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médico aplicando remdesivir intravenoso em paciente com covid-19

Remdesivir tem bons resultados em pacientes hospitalizados com Covid-19

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O remdesivir, desenvolvido para o tratamento da ebola, é uma opção terapêutica considerada potencial contra a Covid-19. Estudos prévios, incluindo estudos randomizados, demonstraram uma recuperação mais rápida nos pacientes que fizeram uso do fármaco. Porém, alguns deles não alcançaram relevância estatística.

O New England Journal of Medicine (NEJM) publicou ontem, 8, os resultados finais do Adaptive Covid-19 Treatment Trial (ACTT-1), um estudo randomizado, controlado e duplo-cego avaliando a eficácia do remdesivir na Covid-19.

Remdesivir para Covid-19

Foram inscritos pacientes de 21 de fevereiro a 19 de abril de 2020, em dez países. Foi considerado doença grave quando o paciente precisava de ventilação mecânica ou oxigênio suplementar, ou se tinham saturação menor a 94% no ar ambiente ou taquipneia (≥24 respirações por minuto).

Remdesivir foi administrado por via intravenosa como uma dose de ataque de 200 mg no dia 1, seguido por 100 mg administrada diariamente nos dias 2 a 10 ou até a alta hospitalar ou morte. Um placebo correspondente foi administrado de acordo com o mesmo esquema e no mesmo volume que a droga ativa.

Os pacientes foram avaliados diariamente do dia 1 ao dia 29. O desfecho primário foi o tempo de recuperação durante os 28 dias após a inscrição, e o secundário foi estado clínico no dia 15, de acordo com uma escala ordinal utilizada.

População envolvida

Entre os elegíveis, 1.062 pacientes foram submetidos à randomização; 541 para o grupo remdesivir e 521 para o grupo placebo. Nas categorias de gravidade, 159 (15%) foram considerados com doença leve a moderada e 903 (85%), com doença grave. Porém, 54 pacientes agravaram e atenderam critérios para doença grave posteriormente.

Um total de 517 pacientes no grupo de remdesivir e 508 no grupo de placebo completaram o estudo até o dia 29, se recuperaram ou morreram.

Leia também: Remdesivir: estudo mostra recuperação mais rápida em pacientes com Covid-19

A média de idade foi de 58,9 anos e 64,4% eram do sexo masculino. Mais de 53% dos participantes eram brancos, 21% eram negros, 12% eram asiáticos e 12% foram designados como outros ou não relatados; 250 (23,5%) eram hispânicos ou latinos.

A maioria dos indivíduos tinha uma (25,9%) ou duas ou mais (54,5%) comorbidades, geralmente hipertensão (50,2%), obesidade (44,8%) e diabetes mellitus tipo 2 (30,3%).

Resultados

  • O número médio de dias entre o início dos sintomas e a randomização foi de 9 (intervalo interquartil, 6 a 12);
  • Os pacientes no grupo remdesivir tiveram um tempo menor de recuperação do que os pacientes no grupo placebo (mediana, 10 dias, em comparação com 15 dias; razão da taxa de recuperação, 1,29; intervalo de confiança de 95% [IC], 1,12 a 1,49; P < 0,001);
  • No subgrupo de doença grave (957 pacientes), o tempo médio para recuperação foi de 11 dias, em comparação com 18 dias (razão da taxa de recuperação, 1,31; IC de 95%, 1,12 a 1,52);
  • Em uma análise que usou um modelo de probabilidades proporcionais com uma escala ordinal de oito categorias, os pacientes que receberam remdesivir foram considerados mais prováveis ​​do que aqueles que receberam placebo de ter melhora clínica no dia 15 (razão de chances, 1,5; IC 95% , 1,2 a 1,9, após ajuste para a gravidade real da doença);
  • Pacientes que fizeram uso do remdesivir no início da doença tiveram melhores resultados, embora o benefício tenha persistido na maioria das análises de duração dos sintomas;
  • As estimativas de Kaplan-Meier de mortalidade no dia 15 foram de 6,7% no grupo de intervenção e 11,9% no grupo controle (razão de risco, 0,55; IC de 95%, 0,36 a 0,83); no dia 29, foram de 11,4% e 15,2% nos grupos, respectivamente (taxa de risco, 0,73; IC de 95%, 0,52 a 1,03);
  • As diferenças entre os grupos na mortalidade variaram consideravelmente de acordo com a gravidade;
  • Na população tratada, eventos adversos graves ocorreram em 131 de 532 pacientes (24,6%) no grupo de remdesivir e em 163 de 516 pacientes (31,6%) no grupo de placebo. Nenhuma morte foi considerada pelos investigadores como relacionada à atribuição de tratamento.

Veja mais: Remdesivir para Covid-19: veja os resultados de novo estudo randomizado

Como os pacientes recebiam tratamento de suporte e seguiam os protocolos das unidades, além de receber remdesivir, durante o estudo, 373 pacientes (35,6% dos 1.048 pacientes na população tratada) receberam hidroxicloroquina e 241 (23,0%) receberam glicocorticoide.

Ainda assim, as análises de sensibilidade mostraram eficácia do remdesivir nesses pacientes (9,0 dias para a recuperação com remdesivir vs. 14,0 dias para a recuperação com placebo; razão da taxa, 1,28; IC 95%, 1,09-1,50, e 10,0 vs. 16,0 dias para a recuperação; razão da taxa, 1,32; IC 95%, 1,11 a 1,58, respectivamente).

Conclusões

O estudo aponta benefício no uso do remdesivir em pacientes hospitalizados com Covid-19, e ainda demonstra uma menor proporção de eventos adversos graves nos pacientes que fizeram uso do medicamento. Além de uma recuperação mais rápida, os autores sugerem que o tratamento também preveniu a progressão da doença nos pacientes, já que houve uma menor incidência no uso de oxigênio daqueles que estavam com infecção leve a moderada.

Após a divulgação dos dados preliminares deste estudo, a Food and Drug Administration (FDA) autorizou de forma emergencial o uso do remdesivir para Covid-19, posteriormente ampliado para crianças. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o fármaco apenas para estudos clínicos.

Apesar dos bons resultados, a mortalidade ainda foi alta (mortalidade por todas as causas foi de 11,4% com remdesivir e 15,2% com placebo; razão de risco, 0,73; IC de 95%, 0,52 a 1,03), o que significa que, provavelmente, apenas o antiviral não será suficiente para tratamento da Covid-19, principalmente em casos mais graves.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referência bibliográfica:

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