Ginecologia e Obstetrícia

Risco de síndrome do túnel do carpo grave de novo após ooforectomia bilateral

Tempo de leitura: 3 min.

A síndrome do túnel do carpo é definida como o conjunto de sinais e sintomas causados ​​pela compressão do nervo mediano conforme ele progride pelo túnel do carpo. Os pacientes relatam dor e parestesia, nos casos considerados graves podem haver fraqueza na abdução e oposição do polegar e atrofia da eminência tenar.

Leia também: Devemos realizar ooforectomia bilateral durante a histerectomia por doença benigna?

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Causalidade da síndrome do túnel do carpo

Fatores de risco bem estabelecidos são: obesidade, diabetes, gravidez, artrite reumatoide, hipotireoidismo, doenças do tecido conjuntivo, mononeuropatia mediana preexistente, predisposição genética, e uso de inibidor de aromatase.

O maior acometimento do sexo feminino

A prevalência estimada da síndrome na população em geral é de 1 a 5 por cento. A síndrome é mais frequente no sexo feminino, estimada em 3 mulheres para cada homem.

Uma possível explicação para o predomínio feminino é anatômica. A área transversal do túnel do carpo proximal é menor nas mulheres do que nos homens. Além disso, há uma suspeição de que as mulheres que desenvolvem a síndrome podem ter essas áreas transversais menores do que as mulheres que não desenvolvem.

O uso de inibidores da aromatase parece estar associado a um risco aumentado de artralgias e da síndrome. Um ensaio que avaliou mais de 6.000 mulheres com câncer de mama descobriu que a doença se desenvolveu significativamente mais frequentemente em pacientes designados para o inibidor da aromatase anastrozol do que naqueles designados para tamoxifeno (2,6 versus 0,7 por cento) Os resultados sugeriram que o mecanismo associado ao inibidor da aromatase é o espessamento do tendão.

Novas evidências divulgadas pela revista norte-americana Menopause

Recentemente, a revista da North American Menopause Society divulgou um estudo trazendo um novo fator de risco para a síndrome do túnel do carpo: a ooforectomia bilateral.

O estudo foi desenhado como uma coorte populacional e incluiu 1.653 mulheres na pré-menopausa que foram submetidas a ooforectomia bilateral por indicação não maligna entre 1988 e 2007, e uma amostra aleatória de 1.653 mulheres de referência da mesma idade que não foram submetidas a ooforectomia bilateral em Olmsted, Estados Unidos. Os diagnósticos da doença atribuídos a mulheres ao longo de toda a sua vida foram identificados nestas duas coortes. 

Saiba mais: Câncer de mama: inibidores de aromatase são boa opção para prevenção?

O trabalho considerou que ooforectomia bilateral foi associada a um risco aumentado da forma grave de síndrome do túnel do carpo (razão de risco ajustada 1,65, intervalo de confiança de 95% 1,20-2,25). O risco foi sugestivamente maior em mulheres com índice de massa corporal inferior, nuliparidade e com indicação ovariana benigna de ooforectomia (interações não significativas). Não foi observado efeito protetor da terapia com estrogênio após a ooforectomia. 

O novo trabalho faz a ressalva de que a associação pode pode ter fatores de confundimento, e que os mecanismos biológicos precisos que explicam a associação e a ausência de um efeito atenuante da terapia com estrogênio devem ser mais investigados.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Sestak I, Sapunar F, Cuzick J. Aromatase inhibitor-induced carpal tunnel syndrome: results from the ATAC trial. J Clin Oncol 2009; 27:4961-5. doi10.1200/JCO.2009.22.0236
  • Starlinger J, Schrier VJMM, Smith CY, Song J, Stewart EA, Rocca LG, Amadio PC, Rocca WA. Risk of de novo severe carpal tunnel syndrome after bilateral oophorectomy: a population-based cohort study. Menopause2021 May 24.  doi: 10.1097/GME.0000000000001804. 
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Publicado por
Juliana Olivieri

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