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Saúde: saiba como o sistema mudou o foco da doença para a prevenção

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Bem-vindos ao “Novo Normal”. Esta passou a ser a saudação para vários eventos cujas mudanças resultaram em uma significativa transformação em diversos setores da sociedade que se seguiram após a crise global de 2008. Mesmo o “Antigo Normal” foi resultado de um conjunto de mudanças significativas que modificaram definitivamente no nosso modo de viver, agir e fazer as coisas, através de diferentes épocas de nossa evolução, o Iluminismo, a Revolução Industrial, e mais recentemente a Globalização. Essas mudanças foram sentidas em diversos setores, inclusive no de saúde.

Quando analisamos o perfil das mudanças que estes eventos significativos trouxeram ao longo do tempo, podemos identificar quatro forças predominantes: Volatilidade (Volatility), Incerteza (Uncertainty), Complexidade (Complexity) e Ambiguidade (Ambiguity), ou simplesmente VUCA. Da mesma forma, o setor da saúde neste Novo Normal tem sido desafiado para responder ao VUCA diante das grandes tendências do segmento, tais como: crescimento das doenças crônicas e psicológicas, novas tecnologias na prevenção-tratamento-monitoramento, gerenciamento da saúde populacional, digitalização de todo o ecossistema da saúde, saúde baseada em valor (Value Based Healthcare) e o empoderamento do paciente (propriedade da informação, consumerização, etc.), entre outras
tendências.

Porém, a grande revolução da saúde teve início de fato com o envelhecimento e a longevidade da população. Desde o tempo dos faraós, há mais de 5 mil anos, o desejo do ser humano de tratar os problemas físicos, prolongar a vida e garantir o bem-estar foram o grande foco da medicina. Para tanto, todo o sistema da saúde, por vários séculos, foi centrado em tratar as doenças. Sob esta óptica, o sistema de saúde deveria ser chamado de Sistema de Doença, pois a doença é o principal fator gerador de valor para todos os envolvidos no sistema, e qualquer iniciativa de prevenção ou redução da probabilidade de o paciente vir a adoecer passam a ter pouco ou nenhum incentivo para serem implementados.

Diversos avanços na medicina, como novos remédios, tratamentos e equipamentos, propiciaram o aumento na longevidade da população. A principal implicação destes avanços, porém, foi a mudança de um sistema centrado na cura para um sistema baseado na prevenção, dentro de um ambiente cada vez mais orientado a hábitos saudáveis.

Isto possibilitou o desafio de diversos paradigmas estabelecidos na medicina baseada no sistema de cura, considerando os provedores de serviços e produtos para saúde, o papel do Governo na saúde pública, a qualidade e custos da saúde para os empregadores, a democratização do acesso e personalização do tratamento, a valoração da saúde por parte dos pacientes, as novas fontes de receita e monetização, os custos e investimentos na saúde e formação e qualificação dos profissionais da saúde, entre outros.

Toda essa transformação gerou um profundo exercício de repensar o ecossistema da saúde. Como resultado, surgiram novos modelos de negócios, novos serviços e soluções, uma crescente integração e interação entre diferentes atores da saúde. Também vieram novas métricas para avaliação e remuneração da saúde, assim como novas diretrizes / controles / marcos regulatórios, os quais tem sido vivenciado e experimentado pela população atual e pelas novas gerações. Com eles, poderão estabelecer as bases de uma nova plataforma, um novo sistema que seja realmente orientado para a saúde.

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