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Qual a imunidade de bebês com menos de 1 ano ao sarampo?

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O sarampo é uma doença aguda infecciosa que pode levar a complicações graves, como pneumonia e encefalite, podendo culminar em óbito. Comparados com crianças mais velhas e adultos, os lactentes com menos de um ano são mais são vulneráveis ​​ao sarampo, com taxas de infecção elevadas durante surtos.

Sarampo em bebês

Presume-se que os bebês no primeiro ano de vida sejam protegidos do sarampo por anticorpos adquiridos por via transplacentária de suas mães. No entanto, essa suposição foi baseada em estudos realizados em locais onde o sarampo circulava endemicamente. Nessas situações, muitas mães são imunes à infecção natural e são continuamente expostas ao sarampo, levando a repetidos estímulos imunológicos e níveis mais robustos de anticorpos.

Todavia, em locais sem nenhuma transmissão endêmica do vírus por mais de 12 meses, muitas mulheres em idade fértil ficam imunes à vacinação, o que tem sido associado a títulos mais baixos de anticorpos em comparação à infecção natural. Além disso, como o vírus do sarampo não circula endemicamente nesses locais, o estímulo imunológico de indivíduos protegidos pela exposição ao sarampo é bastante reduzido.

Isso pode levar bebês, em ambientes sem sarampo, a terem títulos mais baixos de anticorpos adquiridos por via transplacentária, que caem abaixo do limiar de proteção mais cedo. Esses bebês são então suscetíveis ao sarampo até receberem a primeira dose da vacina, que, em locais não endêmicos, não é administrada antes dos 12 a 15 meses de vida.

Contudo, a imunidade pode diminuir antes desse tempo em ambientes sem sarampo, colocando os bebês em risco de adquirir a doença e suas complicações.

Diante disso, Science e colaboradores (2019) realizaram um estudo cujo objetivo foi avaliar a suscetibilidade infantil ao sarampo em Ontário, Canadá. O Canadá possui um programa de imunização de rotina contra o sarampo desde 1963. Além disso, a cobertura vacinal em Ontário é geralmente alta.

O Canadá eliminou o sarampo em 1998. Para os autores, a imunidade infantil ao sarampo em um ambiente sem a doença diminuiria nos primeiros seis meses de vida devido à imunidade induzida por vacina, em vez da imunidade induzida por infecção natural, em mulheres em idade fértil. Para os pesquisadores, isso é preocupante devido à contínua circulação do sarampo em outras partes do mundo. Sendo assim, os autores investigaram a imunidade humoral ao sarampo em crianças com menos de um ano de idade em Ontário, Canadá.

O estudo Measles Antibody Levels in Young Infants foi publicado recentemente na revista Pediatrics, da Academia Americana de Pediatria.

Metodologia

Os autores selecionaram soros de bebês com menos de 12 meses de idade, nascidos com 37 semanas de idade gestacional, coletados em um hospital pediátrico terciário, no período de 1° de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2016.

Foram excluídos bebês com condições que afetassem os níveis de anticorpos: lactentes com uma imunodeficiência suspeita ou confirmada, uma condição subjacente associada à perda de anticorpos (por exemplo, síndrome nefrótica, enteropatia perdedora de proteínas), se eles receberam imunoglobulina intravenosa, imunoglobulina intramuscular ou transfusões de sangue ou tiveram histórico de vacinação contra sarampo ou sarampo.

Leia também: Maior incidência global de sarampo em 13 anos, alerta OMS

Oito faixas etárias foram predeterminadas : 0 meses (0 a 30 dias), 1 mês (31 a 60 dias), 2 meses (61 a 89 dias), 3 meses (90 a 119 dias), 4 meses, 5 meses, 6 a 9 meses e 9 a 11 meses. Com isso, foram selecionados, aleatoriamente, até 25 soros de cada uma dessas faixas. Esses soros foram testados para anticorpos neutralizantes ao sarampo usando o teste de neutralização por redução de placa. A proporção imune em cada faixa etária foi calculada, e os preditores de suscetibilidade infantil foram avaliados por meio de regressão logística multivariável e regressão de Poisson.

Resultados

  • Dos 196 soros infantis, 56% (110) eram de meninos e 35% (69) eram de bebês com condições clínicas subjacentes;
  • A média de idade materna foi de 32 anos;
  • No primeiro mês, 20% (5 de 25) das crianças apresentaram anticorpos abaixo do limiar de proteção, que aumentou para 92% (22 de 24) em 3 meses;
  • Aos 3 meses de idade, o título médio previsto de anticorpos estava abaixo do título limite reconhecido como protetor, com uma susceptibilidade prevista de 72%;
  • Aos 6 meses de idade, 97% dos bebês eram suscetíveis;
  • Em uma análise multivariável, a idade do bebê foi o mais forte preditor de suscetibilidade (odds ratio = 2,13 para cada aumento adicional de mês; intervalo de confiança de 95%: 1,52–2,97).

Conclusão

No estudo de Science e colaboradores (2019), a deterioração prevista do anticorpo neutralizador do sarampo e a suscetibilidade ao sarampo em bebês a partir dos três meses têm implicações significativas para surtos na comunidade e administração de vacina a bebês em risco de exposição.

Bebês com seis meses de idade ou mais podem ser vacinados contra sarampo, mas aqueles com menos de 6 meses, para os quais a vacina não é recomendada, correm risco se expostos. Esses bebês devem ser tratados agressivamente com imunoglobulina profilática após, ou antes, uma exposição. Isso é particularmente importante para bebês entre três e seis meses de idade, que provavelmente não são protegidos por anticorpos maternos.

A maioria dos bebês, nesse estudo, foi suscetível ao sarampo aos três meses de idade. Esses achados têm implicações importantes para as recomendações atuais de profilaxia pós-exposição infantil, pois crianças com seis meses de idade são frequentemente consideradas rotineiramente imunes ao sarampo.

Mais pesquisas são necessárias prospectivamente para validar esses achados e explorar o impacto da idade materna e da amamentação nas situações de eliminação da imunidade infantil. Os autores enfatizam, com estes resultados, portanto, que há necessidade de importantes discussões políticas relacionadas ao momento da primeira dose de vacina contendo sarampo e recomendações de profilaxia para crianças após a exposição.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Science M et al. Measles antibody levels in young infants. Pediatrics 2019 Nov 21; e20190630
  • Lehman D. Maternal Measles Antibody Decay: At What Age Are Infants Susceptible? NEJM Journal Watch Nov 25

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