterapia tem uma importante atuação em pacientes que necessitam de suporte ventilatório, pois auxilia na condução da ventilação mecânica, desde o preparo e ajuste do ventilador artificial à prótese (tubo orotraqueal ou cânula de traqueostomia) até a evolução do paciente, interrupção e desmame do suporte ventilatório.

Durante a PCR, o fisioterapeuta atua tanto na identificação dos ritmos ou ausência de pulso e inicia imediatamente as compressões torácicas até a chegada dos demais profissionais e em seguida assume o suporte ventilatório com a bolsa-válvula-máscara (conhecido popularmente por ambu®), acoplando a máscara na região da boca e nariz da vítima fazendo pressão com a mão sobre a máscara tipo “C” para não haver escape de ar e em seguida eleva a região da mandíbula com mão tipo “E” liberando a via aérea e inicia a ventilação 01 a cada 6 segundos (10 por/min) conforme recomenda o guideline da American Heart Association (AHA) 2018 e a cada 2 minutos analisa ritmo, o médico e o enfermeiro são profissionais que assumem a liderança no momento da parada através de comunicação em alça fechada e com feedback positivo.

O fisioterapeuta, assim como o enfermeiro são os profissionais que auxiliam no momento da intubação, e quando o médico faz a intubação imediatamente o fisioterapeuta insufla o cuff do tubo orotraqueal (TOT), e logo em seguida realiza ausculta pulmonar iniciando pela região gástrica, base esquerda, base direita e ápices pulmonares e somente após é que se procede a fixação do TOT com “cadarço” fixador.

Veja mais: COMECC19: como realizar a assistência à PCR no paciente com Covid-19?

Apesar da inexistência do reconhecimento pelo COFFITO da especialidade dos fisioterapeutas para atuação nos serviços de emergência, os profissionais têm várias atribuições nessas unidades, tanto no Brasil quanto no exterior. Veja nos quadros abaixo.

Quadro 1. Atribuições privativas dos fisioterapeutas no serviço de emergência 

Prescrever e executar a intervenção fisioterapêutica cardiovascular, respeitando os limites clínicos de segurança 
Determinar diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico 
Prescrever e empregar métodos, técnicas e/ou recursos fisioterapêuticos adjuvantes, sempre que julgar benéfico 
Determinar as condições de alta fisioterapêutica em nível hospitalar e prescrevê-las 
Registrar em prontuário dados sobre avaliação, diagnóstico, prognóstico, intervenção, evolução, interconsulta, intercorrências e alta fisioterapêutica

Quadro 2. Atribuições dos fisioterapeutas compartilhadas com enfermeiros e médicos no serviço de emergência 

Gerenciar a ventilação espontânea, a oxigenoterapia, a inaloterapia, o suporte ventilatório invasivo ou não invasivo, bem como a via aérea natural e/ou artificial 
Trabalhar em equipe multiprofissional na reabilitação de indivíduos com disfunções cardiovasculares e metabólicas
Avaliar e monitorar os parâmetros cardiorrespiratórios, inclusive em situações de deslocamento do paciente crítico ou potencialmente crítico 
Interpretar exames complementares 
Aplicar medidas de prevenção e controle de infecções no ambiente hospitalar 
Participar da equipe e dos procedimentos de suporte à vida

Quadro 3. Atribuições dos fisioterapeutas compartilhadas com médicos no serviço de emergência 

Avaliar a condição de saúde do paciente crítico ou potencialmente crítico para a realização do desmame e extubação do paciente em suporte ventilatório invasivo 
Avaliar a instituição do suporte de ventilação não invasivo e as condições de saúde do paciente crítico ou potencialmente crítico para sua retirada 
Realizar avaliação e monitorização da via aérea natural e artificial do paciente crítico ou potencialmente crítico 
Favorecer controle gasométrico por meio de ajustes ventilatórios invasivos e não invasivos 
Identificar assincronia entre paciente e ventilador por meio da avaliação e monitorização gráfica do ventilador 

Fonte: Batista REA, Peduzzi M. Interface-Comunicação, Saúde, Educação. 2018;22:1685-95.

Para alguns, os argumentos apresentados podem ser novos; para outros, nem tanto; e, para outros ainda, até um absurdo. Mas demonstram que o fisioterapeuta é uma excelente aquisição profissional para a equipe cada vez mais multidisciplinar da emergência.

Autor:

Referências bibliográficas:

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  • Cordeiro AL, Lima TG. Fisioterapia em unidades de emergência: uma revisão sistemática. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2017;7(2):276-81.
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  • de Andrade ÁDB, de Souza LP, Bonet L, de Lima Soares SC, Kundsin A, Santana SAA, et al. Atuação fisioterapêutica no suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) na UTI. Revista Eletrônica Acervo Saúde. 2019(33):e762-e.
  • Batista REA, Peduzzi M. Prática interprofissional colaborativa no serviço de emergência: atribuições privativas e compartilhadas dos fisioterapeutas. Interface-Comunicação, Saúde, Educação. 2018;22:1685-95.

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