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estetoscópio pendurado no pescoço do médico

Resgate na Tailândia e o período de recuperação: o que esperar?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Nas últimas semanas, o mundo ficou atento à situação dos meninos de um time de futebol e de seu treinador presos em uma caverna na Tailândia. Após 17 dias de muita apreensão, com a dedicação da marinha tailandesa e de voluntários de outros países, todos foram resgatados e estão hospitalizados, em quarentena. Quais devem ser as maiores preocupações no período de recuperação?

  • DESIDRATAÇÃO E NUTRIÇÃO

A desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos devem ser uma preocupação importante, apesar de os garotos não terem ficado totalmente sem água nesse período, já que ingeriram o líquido que escorria pelas paredes da caverna. Além disso, há grande possibilidade de desnutrição, pois só passaram a ter acesso a suplementos alimentares quando foram encontrados, nove dias depois de ficarem presos. Por serem crianças e adolescentes, a atenção à alimentação é ainda mais importante, pois estão em fase de crescimento, o que demanda um gasto calórico maior.

A alimentação deve ser reintroduzida aos poucos para evitar complicações, como síndrome da realimentação. No hospital, apesar dos pedidos de outras comidas, os meninos ainda têm restrição alimentar. Eles não estão autorizados a comer a comida tailandesa, conhecida pelos temperos e especiarias. Até agora, eles comeram mingau, pão e um pouco de chocolate. Segundo o The New York Times, os médicos têm feito uma dieta rica em proteína, mas os meninos ainda reclamam de fome.

  • DOENÇAS INFECCIOSAS

Pelo menos dois dos meninos resgatados apresentaram alterações pulmonares na radiografia de tórax suspeitas de pneumonia. Leptospirose, raiva, hepatite e histoplasmose também estão entre as doenças infecciosas sob as quais os meninos estão em risco por terem ficado confinados na caverna.

A histoplasmose, também conhecida como “doença da caverna”, pode causar infecção respiratória grave, alterações medulares, problemas no sistema digestivo ou até mesmo ficar no organismo sem causar doença e se manifestar em um momento de imunodepressão. Deve ser suspeitada nas seguintes situações, caso tenha história epidemiológica: massas mediastinais ou hilares, nódulo pulmonar, doença pulmonar cavitária, pericardite com linfadenopatia mediastinal, manifestações pulmonares com artrite ou artralgia mais eritema nodoso, disfagia causada por estreitamento esofágico, síndrome da veia cava superior ou obstrução de outras estruturas do mediastino.

  • HIPOTERMIA

Enquanto estava desaparecido, o grupo permaneceu unido, um muito próximo do outro, para produzir calor e manter a temperatura dos corpos. A partir do 10º dia, eles receberam cobertores de alumínio para se aquecer. Porém, isso não afasta a possibilidade de hipotermia. Essa condição faz com que o metabolismo funcione devagar, diminuindo o fluxo de sangue e de nutrientes para os órgãos e deixando a pessoa mais suscetível a infecções.

  • TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Após o resgate, tão importante quanto a saúde física dos meninos é a saúde mental. Eles ficaram muito tempo confinados, sem pais, amigos e, principalmente, sem a garantia de que poderiam sair vivos da experiência. Podem, portanto, desenvolver o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), que tem sido descrito como “o complexo efeito somático, cognitivo, afetivo e comportamental do trauma psicológico” . O TEPT é caracterizado por pensamentos intrusivos, pesadelos e flashbacks de eventos traumáticos passados, evitação de lembranças de trauma, hipervigilância e distúrbios do sono, os quais levam a considerável disfunção social, ocupacional e interpessoal.

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