Ixazomib pode substituir bortezomib para quimioterapia por via oral?

Um estudo que avaliou a quimioterapia de primeira linha em pacientes com primo diagnóstico de mieloma múltiplo. Saiba mais.

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Publicado na revista Haematologica neste mês de julho pelo Intergroupe Francophone du Myelome (IFM), o artigo apresentado aborda os resultados finais do estudo de fase II IFM 2013-06, braço único, multicêntrico, open-label (ausência de cegamento), que avaliou a quimioterapia de primeira linha em pacientes com primo diagnóstico de mieloma múltiplo, elegíveis ao transplante autólogo como terapia de consolidação, sendo o grande diferencial deste esquema o fato de ser todo ele administrado por via oral. Este regime inclui o inibidor de proteassoma administrado por via oral, ixazomib. A base terapêutica é a associação deste com lenalidomida e dexametasona (esquema IRD), todas as drogas por via oral. 

Atualmente um dos tratamentos tidos como padrão em primeira linha, devido ao elevado grau de resposta e tempo prolongado de manutenção da mesma associada ao baixo grau de toxicidade do esquema é composto pelas drogas bortezomib, lenalidomida e dexametasona. O bortezomib, no entanto, apresenta duas formas de administração, venosa e subcutânea, exigindo que o paciente compareça ao serviço de saúde para preparo e administração da droga.

quimioterapia

Métodos

O presente estudo recrutou pacientes entre novembro de 2014 e dezembro de 2015, em um número total de 42 participantes, divididos em proporção de 1:1 em gênero. O estudo foi finalizado em junho de 2020. A mediana de idade foi de 60 anos. Participantes com fatores de pior prognóstico foram a minoria no estudo: alto risco citogenético (19%), ISS III (17%), ECOG 2 ou > (9%). Os participantes foram designados para três ciclos de indução com IRD seguidos por transplante (TMO) autólogo e, após, consolidação precoce com outros dois ciclos de IRD, consolidação tardia com seis ciclos de IR (sem dexametasona) e manutenção com ixazomib até progressão ou toxicidade inaceitável. O desfecho primário foi resposta completa stringent (RCs – classificada por resposta completa + normalização de cadeias leves séricas + doença residual mensurável negativa em medula óssea avaliada por citometria de fluxo + ausência de doença extramedular) avaliada após consolidação. Sobrevida livre de progressão (SLP), sobrevida global (SG), toxicidade, foram avaliados como desfechos secundários. Todos os desfechos foram avaliados conforme critérios do International Myeloma Working Group (IMWG).  

Conclusão

Após indução, a taxa de resposta global foi de 80%, com aproximadamente 42% dos participantes alcançando resposta parcial muito boa ou superior. Ao final da consolidação com TMO, apenas 33% alcançaram o endpoint primário na análise por intenção de tratar; após a consolidação estendida essa porcentagem aumentou para 37%. A mediana de tempo entre os participantes para atingir resposta parcial foi de um mês, enquanto entre aqueles que atingiram RCs o tempo para atingir essa resposta foi de oito meses. A mediana de SLP foi de 41.8 meses enquanto a taxa de RG após três anos de follow-up foi de 92,8% (mediana não atingida). Não houve morte relacionada à terapia e o evento adverso mais comum foi plaquetopenia grau 3 mensurada pelo Common Terminology Criteria for Adverse Events (CTCAE).

Leia também: Três opções de quimioterapia oral passam a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde

Aplicação

As taxas de resposta observadas neste estudo foram semelhantes às encontradas nos estudos IFM-2009 e GEM2012 que abordaram o esquema VRD em indução/consolidação para um subgrupo de pacientes semelhantes. No entanto, as taxas de SLP e SG foram inferiores nos participantes submetidos ao IRD quando comparados aos participantes dos estudos investigando VRD, ainda que submetidos a um maior número de ciclos no primeiro grupo. A manutenção com ixazomib também não demonstrou benefício relevante, dado confirmado em outros estudos como o TOURMALINE-MM3 e GEM2014, estando esse inibidor de proteassoma associado ou não a Lenalidomida +/- dexametasona. Em suma, o esquema triplo oral abordado no estudo parece ser seguro e eficaz para o cenário avaliado sendo, no entanto, preferível para pacientes mais frágeis que não tolerem a terapia com bortezomib devido a possível toxicidade ou pacientes que tenham dificuldade em comparecer ao serviço de saúde para administração do tratamento. Em geral, esses pacientes não são elegíveis ao transplante autólogo.

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# Touzeau C, Perrot A, Roussel M, Karlin L, Benboubker L, Jacquet C, Mohty M, Facon T, Manier S, Chretien M-L, Tiab M, Hulin C, Leleu X, Loiseau HA, Dejoie T, Planche L, Attal M, Moreau P. All-oral triplet combination of ixazomib, lenalidomide, and dexamethasone in newly diagnosed transplant-eligible multiple myeloma patients: final results of the phase II IFM 2013-06 study. Haematologica 2022;107(7):1693-1697; https://doi.org/10.3324/haematol.2021.280394.