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Sete coisas que você precisa saber sobre fibrilação atrial

7 coisas que você precisa saber sobre fibrilação atrial

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Abaixo listamos sete itens que o profissional médico precisa saber sobre fibrilação atrial.

Fibrilação atrial

1. Reverter uma fibrilação atrial (FA) recém observada quase nunca é a melhor opção.

Plantões em emergências costumam ser bem agitados e com certa frequência pacientes adentram o setor com taquicardia por uma FA descompensada. O pensamento natural é o de reverter a arritmia sendo a amiodarona a droga mais escolhida para tal, entretanto essa não é uma prática bem acertada. Isso porque na grande maioria das vezes não é possível estipular o tempo de surgimento da fibrilação atrial, correndo o risco de se reverter uma fibrilação atrial crônica e deslocar um trombo do átrio para o cérebro gerando um AVC.

O relato dos sintomas pode não ser confiável e ele podem não guardar relação com a arritmia que muitas das vezes é assintomática. Nessas ocasiões procure controlar a frequência ventricular com betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio, calcule o CHA2DS2Vasc e veja se há indicação de anticoagulação, solicite um ecocardiograma transesofágico e só então reverta a arritmia.

Leia também: Cardioversão elétrica isolada é melhor que cardioversão química na fibrilação atrial aguda?

2. Busque por um causa por trás da descompensação da FA

Pacientes descompensados de quadros de fibrilação atrial tendem a ter algum motivo por trás disso. Má adesão ao tratamento, infecções, libação alcoólica são os principais. Ao observar um paciente com FA procure por além da arritmia, para não deixar passar nada.

3. Atenção as FA valvares

Pacientes portadores de fibrilação atrial e prótese valvar mecânica ou estenose mitral grave são classificados como FA valvar. Uma curiosidade é que pacientes que não possuem próteses ou estenose mitral importante tem seus trombos formados na auriculeta esquerda na imensa maioria das vezes. Entretanto portadores de FA valvar podem formar trombos na própria valva. Esses pacientes devem ser anticoagulados com varfarina.

4. Renais crônicos em estágio final de doença devem ser anticoagulados?

Não existem evidências fortes na literatura que renais crônicos em estágio IV ou dialíticos se beneficiam da anticoagulação na fibrilação atrial, isso porque esses pacientes são geralmente excluídos dos ensaios clínicos, portanto a decisão de anticoagular um paciente renal crônico em estágio terminal deve ser individualizada.

Saiba mais: Coronariopatia na doença renal crônica: como investigar e tratar

5. O CHA2DS2Vasc indica a anticoagulação e o HAS-BLED contraindica?

É verdade que o escore de CHA2DS2Vasc indica a necessidade de anticoagulação na fibrilação atrial, quanto maior o número do escore, maior a chance anual de AVC, entretanto o HAS-BLED não contra indica a anticoagulação. O HAS-BLED é um escore de risco de sangramento e deve ser usado como argumento na hora de pesar o risco X benefício da anticoagulação.

Sendo assim, mesmo pacientes com indicação de anticoagulação podem não recebê-la devido a um alto risco de sangramento, assim como mesmo um alto risco de sangramento pode não ser o bastante para contraindicar a anticoagulação.

6. Entre AAS e nada, é melhor nada

Antigamente postulava-se que em pacientes com o escore de CHA2DS2Vasc baixo a utilização do AAS seria eficaz com menor risco de sangramento. Os estudos mostraram que essa droga não previne AVC cardioembólico e aumenta o risco de sangramento. Sendo assim, entre AAS e nada é melhor nada.

7. Quais anticoagulantes possuem reversor?

A heparina não fracionada possui um potente reversor chamado protamina, entretanto ele não é tão potente em relação a heparina de baixo peso molecular, ainda sim é a primeira escolha. Para pacientes que usam varfarina, apesar da vitamina K ser o antídoto não espere um efeito imediato dela, isso porque há necessidade de tempo para produzir novos fatores de coagulação, solução é fornecer fatores de coagulação já prontos através do plasma fresco.

Dos anticoagulantes orais diretos a dabigatrana é a única a possuir um reverso aprovado para uso no Brasil (até a data desta publicação). Apesar dos inibidores diretos do fator Xa possuírem reversor, ele não se encontra disponível para uso no país.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Magalhães LP, Figueiredo MJO, Cintra FD, Saad EB, Kuniyishi RR, Teixeira RA, et al. II Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial. Arq Bras Cardiol 2016; 106(4Supl.2):1-22
  • January CT, Wann LS, Alpert JS, et al. 2014 AHA/ACC/HRS guideline for the management of patients with atrial fibrillation: executive summary: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines and the Heart Rhythm Society. J Am Coll Cardiol 2014; 64:2246-80.
  • January CT, Wann LS, Calkins H, et al. 2019 AHA/ACC/HRS focused update of the 2014 AHA/ACC/HRS guideline for the management of patients with atrial fibrillation: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines and the Heart Rhythm Society. Circulation 2019; 139.

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